12.3.12

As teias do email

Deixem-me começar por fazer uma afirmação plena de análise critica e um toque francês: É muito mais fácil varrer emails antigos para debaixo do tapete virtual, do que varrer lixo para debaixo de um tapete a sério. A análise é fácil de constatar, o toque francês vem do facto de estar a comer uma fatia de queijo Brie, o que não é de somenos importância.

Tudo isto vem na sequência dos dois tipos de maluquinhos que existem no que toca ao estado de arrumação da caixa de email – os que mantêm a caixa tão vazia como o interior da cabeça de malta que participou na Casa dos Segredos e os que a têm tão preenchida como o cadastro e o historial de parceiros sexuais do mesmo grupo.

Até ontem, as minhas duas principais caixas de email estavam mais cheias do que o historial de uma cabeleireira de Massamá, prestes a entrar nos seus quarenta. Hoje, estão tão limpas como o cadastro da Irmã Lúcia nos seus tempos áureos.

Não se trata de mudança de personalidade, fuga eminente do país ou uma inovadora forma de exorcismo virtual. Simplesmente cheguei à conclusão que o que nunca foi relevante ou que há muito perdeu a sua relevância não faz falta nenhuma, mesmo que não ocupe espaço.

Entre mails estilo “Um dia vai ser giro ver isto” a conversas “Epá, isto é que foi um fartote, não posso apagar” e outras tantas mensagens que ficam a pairar com três e quatro anos no vazio, o bolo é gigantesco.

E a verdade é que não faz falta, porque 90% das coisas só nos lembramos delas no instante em que as vemos e desaparecem dois minutos depois de lhes tirarmos a vista de cima.

Por isso, arriverderfsdifvcci (ou lá como se escreve) tralha virtual. Eu diria que vais fazer falta, mas prefiro guardar a hipocrisia para outras alturas que valham a pena.

PS – Não fui totalmente honesto. O facto é que a criação de pastas permite que guardemos algum passado cibernético mais lustroso. Mas só o fiz com a mesma convicção com que as pessoas vão guardando fotos digitais em CD’s na expectativa que um dia vão ver as fotos das férias em Cernache do Bonjardim, uma por uma.

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