
Para além da sabedoria que vem com a idade (isto se o Alzheimer não chegar primeiro), à medida que vou ficando mais crescido tento pensar nas vantagens que há em ser velho. Como não sou de me contentar com o que o comum dos mortais aspira na velhice, gostaria de ver em mim o gosto por ficar horas a contemplar obras em curso.
Ao longo dos tempos, tenho verificado que os velhos adoram ver obras. Sou capaz até de apostar que, a seguir a darem comida a pombos e fazer testes de imobilidade em paragens de autocarros, essa actividade é das que dá mais luta ao jogo da sueca em bancos de jardim.
É vê-los ali, olhando com ávido interesse para grandes buracos e fundações, o movimento do pessoal das obras, arriscando aqui e ali um gesto de entendido e uma palavra de ordem que pode ou não ter referências a conhecidos ditadores e políticos da nossa praça.
Confesso que já tentei, especialmente depois de me aperceber da chegada dos primeiros cabelos brancos, mas sinto que ainda não o consegui verdadeiramente. O meu máximo foram três minutos a ver uma grua e dois operários que faziam uma espécie de dança a tentar prender-lhe um cabo. E mesmo assim logo senti o olhar reprovador de dois idosos contempladores de obras, que viram em mim um claro intruso longe de perceber a magnitude do interesse do observador rotinado.
Acredito no meu envelhecimento e acho que um dia vou ser capaz. Até porque, quando e se chegado a velho, nessa altura será muito mais fácil ver obras e buracos em Portugal, do que pôr a vista nalguma espécie de reforma.
5.1.12
Um dia quero ser velho e passar horas a ver as obras
Rasgo alucinado de
Mak, o Mau
at
6:33 PM
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2 Candidatos ao estatuto de pessoa intervieram:
Curto os velhos que gostam de olhar para as obras.
Lá no meu bairro há muitos ;)
Não te esqueças, onde há obras para velhinhos verem, há trolhas. E os trolhas gostam de olhar para mulheres que gostam de olhar para velhos que gostam de olhar para obras.
E isso às vezes não é bonito de se ver ;)
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