24.1.12

O problema da publicidade humana enganosa

Quem, como eu, lida de perto com a lógica “aspiracional” sabe que essa é uma ferramenta muito comum em publicidade. A tua cara metade “pode” ficar tal e qual um modelito de bom porte atlético usando este perfume. Não és um totó de meia idade a ficar ligeiramente careca com este pujante carro como teu bólide. Isto não é um telemóvel, é uma varinha de status social, que transforma em magia todas as tuas acções quotidianas. Quanto mais estranha for a substância que eu te referir, da baba de caracol ao extracto de borras de caju, melhor será o benefício que este produto oferece à tua pele, ao teu cabelo ou até mesmo às unhas dos pés.

O problema não está em ter aspirações, é não saber a partir de quando é que estas são ilusões ou, pior ainda, não ter noção da realidade e acreditar em soluções milagrosas.

E se dizer mal da publicidade, enquanto agente comercial que estimula necessidades que porventura não deviam existir nas pessoas, pode ser um consolo e uma justificação válida para alguns, não só não resolve o problema como é uma fraca desculpa.
Nos dias que correm, as pessoas deviam estar mais preocupadas com o facto delas próprias serem muitas vezes a pior publicidade que podiam fazer a elas próprias. E enquanto isso não houver consciência disso, não há maior exemplo de publicidade enganosa por detrás desse produto.

O resto, se tudo correr bem, virá por arrasto.

2 Candidatos ao estatuto de pessoa intervieram:

Key disse...

Como ex-publicitária que se cansou de tanto enganar ao ponto de se sentir ela própria enganada, e um engano, concordo em absoluto. Principalmente com a parte da publicidade humana enganosa. Há para aí tanto anúncio Channel do Martim Moniz...

Mak, o Mau disse...

Ao contrário da publicidade, nas relações entre pessoas não tem necessariamente de haver um propósito comercial que leva a embelezar a realidade.

Também é verdade que nem sempre temos a percepção exacta de nós próprios, da mesma forma que a nossa voz soa diferente quando a ouvimos em directo ou reproduzida.

Mas, eu diria que boa parte das pessoas prefere nem sequer questionar-se sobre si mesma. Se não se falar sobre isso, a coisa não existe é uma corrente de pensamento muito em voga...