16.4.12

Outra onda

A tarde caía a pique e na água era só ele. Via os outros lá ao longe na areia e pensou em deixar-se levar até lá, como fizera tantas vezes ao longo dos anos. Sentia os músculos tensos com o cansaço e tentou lembrar-se de há quantas horas tinha entrado. Não se lembrava e nenhum dos peixes tinha relógio.Voltou-se para trás e foi então que o viu, maior do que nunca, estendendo-lhe uma passadeira de prata, desafiando-o a um último esforço.

Fechou os olhos e sentiu no rosto um vento que lhe secava o rosto salgado. Num impulso molhou de novo a cara, virou a prancha na direcção da passadeira prateada e com vigorosas remadas seguiu rumo ao meio círculo vermelho alaranjado que chamava por ele. Estava decidido a ser o primeiro surfista a apanhar o sol.





Acordou três dias mais tarde no hospital. Valera-lhe um barco de pesca chamado “Raio de sol”. Tomou uma decisão, nunca mais ia para a água ganzado.

1 comentário:

Se vais dizer alguma coisa, escreve, não fiques para aí a olhar.