9.1.12

Loiras ou morenas – uma questão de interpretação

Antes de aprofundar a questão, gostaria de citar o grande pensador contemporâneo português, João Simão:

Uma é loira e acontece
Entre nós amor, ternura
Tão loira que até parece
O sol da minha loucura

Mas a outra tão morena
É tal qual um homem quer
Porque embora mais pequena
Ela é muito mais mulher

No esforço contínuo de tornar os conteúdos que produzo cada vez mais aceitáveis num cabeleireiro em Massamá, estas considerações de João Simão são um bom ponto de partida. Para além do outro mito de que as loiras são burras (o que poderíamos então dizer do variado número de portuguesas que decide ser loira a partir dos 40 anos), não há muita forma de levar isto para além dos factores de predilecção física. E João Simão, por estranho que possa parecer, dá uma noção de saber do que fala.

Se combinarmos o cinema americano e a proporção mais reduzida da espécie em Portugal, o fascínio pelas loiras assume uma credibilidade mais sustentada, dada a sua tipologia mais rara e as implicações que isso causa no factor cobiça.

João Simão, sagaz na metáfora, assinala ali que “entre eles acontece amor e ternura”, quando mais provavelmente a coisa significa que há ali regabofe de três em pipa. Isso poderá capitalizar no aspecto da loira enquanto “bomba sexual”, ícone explorado em muitos imaginários, artes gráficas e portas de casa de banho públicas. No entanto, João Simão levanta a dúvida quando diz que o seu grau de “loireza” se assemelha ao sol e à sua loucura. Se coisas com o sol a mexer e loucura podiam levar a loira para próximo dos milagres de Fátima, tornando a relação meramente espiritual, por outro lado podemos ver uma loira de cabelo tão loiro que quase parece branco, o que tanto pode significar uma má sessão no cabeleireiro do bairro como abuso de substâncias por parte do interlocutor, que ao fim ao cabo pode estar apenas envolvido com um uma esfregona embebida em lixívia e ainda não se ter apercebido disso.

Deixemos a loira de molho e consideremos a avaliação das morenas, um produto bem nacional.

Sabemos que ela é tal e qual um homem quer, o que pode ser falacioso, porque nem todos os homens querem o mesmo (além do que estão a pensar) e às tantas alguns podem ver a morena como uma SportTv que tem um suporte para cervejas. No entanto, logo a seguir podemos ver que, segundo o princípio de João Simão, ela é muito mais mulher.
Quer-se dizer, achamos que podemos ver, já que também nos é dito que ela é mais pequena (do que a loira? do que João Simão? Do que a cintura média de um homem?). Ora isto tanto pode ser um truque matemático de João Simão que, perante uma anã trigueira calcula peso/altura e define uma mulher mais concentrada, uma espécie de engate Fairy, como o facto da loira ser estrangeira e não perceber o que João Simão quer, tornando a morena mais mulher, porque lhe grelha as febras no ponto exacto.

A verdade é que a dicotomia de João Simão nos confunde, como boa parte das mulheres sejam elas morenas ou loiras. Possivelmente este grande pensador, não querendo ser faccioso deixa a decisão nas mãos de cada um e o seu pensamento flutua qual microfone de mão para mão.

É por isso que eu gosto de ver em mim um pouco de filósofo. Mando cá para fora muita trampa e deixo que sejam os outros a preocupar-se em retirar daí significado.





PS - Estou também a ver pelo video que o menear de ancas de forma suspeita pode ter influência na credibilidade do filósofo.

3 comentários:

  1. Se não estou enganada há outro vulto da filosofia capilar envolvido neste hit: António Ferrão aka Toy. Penso ter sido ele o homem nos bastidores desta cantiga.

    ResponderEliminar

Se vais dizer alguma coisa, escreve, não fiques para aí a olhar.