23.12.11

Não acreditar no Pai Natal não chega.

Não acredito em utopias de Natal feitas de flocos de neve, paz no mundo e de gente com acessos de amizade avulso e corações de manteiga com prazo de validade.

Não acredito em prendas embrulhadas em Euros, em tradições com buracos maiores que o bolo rei e no tem que ser só porque não há cabedal para tentar fazer de outra maneira.

Não acredito no “não é por mim, é pelas crianças”, em romarias de família que não vão a lado nenhum e na solidariedade de fachada.

Não acredito sequer em quem concorda comigo só porque é chique ser do contra, mas depois é incapaz de extrair algo de positivo da época. Bater no ceguinho é fácil.



No entanto, acredito.
Acredito que há já quem perceba que não é só por haver pouco dinheiro que o que não é material ganha importância.

Acredito que mesmo que não consigas estar com quem realmente queres, não vais deixar passar um ano para fazer isso acontecer.

Acredito que esta não basta aproveitar esta época para limpar a consciência e ser bondoso com os pobrezinhos e os desfavorecidos, porque em Janeiro muito possivelmente eles vão continuar a ser pobrezinhos e desfavorecidos. Ao contrário do futebol, a miséria não tem época.

Acredito que as maiores surpresas podem vir de pequenos gestos.

Acredito que pensamentos como estes não valem de nada para além da minha esfera pessoal e daqueles que nela gravitam. Mas, se por um segundo, fizer alguém pensar, acredito que vale a pena.







E agora vou esquecer isto tudo, correr para as compras, dar um par de meias a um sem abrigo e encomendar 28kgs de doces e merdas de Natal.

4 comentários:

  1. Foi o melhor post que li sobre a época.

    Um Bom Natal para ti... e também que mantenhas o resto do espírito o resto do ano.

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  2. Se és mesmo do contra, dá-lhe antes as meias na páscoa.
    That will teach them all!

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  3. se concordar com o que escreveste é ser do contra, então lamento informar que sou do contra.

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Se vais dizer alguma coisa, escreve, não fiques para aí a olhar.