28.12.11

Combinações a dois na era dos smartphones

Não recorrendo ao termo francês que significa um regabofe levado a cabo por três pessoas, já repararam que cada vez mais se vêem envolvidos em situações semelhantes mas em que os três intervenientes são vocês, outra pessoa e um smartphone?

É simples: eu e X encontramo-nos para matar saudades. X traz o seu telemóvel XPTO, que é igualzinho ao de Y. Eu não conheço Y, mas rapidamente X usa o telemóvel para me mostrar uma foto de Y.

Porreiro, mas ainda não me lembro de Y, nem sequer de Z e C, que aparecem na mesma foto, segundo me diz X, que foi em casa de W, de quem eu só conheço o pai, o Sr. W sénior. Estou a dizer isso mesmo a X, que já não me está a ouvir, porque está a tirar uma foto à vista do café onde estamos.

Segundo X, que está agora a postar a foto na rede social de sua escolha, é para R ver que não vai sempre aos mesmos sítios e já agora faz o meu tag à foto, para R poder dizer a G que também não anda sempre com as mesmas pessoas.

Passou-se meia hora e eu e X só conseguimos falar nos intervalos da acção com o telemóvel. No gozo, canto-lhe um pouco de “Ó tempo, volta para trás”. X ri-se e mostra-me um vídeo no telemóvel de um concerto a que foi do fadista L, que tem uma versão dessa música, mas com um remix do DJ K. Rio-me sem querer perguntar se o DJ K é na realidade o nome artístico do C, que acabou de comentar a foto do café com o meu tag que X colocou na rede, dizendo “Epá, manda um abraço a esse gajo”.

X entretando recebeu uma SMS de B que também viu a foto e diz que está na zona, para ver se X quer combinar alguma coisa depois do jantar. Parece que B também perguntou se eu sou o tipo que estava na festa de aniversário do T e que, se assim for, gostava muito de me conhecer. X ri-se e diz-me para eu não me meter nisso, apesar de eu nem saber no que estou metido.

Olhando para o relógio, X diz que temos de fazer isto mais vezes. (dá-me ideia que se divertiu mais do que eu, mas pronto ao menos que alguém goze)

Rio-me e digo que na próxima fico eu com o telemóvel. X ri-se para mim e diz-me “Por amor de Deus, é um favor que me fazes. Já não posso ver isto à frente, estão sempre no controlo”. Fico sem perceber se foi X ou o telemóvel que disse isto.

4 comentários:

  1. O problema é quando se acaba a bateria e tu relembras o quão aborrecido o X consegue ser quando toda a sua atenção está em ti.

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  2. Isso é menosprezar a minha capacidade de tornar interessante uma conversa sobre uma factura, digamos da Zon.


    Mas, isso também lembra a história daquele tipo a quem muita gente respeitava o parlapié enquanto foi gago mas que, quando se curou, toda a gente percebeu que mais do que sábio, era chato...

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  3. Nunca ninguém felizmente me contou *bocejo* essa história.

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