9.3.12

O segredo dos segredos

Posso contar-te um segredo?

Por norma, é assim o início do fim de qualquer segredo. E se for verdade que a curiosidade matou o gato, a descrição mais pormenorizada do fatídico evento deve incluir o desgraçado felino a ser espezinhado por alguém que vai a correr ouvir um segredo que outra pessoa lhe quer contar.


A verdade é que a maior parte das pessoas é curiosa e as que dizem não o ser, muito provavelmente são-no em segredo. E o problema de qualquer segredo é que é guardado por uma pessoa que, seja pela ele negativo ou positivo, mais tarde ou mais cedo vai achá-lo demasiado pesado para ser carregado sozinho.

Os segredos perfeitos são como os crimes perfeitos, fazem parte do lote de coisas que, a terem acontecido, nunca ouvimos falar neles. O resto é como dizem os antigos, sejam eles lá quem forem: “Duas pessoas que saibam um segredo já é uma pessoa a mais”.

Até porque será muito difícil encontrar alguém que há pergunta “Sabes guardar um segredo?” responda “Claro que não e aviso-te já que, mal me contes isso, vou passar a informação com a maior rapidez possível, pelo número máximo de pessoas e o mais detalhadamente que conseguir, sem omitir pormenores”.


Por isso, tiremos aos segredos que contamos a carga de informação confidencial e sigilosa que lhes queremos conferir. Afinal de contas, a partir do momento em que deixam de ser só nossos, deixam de responder pelo nome que lhe damos.


E embora existam milhões de nuances por detrás de cada segredo e das pessoas que os guardam, razões inexplicáveis que cada um justificará à sua maneira tornam o segredo uma espécie em permanente risco de extinção, sem que a mesma alguma vez aconteça. Procriam como coelhos estes segredos e, ao que parece, por cada um que morre, nascem logo dois a seguir.


É que, não digam a ninguém, mas melhor do que contar um segredo só mesmo a sensação de ter um segredo para contar.

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