29.11.11

Eu, o Pai Natal e um painel solar

Existem muitos empregos sazonais e o Natal não é uma época que se isente disso. Embora tenha muito com que me entreter, deixo que os meus 2% de bondade venham ao de cima e na quadra natalícia, também me torno escriba de cartas ao Pai Natal.

Sinto que as capacidades que possa ter para escrever podem aumentar as probabilidades de pessoas que mal sabem ler e escrever, como por exemplo alguns estudantes universitários, e virem a receber as suas prendas. Vai daí, escrevo, argumento e faço floreados como se não houvesse amanhã, muitas sem garantias que o velho cegueta consiga ler o que quer que seja, já que nunca escreve de volta e procede apenas às entregas que acha justas.

Depois de muito escrever pelos outros, senti que estava na hora de escrever para mim. Como criança grande que sou, pensei em pedir um Gormitti do meu tamanho mas depois desisti, por me sentir intimidado por um boneco duvidoso com 1,85m. Vai daí, a voz ecológica que há na minha cabeça segredou-me “Pede um painel solar, jovem, que isso faz de ti moderno e amigo do ambiente, e sabes bem como te fazem falta amigos de jeito...”. Ainda estava a pensar nisso, quando a voz ecológica voltou à carga “Além disso, podes mandar vir um painel de uma empresa portuguesa, sei lá, um da Martifer Solar, que assim também ajudas a economia nacional”. Aí fiquei desconfiado que a sacana da voz tinha voltado a trabalhar à comissão, mas deixei passar.

Segui o seu conselho, fiz uso da minha mais fina verve e lá seguiu uma carta para o Pai Natal, que me pensei ir garantir o painel nas calmas. Meus amigos, ainda estamos em Novembro e o biltre barbudo já me respondeu e não como eu esperava.

“Caro Mak,

Há alegria e tristeza nas palavras que te escrevo. Sei bem, pela verborreia que aqui me tem chegado que há dedo teu na coisa. Sei também que o fazes com boas intenções e que era natural que um dia escrevesses em teu nome e tu assim o fizeste e logo com um pedido tão singularmente emotivo e respeitoso como um painel solar.

Mas, a crise também chegou à Lapónia e tenho ordens para só dar um presente de cada coisa, isto para não falar nos duendes que tive que dispensar para ficar com uma modelo laponesa para me ajudar....bem tu percebes.

E aí é o busílis da questão, que a Inga, a modelo laponesa, é friorenta, e pediu um painel solar aqui para a vivenda, que aquilo é uma maravilha para os banhos e não só. Como deves calcular, sinto-me dividido, mas uma Inga com mãos e pézinhos frios faz-me muita confusão. Por isso, não me leves a mal, que o painel fica por cá e aviso-te com tempo para tentares a tua sorte com os Reis Magos, que são três e peludos, pelo que não devem querer um painel solar para nada, que andam sempre em excursões e passeatas do Inatel.

Um abraço e depois mando-te umas bolachinhas de gengibre que a Inga faz,

P.Natal

PS – cuidado com os dentes, que a diferença entre gengibre e granito é pouca”

Moral da História – Se ao Pai Natal vais pedir um painel solar, pode ser que te lixes consoante a modelo com que ele andar.

18.11.11

Razão pela qual não tenho escrito aqui


Estou preso….












….a outras palavras

9.11.11

O fim segundo a greve



O fim que impus a este blog, está a provar que temos que ter muito cuidado quando se instituem parâmetros desta dimensão. Este fim, ao que parece, vem munido de espírito sindicalista reivindicativo e, como tal, aproveitou a maré e ontem meteu greve.

Ora eu não possuo ferramentas de pressão adequadas para lidar com este fim e com a sua atitude já que, sendo ele o que é, está-se bem a lixar se perde o emprego, não tendo sequer pequenos fins à espera em casa para sustentar. Para um fim, qualquer fim é bom, mesmo que não seja o seu.

Sendo assim decidi sair à rua, nem que fosse pela razão de que já o ia fazer de qualquer forma, e observar a população em dia de greve para providenciar um relato que sustente este espaço em dia de contestação social.

Circulando pelas ruas apercebi-me que há muita gente que, qual bebés, aprendem a dar os seus primeiros passos. Falta de hábito, falta de memória, falta de cálcio talvez, a verdade é que se nota que não estão habituados à circulação pedonal. E, em muitos casos, isso só seria encantador para os pais deles, se tivessem pachorra de estar ali a vê-los.

Fica-se também a saber quem são as pessoas mais pacientes da nossa sociedade. São aquelas que aguardam nas paragens, qual peregrino à espera de ver o Sol a girar. Se estiver de chuva, contentam-se em não ser encharcadas pelos carros que passam. Passam de pacientes a mártires se ao lado delas estiver um entusiasta da conversa de encher chouriços.

Descobre-se ainda que quem depende em demasia do carro, fica como toda a gente que depende demasiado do que quer que seja, quando a coisa não circula com a fluidez necessária – alterados. E alterados é uma metáfora para não dizer f#!!%!% da vida com o c”#%”#%”% do trânsito de m3#”$”% e a culpa é desses fi!”#$! D# P#$”$ que deixam isto chegar a esse ponto.

Podia dizer mais sobre a greve, mas tudo tem o seu fim, até a greve do meu fim, por isso vamos continuando a não continuar

4.11.11

O fim do homem das mudanças

Nasci em Lisboa, cresci em Lisboa, estudei em Lisboa e vivo em Lisboa. E se, para alguns, isso pode ser uma espécie de comodismo de menino da cidade, para mim isso é uma espécie de comodismo de menino de cidade.

No entanto, que não se entenda que à semelhança de gente que conduz carros como se de moto cultivadoras se tratassem, tenho algum problema com mudanças. Ao longo do meu percurso tenho sido adepto de mudanças aos mais diversos níveis, incluindo de roupa interior. Mas para mim, falar de mudanças não é uma coisa que se restrinja ao paleio do filósofo de trazer por casa, com muita emoção e sentimento à mistura. Falar de mudanças tem que passar necessariamente por falar nos homens das mudanças.

Gosto de pensar nessa malta como tipos que nos transportam a vida de um lado para o outro, estando-se completamente a cagar para o facto de ter sido naquele sofá que habitualmente nos deitávamos todos nus a ver televisão ou se naquela caixa estão os dois únicos livros que lemos a vida inteira. O que para nós tem um apego pessoal, para eles é um factor dentro de uma equação em que tempo e volumes = dinheiro.

E, se não fosse o facto de ter aqui uma pontada nas costas e mãos de pianista viril, gostaria de ser homem das mudanças durante algum tempo, para ter essa sensação de desapego e proximidade com a vida de alguém que, por motivo A ou B, está em mudanças. Seria interessante pensar, ao carregar um cão de loiça, na maneira como este afecta a vida de outra pessoa ao ponto de o estar a levar de um lado para o outro. E, se estivesse em dia não, deixá-lo cair para ver a reacção.

No entanto, quiseram os deuses que os comuns mortais fossem poupadas a ter um homem de mudanças como eu. Foi um fim prematuramente promissor para uma carreira que nunca o seria, até porque as pessoas quando pensam em homens de mudanças não querem propriamente seres pensantes que os questionem sobre aspectos da sua mudança. Preferem seres de braços firmes que carreguem os móveis suecos de durabilidade duvidosa com cuidadosa bravura e que possuam a profundidade intelectual do contraplacado.

Não indo por aí, tive de vir por aqui.