25.10.11

O fim (do ponto de vista de um armário)

Com o número de guarda-fatos, closets, armoires e baús pós-modernos que foram violados ontem, para lhes arrancarem de lá à bruta as roupinhas de Outono, que por lá se tinham escondido há muito e bom tempo, não sei até se não é caso para se chamar o CSI Trapos.

Dá-me ideia que este blog gostaria de acabar assim. Não violado que, para coisas à bruta, já lhe basta o que para cá é despejado. Assim com uma roupinha de Outono, bonita, moderna, um cabeçalho aconchegadinho, um texto mais quentinho e outras coisinhas fofinhas acabadas em inho.

24.10.11

O fim

Levantei-me tarde e já é tarde sempre quando me levanto, basta pensar no que já podia ter feito enquanto dormia. Não ouvi nada, exactamente como esperava ouvir, já que não faz nada sozinho se não for eu.

Não bati à porta, primeiro porque acho que ele é surdo, depois porque já nos conhecemos há tempo suficiente para dispensarmos formalidades.

Lá estava ele, parado, sem nada de novo para dizer e com cada vez menos gente disposto a ouvi-lo. Tal como nas últimas semanas, não deu por mim a entrar, até porque nas últimas semanas eu não tinha de facto entrado.

Ri-me em silêncio, tão cheio de pompa, de pseudo sagacidade e agora tinha mais mofo que uns bibelots de quinta categoria escondidos numa arrecadação à espera de um parente incauto no próximo Natal.

Estava na hora.

Agarrei-o de repente, não esboçou nenhuma reacção e em menos de dois segundos, já com a janela aberta atirei-o rumo ao vazio.

Passaram mais dois segundos e cheguei uma conclusão “Estúpido de merda, para acabares com o blog não precisavas de ter atirado com o computador janela fora”.

E corri pelas escadas abaixo, sabendo que só à conta da minha idiotice é que ele iria sobreviver.

O escroque do blog tinha vida própria e teimava em não morrer.






Durante as próximas semanas, Mak, o Mau irá imaginar a morte deste blog, suspeitando que este irá fazer o mesmo em relação a si. Com uma vantagem, Mak sabe onde fica o botão “delete” do blog.

13.10.11

As favelas do Brasil como nunca as viram

Para que este blog nunca caia no elevado patamar de risco do “interessante”, “inovador” ou até mesmo “relevante”, este tipo de conteúdos é presença obrigatória.

Agradeço a vossa compreensão, mas prefiro euros.

Alerta: Nenhuma manga cava foi magoada durante este magazine. O mesmo não se pode dizer da sensibilidade das pessoas que viram em directo o que se passou no calçadão…


11.10.11

Palavroso

É fácil descobrir imagens que valem mais que mil palavras.

Difícil é encontrar as que nos fazem ver para além do que é visível.

É fácil dizer que palavras, leva-as o vento.

Difícil é correr atrás dele só para ir buscar a única que faz sentido.


É fácil ficar farto de palavras.

Difícil é descobrir as que nos deixam com fome de mais.

É fácil ter uma palavra de honra.

Difícil é honrar as palavras que usamos.


É fácil dar uma palavrinha.

Difícil é oferecer a palavra certa quando é preciso.

É fácil voltar com a palavra atrás.

Difícil é correr atrás das palavras que atiramos.


É fácil falar sobre o dom da palavra.

Difícil é saber o que fazer com ele.

No fim, é fácil ficar sem palavras.

Basta usá-las à toa, como se apenas de palavras se tratassem.

10.10.11

Moda corrida de Lisboa

Com o fim da Moda Lisboa, acumulavam-se as vozes que diziam “Então e tu Mak, quando é que opinas sobre esse certame de glamour, couture e gente de penteado suspeito?”. E eu, que não gosto de desapontar as vozes dentro da minha cabeça, vou falar de um aspecto paralelo, mas que se relaciona com o lado mais fashion das minhas manhãs de domingo.

Os pormenores de moda em gente que corre e, sobre isso, serei rápido e sucinto.

Amigo com tendência para a obesidade – não invista no corta-vento e na roupa tipo expedição polar quando estão para cima de 20º e a expressão “suar que nem um porco” não é meramente decorativa. Perde no estilo e aumenta o risco de falha cardíaca e sobreaquecimento.

Amiga idosa mas ainda assim fã da sua bike tour – Os X Games juntam alguns dos maiores artistas na arte da bicicleta. No entanto, não há memória de participantes com tshirts dizendo “Tony Carreira Tour” e cujo maior truque é fazer curvas em ângulos de 90 graus tocando freneticamente na campainha.

Amiga de fartos seios e entusiasmo pelo sprint no calçadão – Não me surpreende que faça sucesso na praia em pose elegante junto à água, mantendo a maré cheia para deleite dos banhistas. Contudo, sem o auxílio do soutien desportivo adequado, o seu esforço poderá atemorizar (e até ferir) algumas crianças que correm desatentas junto a si.

Amigos fãs da Lycra em geral – Há um ponto em que os benefícios da Lycra não superam os malefícios visuais por ela causados. E a camada do ozono não é o único sítio passível de sofrer buracos.

Amigo que cospe para o chão – Nada tenho a apontar à sua indumentária mas, por uma questão de estilo, sugiro-lhe que seja mais trendy e comprima uma narina, fungando pela outra. A cuspidela tradicional is so last year.

8.10.11

Questão com barbas

Quando um tipo ainda na flor da sua idade adulta (tradução: mais dentes próprios do que placa) tem associado ao seu aspecto uma barba onde pululam as clareiras brancas, é um toque charmoso ou um toque chungoso?

Ou ambas?

PS – Isto é hereditário.

PSS – As brancas na barba, não a forma idiótica de descrever as coisas.

7.10.11

A febre das teses num país de tesos

Antes de entrar para a faculdade tinha a ideia que, completada a licenciatura, um mestrado seria uma opção bem válida para complementar a minha educação uma vez que tinha chumbado nos treinos de captação para as juventudes partidárias e, como tal, teria que fazer pela vida antes dos 36 anos.

Quatro anos mais tarde tinha já bem presente que esse caminho afinal não fazia sentido para mim. Não fazia sentido quer pelo rumo que pretendia para a minha “carreira”, quer pelo interesse que me suscitavam as opções disponíveis, que me pareceram sempre muito mais um desdobramento académico ou um complemento formal para pessoas integradas em empregos que por vezes nem tinham tanto que ver com a sua formação inicial e exigiam esse tipo de competências.

Além disso, o facto de o mercado de trabalho já não andar famoso, a par da escolha de cursos também não muito famosos e desempenho académico também ele longe do brilhantismo, tornavam o caminho de muitos licenciados uma rota óbvia de fuga para a frente do mestrado.

Mas se, na minha perspectiva, o número de pessoas que tiravam o mestrado como vantagem profissional era muito inferior aos que procuravam nele a salvação, será que alguns anos mais tarde, com o uso de palavras como “conjuntura”, “awareness” ou “valdevinos” a história é outra?

Creio que houve um claro avanço, mas este veio principalmente da parte de quem oferece os mestrados. O mercado de trabalho não melhorou, mas o posicionamento da oferta explora não só isso, como a crescente especialização do conhecimento. Tudo o que são “trends” e correntes empresariais / modelos de negócio modernos acaba por ter cá o mestrado correspondente. Tal como na moda, o ensino segue as novas tendências e quem não pode ir à alta costura, remedeia-se com a aproximação para encher o olho.

E a malta paga, em tempo e dinheiro, e paga bem por isso. Se compensa ou não, cada um pode dizer de si, mas dado o investimento, a tendência não será para admitir que “não me deu gozo nenhum, mas achei um mal necessário” ou “olha, não valeu de muito, mas deixa ver a longo prazo”. Quando chegamos à fase das teses, por entre dramas e horrores, é a queixa contínua dos professores que não acompanham convenientemente, do chapar de modelos formatados que deixam apenas para a conclusão a margem de manobra de exploração do tema da dita cuja. Quando há algo para concluir que não seja sacado de outro sítio qualquer.

Com a entrega vem o alívio da mente, que a carteira já foi aliviada previamente. Muitas vezes, perante a pergunta “Valeu a pena, ficaste contente?”, a resposta é “Está feito e pronto”.

E o conhecimento adquirido, muitas vezes em doses concentradas de pós-laborais e trabalhos de grupo sui generis, é secundarizado em termos de resultados práticos com que se medem muitas vezes as coisas “O que é que ganhaste com isso?”. Às vezes uma promoção, noutras umas bases para um projecto e em mais umas quantas um sorriso e um encolher de ombros.

É assim a febre do mestrado vista por quem tem a sorte de lhe ser imune. Não desvalorizo quem investe na sua educação, critico os formatos que exploram esta espécie de “fast food de saber” e a fome que tolda por vezes o raciocínio.

PS – Esta dissertação não merece nota.

4.10.11

Estou em lista de espera no Peso Pesado

É certo e sabido que tenho andado um pouco ausente deste espaço e embora saiba que vocês (vocês = 3 pessoas que ainda cá passam) me agradecem todos os segundos de pausa que faça, quero apenas dizer que tenho razões de peso para este afastamento.

Não são projectos e muito menos coisas triviais como vida pessoal que me deixam longe de um blog onde já aconteceram coisas tão marcantes como ........................................ (preencham vocês que eu agora não me ocorre nada).

É o treino para o Peso Pesado.

Antes de mais, que não se confunda treino com actividade física, porque isso é coisa que só fica bem quando o risco de dois ataques cardíacos, um ao bom senso e três AVC’s se tornar eminente. Treino, no meu patamar, é aviar dois leitões ao pequeno almoço, barradinhos com manteiga, batata frita e três baldes de gelado.

Doentio? Não, meus amigos, doentio é a produção não me dizer qual o peso mínimo para concorrer e dizer-me apenas “No mínimo, tem que andar perto do tipo do Preço Certo mas não pode ficar acima, senão rebenta”. E se isso já é difícil, saber que agora anda por lá a Babá Guigui com 30 olhares de carneiro mal morto diferentes e uns sorrisos de plástico importados de Taiwan, fica difícil um tipo aprimorar-se.

Depois, o questionário pessoal: Não está desempregado? Ahhhh, isso são menos trinta pontos no quoficiente de gordanização. É ao menos abusado de alguma forma no local de trabalho? Bem, houve alguém que me roubou um Capri Sonne, mas....

Por ter compreendido palavras como “léxico”, dizer “hás-de” e ter feito um “obséquio” perdi mais 30 pontos e nem sequer a bonificação de 20 por ter feito filmes a preto e branco comigo a comer uma lampreia de ovos em duas dentadas me safou. Quando, perante fotografias, disse que o treinador se depilava melhor que algumas das concorrentes, perdi 10 pontos e o facto de ter pais divorciados não serviu de nada quando disse que havia fortes suspeitas de que ambos, ainda assim, gostassem de mim.

A Babá foi simpática nas vezes que passou pelo estúdio de triagem e disse até “Gordos, o facto de eu não querer que me toquem sequer com o vosso olhar não quer dizer que não possamos ser amigos. Para isso chega perfeitamente o facto de não conhecerem a obra de L’Oreal, esse poço de cultura... ou isso é maquilhagem e o Lautreamont é que é cultura...ai a proximidade de gordos confunde-me sempre...”

Mas, como me disseram nos exames médicos, não são os níveis de colesterol, burgessenol, depressenol e exploratina de simplorionol que me estão a cortar o acesso ao programa. São as doses cavalares de ironia que tornam a minha presença um risco em tal formato.

Creio que vou no bom caminho, mas escrevo-vos com dez eclairs numa mão e um sorriso cremoso nos lábios. Mal posso esperar pelo dia em que, a troco de uns quilos, a minha dignidade vai emagrecer que nem gente grande neste formato brilhantemente adaptado.

3.10.11

Com uma perna de borrego numa mão e a consciência na outra

Teclo-vos com o nariz e amanhã partilho o que tenho andado a fazer com grande afinco. Agora vão para dentro, que fica mal estarem nus de portátil na varanda, só porque está calor.