5.3.12

Eu andei enrolado com a Economia

Sempre tive um carinho especial pelas letras, com a devida excepção do Q que sempre me pareceu um O excitado com más intenções, fáceis de perceber também pelo facto de precisar sempre de acompanhantes para funcionar.


No entanto, sempre fui aberto a novas experiências e durante uns tempos, quando andava na universidade, cheguei a ter uma relação com a Economia. Embora me chateasse a sua formulação picuinhas e a forma como tratava os meus amigos como factores de produção sempre tentei ver nela aqueles micro pormenores que a tornavam única no meu dia-a-dia.


Muitas das coisas que passámos juntos deixaram algumas mágoas que as folhas de ordenados não ajudam a apagar e os suspiros à vista de uma carteira vazia relembram sempre. Mas, isso não retira em mim a noção que aquilo que de bom houve entre nós ainda hoje me ajuda a olhar para uma máquina calculadora com um sorriso maroto.


Sendo ela muito mais experiente que eu, logo nas primeiras vezes fascinou-me a sua capacidade de, não economizando esforços, me ter ensinado de forma apaixonada tudo sobre o Custo de Oportunidade.


Na altura, com tanta coisa a acontecer ao mesmo tempo, posso não lhe ter dado o devido valor, mas se houve coisa que a Economia deixou em mim foi essa noção de custo de oportunidade. A vida é feita de opções, muitas vezes não existe sequer um certo e um errado, mas têm que ser feitas escolhas e cada escolha tem pelo menos o custo de todas as outras que se sacrificam para a fazer.


Quanto mais cedo se perceber isto, melhor se começa a escolher e menos se começa a choramingar pelos cantos quando se percebe que só uma ínfima parte de nós consegue ter o que quer sem ter que sacrificar alguma coisa.


E foi isso mesmo que tentei explicar à Economia quando a nossa relação ficou claramente abaixo do break-even point. A culpa não era dela, os horários tinham mudado e já não havia Química entre nós.


Ela melhor do que ninguém compreendeu, a minha escolha pelas Letras, tornara-a o custo de oportunidade para mim. E ela era valiosa de mais para ficar ali a fazer número.

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