19.3.12

O meu esquilo profissional

Descobri há alguns anos que tinha um esquilo profissional. Ao início fiquei preocupado, pensei que podia ser grave, pois nem sequer sabia se era preciso ter licença para ter um esquilo profissional mas depois disseram-me que não havia problema, era normal as pessoas terem os seus e muito possivelmente na volta eu até tinha mais do que um.

Posso dizer que a emoção foi grande nos primeiros tempos, afinal de contas para quem cresceu na cidade como eu ter um esquilo, mesmo que profissional, é quase uma aventura. No entanto, os dias foram passando e cheguei à conclusão que o ele devia ser tímido já que teimava em não aparecer, pelo menos a horas decentes, o que me levou a preocupar sobre o tipo de profissional que poderia ser.

Voltaram a acalmar-me, disseram que se estava mesmo a ver que o meu esquilo profissional, tendo tudo a ver comigo, tentaria ser o menos previsível que possível e faria os possíveis por surpreender e arranjar forma de fazer uma entrada triunfal. Lá fui esperando, imaginando o meu esquilo a trabalhar arduamente para se apresentar, até que um dia achei que a coisa não podia continuar assim. Fui ter com a pessoa que me tinha dito que tinha o raio do esquilo. Acalmou-me e disse-me que muitas vezes o esquilo tinha uma forma estranha de se revelar, havendo até histórias de esquilos profissionais que só se revelavam sob pressão e de outros que só apareciam camuflados, sem que isso os transformasse em esquilos militares. No meu caso, o melhor seria escrever um texto tentando sensibilizá-lo para que, mesmo que não se deixasse ver, ao menos se revelasse de forma consistente.

Depois de ter feito o primeiro texto finalmente percebi onde se tinha andado a esconder o sacana do esquilo. Conseguia agora vê-lo claramente ali aos saltos no meio de linhas e palavras, roendo raciocínios idiotas e ideias ao desbarato. Na verdade, parecia-me que chamar-lhe profissional era limitar um pouco o meu esquilo dava-me ideia que ele tinha aspirações para alem de um horário das nove às seis mas, se fosse possível, iria continuar a levá-lo comigo para o trabalho.


Conforme o tempo vai passando às vezes tenho medo que um dia o esquilo se vá embora. Quando isso acontece, escrevo logo um texto, mesmo que à primeira vista pareça não poder haver ponta de esquilo profissional à vista, só para depois com mais calma o possa ler para o ver a rebolar-se cá dentro.

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