24.4.12

Balada da boca seca


Sabia que ela estava ali desde que chegou mas continuava a sentir-se pouco à vontade. Estava um dia bonito de Verão, os pássaros cantavam e essas merdas todas, mas isso não ajudava nada. Sentia o suor a formar-se por debaixo da camisa e tinha a boca tão seca que só lhe faltava areia e camelos para lá ter um deserto, isto se ele próprio não contasse como camelo.

Desde que começara a ir correr para aquele parque que reparara nela, sempre no mesmo sítio como se soubesse que ele ia passar por lá mas, até hoje, tinha resistido a aproximar-se. Enquanto tentava chegar à conclusão sobre se era estúpido ou não, viu um camone a aproximar-se dela. Riu-se,  apontou a máquina para lhe tirar uma foto mas ela manteve-se impávida e serena.

Isso mexeu com ele e, sem mais demoras, decidiu que era hoje. O passo tornou-se cada vez mais lento à medida que chegava perto dela e quando estavam quase lado a lado, debruçou-se delicadamente.

Sentiu-lhe a frescura e decidiu arriscar.

Mal seria se a primeira vez em que bebesse da porra de uma fonte apanhasse uma micose ou uma doença mutante qualquer.

Ainda por cima, será que o camone tinha herpes?

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