29.9.11

Todo o mitra sonha com um iPhone

E se os mitras não conseguem chegar ao telemóvel, smartphone ou gadget do cocó pós-moderno, arranjam pelo menos maneira de se enfiar lá dentro.


26.9.11

A mim ninguém me dá lições de civismo

Até eu, que não sou um craque em matemática, sei que 7 em cada 4 pessoas que fazem este tipo de afirmações nunca recebeu lições de civismo porque acha que falar alto é sinal de educação e sapiência. E que civismo é uma coisa das obras.

23.9.11

É o fim da picada

Não sou grande apologista de rivalidades saloias entre Brasil e Portugal. E saloio é um conceito que não conhece pátria, segundo o meu dicionário. Creio que temos coisas diferentes que nunca serão iguais e factos e aproximações que o tempo nunca dissipará-

É nesses pequenos intervalos, perdidos no Atlântico que eu vou buscar algumas histórias que ilustram o meu imaginário luso-brasileiro.

Eu no Brasil, cena 1

Jovem brasileiro, em amena cavaqueira comigo, a dada altura depois de eu mencionar o Porto abre os olhos como se lhe tivesse ocorrido alguma coisa. “Você já foi no Porto?”, “Sim, é relativamente perto para os vossos padrões.”, “Então você conhece a família Cunha certo?”, “Ehrr…”

Eu no Brasil, cena 2

Conheci um velejador brasileiro numa das minhas passagens por lá. Descreveu-me que tinha vivido algum tempo em San Diego, nos EUA, onde trabalhava numa academia de vela e tinha a oportunidade de fazer aquilo que realmente gostava. No entanto, morria de saudades do Brasil e um dia decidiu voltar.

Resolvi citar sabedoria lusitana fora de contexto: “Pois é, não há bela sem senão”. Olhou-me com um sorriso saudoso “É isso aí, não há vela sem senão…”. Calei-me e olhei para o mar.

Cenas do Brasil, 3

Sobre isto, não faço comentários.



20.9.11

A causa dos mitras do Metro

Fazem-se muitas campanhas de cariz humanitário e social em que 1 Euro pode fazer a diferença, em que um pacote de arroz pode ajudar muita gente e que um click aqui, ali ou acolá pode contribuir de forma importante para melhora a vida de uma pessoa, de um animal ou de uma causa.

Já contribuí para muitas delas, de uma forma ou de outra e dispensando o rótulo do bom samaritano. É simplesmente a diferença entre poder ou não poder.

Quero no entanto apelar para uma causa diferente. Aquela que consiste em entalar mitras no metro, aqueles tipos/as que se colam a ti no acesso aos torniquetes, para passarem junto em estilo tango quando se vê a luzinha verde do teu passe acender. Por cada um que fica entalado, que olhas para trás e ele desiste, que há uma troca de palavras azedas e o artista se fica do lado de lá, confesso que fico satisfeito. Aliás, confesso até que no caso do entalanço nas portas, fico deveras satisfeito.

Por isso, por cada vez que tenham entalado um mitra no Metro e por cada vez que venham a entalar mais outro haverá uma criança que sorri. Eu.

19.9.11

A seca da auto-estrada

É bom apreciar as coisas boas da vida o que, no meu caso, não inclui longos passeios automóveis pelas auto-estradas do nosso Portugal. Sim, há o prazer da jornada, o desfrute da companhia, o amendoim esquecido que se encontra por debaixo dos tapetes do carro, mas tudo isso não invalida que para quem quer ir de A para B, o processo de transição às vezes aborrece.

Tratando-se de três horas para cada lado, tive a oportunidade de reparar uma vez mais nas maravilhosas indicações que temos por cima de pontes e viadutos, indicando-nos simpáticos cursos de água natural:

Ribeira dos Três em Pipa.

Regato das Berças de Fora.

Rio do Traga Bolas.

Até aí tudo bem, mas a verdade é que, em 92% dos casos não se vê sequer um fiozinho de água nos sítios indicados. Se é para dar tangas à malta, ou se são apenas memórias de outra época, ao menos que se seja criativo e se opte por coisas do género:

Sítio onde Afonso Henriques urinou na berma antes de aviar duas chapadas na mãe.

Vale simpático preferido por 83% das vacas que o frequentam.

Por baixo deste viaduto, o casal Simões viveu uma tórrida sessão de amor ardente. Em dias separados. E com pessoas diferentes.

Podia não ser verdade, mas pelo menos a imaginação trabalhava de outra maneira nas restantes horas de viagem que faltam.

18.9.11

O drama do fim de férias


É pensar que ninguém vai bater palmas quando aterrar amanhã no trabalho.

17.9.11

Não sei por onde ando...

Mas sei que já andei por aqui.



No entanto, espero ter conteúdos mais interessantes para partilhar convosco na próxima semana. Como uma receita de moussaka, por exemplo.

12.9.11

À bulha por causa do Sol

A tarde caía rapidamente, como se torna mais comum nas tardes de final de Setembro. O dia na praia tinha sido simplesmente fabuloso e quem lá tinha estado tinha saído com um sorriso nos lábios e a sensação de que o Verão não é quando o calendário diz, mas sim quando o sol, o vento e o mar querem.

No entanto, nem toda a gente tinha saído e três figuras pareciam não querer arredar pé sem levar consigo o último raio de sol. Cada uma delas se tentava posicionar o melhor possível de maneira a assegurar que aquele raio, que era de facto o último, não saía dali com outra pessoa. Mas, entre o velho, o surfista e a beldade não parecia haver ponta de acordo e quando se viu que a coisa não ia ser pacífica, cada um tentou expor os seus argumentos aos restantes. Começou o velho.

“Vocês são jovens, têm muitos dias perfeitos à frente e bem podiam esperar. Vem aí o Outono, o frio não é amigo dos velhos como eu e este raio de sol bem podia ser a companhia que já me vai faltando para dar calor ao coração. Além disso é certo e sabido que jovens educados como deve ser o vosso caso sabem honrar e dar lugar aos velhos. Portanto, se não se importam…”

Conforme deu um passo em frente para apanhar o último raio, o surfista bloqueou-lhe o caminho com a prancha.

“Calma avôzinho, percebo bem a sua onda, mas a coisa não ficou decidida. A idade não tem nada a ver com isto, este raio de sol devia ficar com quem tem uma ligação mais próxima ao mar, com quem fica cá a guardar isto mesmo nos dias em que ele aparece. É certo que o dia perfeito tem que ser sol, mas quem cá passa mais dias devia ser recompensado com a última lembrança de um dia assim…”

Antes que concluísse, a beldade riu-se com um riso que lhe ficava a matar, certamente escolhido para combinar consigo.

“Falam de idade, falam de dedicação, mas o facto é que qualquer um de vocês pode seguir caminho sem este raio e ficar exactamente na mesma. Já eu, que preciso do tom exacto de bronze, da quantidade precisa do reflexo da luz no meu rosto e de todo um conjunto de circunstâncias que vocês desconhecem para que os outros me vejam no esplendor da minha beleza, sem este raio de sol saio daqui mais pobre. E isso só por si…”

Esticou o braço para apanhar o raio, mas o velho logo lhe tocou no ombro, gesticulando e gritando. Passados mais dez minutos a discutir, deram finalmente pelo facto de que o raio de sol tinha desaparecido. Ainda tentaram culpar um miúdo que corria pelas dunas acima, mas rapidamente perceberam que a culpa era de outros. Foi o velho o primeiro a falar.

“Perdemos tanto tempo a discutir por causa do último raio de sol, que perdemos também a noção do que é realmente importante…”

O surfista acenou com a cabeça. “Exacto, já devíamos ter percebido que há outras coisas que merecem a nossa atenção…”

“…como saber de quem é o primeiro raio de luar” foi a beldade que completou a frase, antes de se lançarem numa nova e longa discussão.

Tudo é mais fácil, quando as prioridades ficam bem definidas e o bom senso tira férias.

5.9.11

Exploração de outros talentos


A escrita tem sido minha amiga ao longo do tempo. E, embora pretenda manter essa relação por muitos e bons anos, nos últimos dias tenho sido parco em palavras porque tenho andado a investir noutro talento.

Eu já sabia que era bom a meter água, mas agora dou outro brilho à coisa metendo-lhe areia.

1.9.11

Maus arranques

Às vezes um mau arranque não tem qualquer influência sobre o que se passa a seguir. Noutros casos, as coisas são mesmo assim.


Criatividade não qualificada

Muitas vezes me surge a questão: de onde vem a criatividade?

Para alguns é uma coisa que nasce connosco, que se pode desenvolver mais ou menos consoante as circunstâncias e o esforço da pessoa nesse sentido, mas que é algo que não se aprende. É algo que se exprime.

Existem por isso pessoas mais criativas, pessoas que não sendo tão criativas são capazes de se exprimir de forma criativa em determinadas circunstâncias, pessoas que não são criativas em 99% do tempo mas que, através de epifania, têm um acto criativo e os chamados cepos.

Mas isto é uma teoria, a outra diz que não há necessidade de ser criativo, quando se pode encomendar criatividade por tuta e meia do outro lado do mundo, graças à globalização.

Foi o que estes senhores tentataram fazer para o genérico do seu programa. E a coisa correu mal das duas vezes.