4.10.11

Estou em lista de espera no Peso Pesado

É certo e sabido que tenho andado um pouco ausente deste espaço e embora saiba que vocês (vocês = 3 pessoas que ainda cá passam) me agradecem todos os segundos de pausa que faça, quero apenas dizer que tenho razões de peso para este afastamento.

Não são projectos e muito menos coisas triviais como vida pessoal que me deixam longe de um blog onde já aconteceram coisas tão marcantes como ........................................ (preencham vocês que eu agora não me ocorre nada).

É o treino para o Peso Pesado.

Antes de mais, que não se confunda treino com actividade física, porque isso é coisa que só fica bem quando o risco de dois ataques cardíacos, um ao bom senso e três AVC’s se tornar eminente. Treino, no meu patamar, é aviar dois leitões ao pequeno almoço, barradinhos com manteiga, batata frita e três baldes de gelado.

Doentio? Não, meus amigos, doentio é a produção não me dizer qual o peso mínimo para concorrer e dizer-me apenas “No mínimo, tem que andar perto do tipo do Preço Certo mas não pode ficar acima, senão rebenta”. E se isso já é difícil, saber que agora anda por lá a Babá Guigui com 30 olhares de carneiro mal morto diferentes e uns sorrisos de plástico importados de Taiwan, fica difícil um tipo aprimorar-se.

Depois, o questionário pessoal: Não está desempregado? Ahhhh, isso são menos trinta pontos no quoficiente de gordanização. É ao menos abusado de alguma forma no local de trabalho? Bem, houve alguém que me roubou um Capri Sonne, mas....

Por ter compreendido palavras como “léxico”, dizer “hás-de” e ter feito um “obséquio” perdi mais 30 pontos e nem sequer a bonificação de 20 por ter feito filmes a preto e branco comigo a comer uma lampreia de ovos em duas dentadas me safou. Quando, perante fotografias, disse que o treinador se depilava melhor que algumas das concorrentes, perdi 10 pontos e o facto de ter pais divorciados não serviu de nada quando disse que havia fortes suspeitas de que ambos, ainda assim, gostassem de mim.

A Babá foi simpática nas vezes que passou pelo estúdio de triagem e disse até “Gordos, o facto de eu não querer que me toquem sequer com o vosso olhar não quer dizer que não possamos ser amigos. Para isso chega perfeitamente o facto de não conhecerem a obra de L’Oreal, esse poço de cultura... ou isso é maquilhagem e o Lautreamont é que é cultura...ai a proximidade de gordos confunde-me sempre...”

Mas, como me disseram nos exames médicos, não são os níveis de colesterol, burgessenol, depressenol e exploratina de simplorionol que me estão a cortar o acesso ao programa. São as doses cavalares de ironia que tornam a minha presença um risco em tal formato.

Creio que vou no bom caminho, mas escrevo-vos com dez eclairs numa mão e um sorriso cremoso nos lábios. Mal posso esperar pelo dia em que, a troco de uns quilos, a minha dignidade vai emagrecer que nem gente grande neste formato brilhantemente adaptado.

4 comentários:

  1. hahaha, é bem pensada essa

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  2. Agora que já me levantei do chão (depois de rebolar a rir) posso comentar! O ditado popular é “A estupidez não paga imposto”, mas em programas “género” peso pesado adaptemos para “A inteligência não dá audiências”...

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  3. Quem quer saber disso Mak? O pessoal quer é ver a professora com pouca roupa pá!

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  4. Quem te roubou o capri sonne foi teu amigo. Na melhor das hipóteses devias beber cola do pingo doce entre as refeições. O capri sonne não faz nada por ti.

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