19.4.12

Cinema sem fitas

Fiquem descansados, não vos venho impingir os filmes que vejo ou dissertar sobre os desafios com que se debate o cinema iraniano. Não venho sequer apedrejar uns quantos filmes, apesar de ter as pedras nos bolsos e isso me fazer impressão por causa dos boxers.

Na realidade venho só dizer que me preocupa e me apraz simultaneamente o estado das salas de cinema nos dias de hoje. Pode ser estranho mas quando a meio da semana se consegue ir ver à noite no centro da cidade um filme perfeitamente aceitável e na sala só estamos nós e a companhia que escolhemos, isso é bom e mau ao mesmo tempo.

Bom porque estou longe de gostar de ver filmes em salas cheias e o número de pessoas que distingue o sofá lá de casa de uma sala de cinema tem vindo a reduzir-se. Acrescente-se que, para quem como eu tem as pernas compridas, poder esticá-las para além do micro-espaço habitual é uma dádiva.

Mau porque, factor crise à parte (sempre existem n ofertas para redução do preço), salas às moscas vão contribuir cada vez mais para redução da oferta o que, para quem não é apenas fã de blockbusters e êxitos da pipoca, não augura grande futuro no capítulo “ir ao cinema”.

O conforto das séries, dos downloads e do sofá pode coexistir perfeitamente com o hábito saudável de ir ao cinema. Basta querer de vez em quando.

Nota técnica – O 3D é um chupismo. Só 10% dos filmes que o usam actualmente justificam a sua utilização. O resto são efeitos menores e modinha dispendiosa. E com esta pedrinha atirada, lá se ajeitam melhor os boxers.

6 comentários:

  1. Por acaso essa questão que abordas do 3D caiu-me no prato um dia destes quando quis comprar um televisão. Nem mesmo os vendedores são grandes entusiastas, visto que a quantidade de programas que valem o 3D são raros. E a diferença de preços entre os aparelhos com e sem são mais que apreciáveis.
    Quanto às idas ao cinema já me mentalizei para deixar de ir quando as pipocas ganharem definitivamente a guerra

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  2. breves:
    a) resisti ao 3d até este ano, em que fui ver o 1º filme. não me trouxe nada de novo além de uma dor de cabeça.

    b) no porto já não há cinemas de rua. eu tinha o cartão da medeia ,que ainda passava filmes decentes em salas não-cheias, mas por falta de público fecharam. só temos um cine-teatro que desenrasca, com 1 filme por semana, e os cineclubes das universidades que funcionam a horas impossíveis para quem trabalha.

    c) é tão bom a sala ser só nossa sem ter que dar pontapés no tipo da frente que faz barulho.

    d) miúdos, os downloads são proibidos. se os fizerem, é em segredo e sem misericórdia pelos bufos. omerta.

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  3. ir ao cinema sozinha, numa sala vazia e sem saber o que se vai ver. a pura delícia.

    e ainda não me vendi ao 3D!

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  4. @ Vic e Du - Em termos de salas, o problema é haver falta de equilíbrio entre as grandes cadeias e o circuito alternativo. Creio que mais uma ou outra sala fora de grandes superfícies e com essa política se sobreviverem podem ser a salvação.

    Ao nível de 3D, o problema é técnica vs. oportunismo. Existem coisas interessantes para fazer em 3D, mas só se forem pensadas de base para isso. Tratamentos em pós-produção contribuem apenas para vulgarizar a coisa e transformá-la num bocejo.


    @ maria - ir ao cinema sozinho é algo muito sub-valorizado mas pode ser uma experiência muito interessante.

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  5. Por falar nisso, fico chocada com o aproveitamento do desastre do Titanic... quem raio paga 5 euros para ver o mesmo filme com pseudo-efeitos?

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  6. Aqui também?! Mas nenhum blog dos bons escapa a isto?!

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