12.1.12

Apelo emocional aos meus pés

Sei que provavelmente estão mais perto do que possa imaginar mas, nesta altura, só vos posso pedir uma coisa – voltem.

A nossa relação já é longa, bem mais longa do que as vossas unhas pois sempre cuidei delas com o mesmo cuidado com que podaria bonsais, caso vivesse em mim um pequeno jardineiro asiático. Todos os maus tratos que vos possa ter infligido tiveram uma boa razão, aquela história de que o desporto dá saúde. Tudo bem que juntos aprendemos que também dá entorses, alguns hematomas e de longe em longe até uma rotura de ligamentos, mas foi um sofrimento que nos ensinou que há que cair para nos sabermos levantar, ainda que a coxear e aos gritos.

Nunca vos faltei com peúgas lavadas e o ocasional creme sem nunca deixar a coisa resvalar para a bichanice. Não houve luxo, mas também não houve cotão entre os dedos.

Ontem foi um dia difícil, mas juro que foi trabalho. Não queria deixar-vos horas e horas expostos ao frio só com uns sapatitos numa rua sombria, de madrugada até ao fim do dia, mas tal foi necessário. Quando deixei de vos sentir a meio da manhã pensei que seria passageiro, mas já passou muito tempo e não é bonito passar parte da noite à vossa procura sem o conseguir.

Por isso voltem, peço-vos encarecidamente que o façam. Não posso prometer que não volta a acontecer, mas posso prometer que só vos continuo a presentear com meias brancas para fins desportivos e que aquela experiência com saltos altos foi só uma brincadeira…

4 comentários:

  1. Já deviam ter acordado... mas se calhar estavam a precisar de fazer uma cura de sono, coitados!!!

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  2. agulhas, meu caro. Agulhas...

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  3. Bem feita, eles não perdoam!

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  4. Eu volto. Podes ir descansado.

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