23.4.12

O labirinto da letra


Juro que sou dos tipos mais racionais que existem no que à visita a lojas, superfícies comerciais e afins diz respeito. Sei o que quero antes de entrar e, caso não o encontre, rapidamente consigo gerar planos alternativos. Não gosto de andar a pastar por corredores, de dar por mim a perder uma tarde, duas horas que sejam, sem tirar dali o retorno objectivo que pretendo.

A excepção dá-se nas livrarias.

Posso ter definido ao milímetro, a ponto de saber em que prateleira está o que vou buscar e de repente dou por mim perdido num labirinto de letras, a ler contracapas, a folhear páginas e páginas, mesmo de livros que sei que nunca irei comprar, mas sobre os quais tenho a curiosidade de saber um pouco mais.

Neste labirinto de livrotauros o tempo pára, por entre fascínios e pequenas invejas “Este artista escreve que é uma limpeza”, até ao desdém e uma certa incompreensão por determinados êxitos literários. Daquilo que fujo de alguma poesia nas horas vagas chego a um curso intensivo de quinze minutos por obras de referência na matéria e a promessa mentirosa de na próxima levar um destes.

Só que, na realidade, o tempo não pára e meia hora ao almoço passa para uma hora e pouco em dois tempos e o livro que é suposto levar transformou-se em seis e a prenda facilmente escolhida complicou-se ao ponto de pensar em ligar para a pessoa que faz anos amanhã e pedir-lhe para adiar três meses a coisa, para eu poder ler primeiro os livros que me deixaram indeciso.

No entanto, por mais atrasado que saia de uma livraria, mesmo que o faça de mãos a abanar, nunca dou o tempo por mal empregue. Precisamos, ou melhor eu preciso, de algum tempo nestes labirintos, para me poder perder em sítios em que essa sensação me dá um verdadeiro gozo.

8 comentários:

  1. A verdadeira tortura é, ao contrário do que se poderia pensar comprar montes de livros, saber que não se vai ter tempo de os ler todos, Mak

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  2. Mas isso é como a música, o cinema, a arte ou até as viagens.

    No entanto, para quê consumir-me com o que sei não ser possível, em vez de tentar tirar o máximo partido do que consigo ;)

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  3. Quando vou a uma livraria, tento sempre pensar " só cá estás para comprar este...", nem um segundo passa e estou sentada, cheia de livros no colo a fazer contas para ver se o orçamento até dá para mair um...

    E se não, afinal qual é que vou levar?

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  4. Às vezes também é por aí, mas em certos casos, nem todo o dinheiro do mundo me tiraria as dúvidass sobre investir ou não o tempo em ler A ou ir por B

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  5. Costumo dizer que à semelhança dos viciados no jogo que escrevem para os Casinos pedindo que os não deixem entrar eu devia pedir às livrarias para me deixarem entrar mas comprar, só muuuuuuito de vez em quando!
    É tão boooom!

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  6. Ainda mais do que me perder em livrarias, gosto de me perder no tempo em bons alfarrabistas.
    E em lojas com muito e bom jazz.

    Desconfio que quando comprar um leitor de vinis será o inicio do fim... o cataclismo...

    Joana

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  7. Dizem as percentagens que sais mais vezes a perder de um casino do que de uma livraria, mesmo que não gastes um tostão em qualquer lado...


    O renascimento do vinil, que na realidade nunca deixou de existir, é muito interessante. A minha colecção que apesar de fraquinha, não deixa de ser minha, de vez em quando lá vai em excursão a casa da mãezinha onde ficou a morar o gira discos.

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  8. Das estatisticas não sei, mas tenho a certeza de que assim é.

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