29.12.11

Mudanças para 2012: quero respirar mais


Estamos naquela semana do ano que vai dar a uma sessão de emborcanço de champanhe de qualidade duvidosa, às dúvidas no número de passas que já se comeu e que dá em acabar por desejar o fim do iPad em África e a levar fome lá para casa, entre outros cenários dantescos.

Mas, bonito bonito é o desfilar de resoluções confiadas a amigos, escritas por aí e além ou afixadas na cozinha ao lado da lista de compras que onde pensos higiénicos e brócolos convivem amigavelmente.

Vou deixar de fumar.
Vou deixar o Carlão.
Vou fumar o Carlão.
Vou até Fátima a pé.
Vou até casa da Fátima a pé, se ela deixar o Carlão.
Vou escrever um livro.
Vou fumar um livro.
Vou escrever um livro sobre a relação entre a Fátima e o Carlão.
Vou andar a pé.
Vou emagrecer para ver os pés.
Vou fazer com que me deixem de chamar Carlão.

Não julgo desejos, resoluções, decisões e determinações. Mas prefiro a versão faz primeiro, fala sobre isso depois. E a teoria de um dos gajos que mais respeito fala sobre isso mesmo.

28.12.11

Combinações a dois na era dos smartphones

Não recorrendo ao termo francês que significa um regabofe levado a cabo por três pessoas, já repararam que cada vez mais se vêem envolvidos em situações semelhantes mas em que os três intervenientes são vocês, outra pessoa e um smartphone?

É simples: eu e X encontramo-nos para matar saudades. X traz o seu telemóvel XPTO, que é igualzinho ao de Y. Eu não conheço Y, mas rapidamente X usa o telemóvel para me mostrar uma foto de Y.

Porreiro, mas ainda não me lembro de Y, nem sequer de Z e C, que aparecem na mesma foto, segundo me diz X, que foi em casa de W, de quem eu só conheço o pai, o Sr. W sénior. Estou a dizer isso mesmo a X, que já não me está a ouvir, porque está a tirar uma foto à vista do café onde estamos.

Segundo X, que está agora a postar a foto na rede social de sua escolha, é para R ver que não vai sempre aos mesmos sítios e já agora faz o meu tag à foto, para R poder dizer a G que também não anda sempre com as mesmas pessoas.

Passou-se meia hora e eu e X só conseguimos falar nos intervalos da acção com o telemóvel. No gozo, canto-lhe um pouco de “Ó tempo, volta para trás”. X ri-se e mostra-me um vídeo no telemóvel de um concerto a que foi do fadista L, que tem uma versão dessa música, mas com um remix do DJ K. Rio-me sem querer perguntar se o DJ K é na realidade o nome artístico do C, que acabou de comentar a foto do café com o meu tag que X colocou na rede, dizendo “Epá, manda um abraço a esse gajo”.

X entretando recebeu uma SMS de B que também viu a foto e diz que está na zona, para ver se X quer combinar alguma coisa depois do jantar. Parece que B também perguntou se eu sou o tipo que estava na festa de aniversário do T e que, se assim for, gostava muito de me conhecer. X ri-se e diz-me para eu não me meter nisso, apesar de eu nem saber no que estou metido.

Olhando para o relógio, X diz que temos de fazer isto mais vezes. (dá-me ideia que se divertiu mais do que eu, mas pronto ao menos que alguém goze)

Rio-me e digo que na próxima fico eu com o telemóvel. X ri-se para mim e diz-me “Por amor de Deus, é um favor que me fazes. Já não posso ver isto à frente, estão sempre no controlo”. Fico sem perceber se foi X ou o telemóvel que disse isto.

27.12.11

O síndrome do cu espetado ao balcão

Esqueçam o relembrar das inúmeras e belas prendas que receberam, incluindo aquela cujo primeiro pensamento que causou foi “Como me vou eu livrar desta trampa?” ou o recapitular das 38.219 iguarias que provaram em menos de 25 minutos, tudo porque são matreiros ao ponto de saberem que o cérebro demora meia hora a avisar o estômago que já está cheio.

Venho apenas aqui deixar duas linhas sobre um flagelo que há muito prolifera por entre a classe masculina portuguesa e que, apesar de ser imune, me deixa comovido – o síndrome do cu espetado ao balcão.

Dizem os livros da especialidade que o indivíduo que sofra disto, cada vez que vê uma mulher que considera interessante por detrás de um balcão sofre de uma gravosa tendência para se inclinar de cu espetado ao balcão, como prova do seu garbo e, possivelmente, de uma qualquer degeneração da coluna e do bom senso.

Quanto maior o interesse, maior a inclinação e por causa disso, hoje no banco o indivíduo à minha frente por momentos pareceu querer fazer do traseiro a máquina onde devia depositar o cheque. Felizmente o desinteresse e rapidez da funcionária ajudou a que a minha exposição a esse cenário fosse breve.

Atenção, o síndrome do cu espetado é próprio do género masculino, embora possa por vezes ser confundido com o “síndrome da prateleira no balcão”, em que uma jovem perante um tipo interessante por detrás de um balcão pode sentir espasmos na coluna que a levam a depositar o torso em cima do dito cujo, enquanto colocam em jogo atributos que possam avaliar o interesse.

Bem hajam a todos, mesmo aos cu-espetadistas que me lêem.

23.12.11

Não acreditar no Pai Natal não chega.

Não acredito em utopias de Natal feitas de flocos de neve, paz no mundo e de gente com acessos de amizade avulso e corações de manteiga com prazo de validade.

Não acredito em prendas embrulhadas em Euros, em tradições com buracos maiores que o bolo rei e no tem que ser só porque não há cabedal para tentar fazer de outra maneira.

Não acredito no “não é por mim, é pelas crianças”, em romarias de família que não vão a lado nenhum e na solidariedade de fachada.

Não acredito sequer em quem concorda comigo só porque é chique ser do contra, mas depois é incapaz de extrair algo de positivo da época. Bater no ceguinho é fácil.



No entanto, acredito.
Acredito que há já quem perceba que não é só por haver pouco dinheiro que o que não é material ganha importância.

Acredito que mesmo que não consigas estar com quem realmente queres, não vais deixar passar um ano para fazer isso acontecer.

Acredito que esta não basta aproveitar esta época para limpar a consciência e ser bondoso com os pobrezinhos e os desfavorecidos, porque em Janeiro muito possivelmente eles vão continuar a ser pobrezinhos e desfavorecidos. Ao contrário do futebol, a miséria não tem época.

Acredito que as maiores surpresas podem vir de pequenos gestos.

Acredito que pensamentos como estes não valem de nada para além da minha esfera pessoal e daqueles que nela gravitam. Mas, se por um segundo, fizer alguém pensar, acredito que vale a pena.







E agora vou esquecer isto tudo, correr para as compras, dar um par de meias a um sem abrigo e encomendar 28kgs de doces e merdas de Natal.

19.12.11

Balanços do ano é coisa de mariquinhas pé de salsa

Ai, não tens aparecido e agora queres fazer balanços no blog, é? Então e a lealdade com os seguidores, aquele suminho motivacional que fica bem e aquelas migalhas de criatividade que provam que, ao menos, te preocupas?

Lamento, eu sou mesmo assim e vir para aqui com rodriguinhos e salamaleques, para além da piada que tem usar esse tipo de expressões, daria a falsa noção que me preocupo.

No entanto, não pensem que passei boa parte do ano em estâncias balneares de luxo, comendo camarões com os pés, devido ao facto de ter os braços ocupados com cocktails de elevado teor alcoólico. Suei do bigode e, para o poder dizer em plena consciência, deixei-o crescer antes para o poder suar convenientemente.

Entre obras e mudanças para os meus novos domínios, muita escrita paralela, projectos, muitas andanças e aquela coisa fútil e super básica que é meter na cabeça que se vai correr uma maratona e depois acabar mesmo por corrê-la no dia 4 de Dezembro, ao ritmo de dois quenianos (ou melhor, somando o tempo dos dois), assim se passou um ano.

Espero que o vosso ano tenha sido preenchido, nem que seja a ver as unhas dos pés crescer e estou interessadíssimo em saber como correu tudo. Se conseguirem resumi-lo em vinte palavras ou menos, não hesitem em fazê-lo na caixa de comentários.

Caso contrário, vamos falando ou, no meu caso, vamos fazendo as figuras tristes do costume.