19.9.11

A seca da auto-estrada

É bom apreciar as coisas boas da vida o que, no meu caso, não inclui longos passeios automóveis pelas auto-estradas do nosso Portugal. Sim, há o prazer da jornada, o desfrute da companhia, o amendoim esquecido que se encontra por debaixo dos tapetes do carro, mas tudo isso não invalida que para quem quer ir de A para B, o processo de transição às vezes aborrece.

Tratando-se de três horas para cada lado, tive a oportunidade de reparar uma vez mais nas maravilhosas indicações que temos por cima de pontes e viadutos, indicando-nos simpáticos cursos de água natural:

Ribeira dos Três em Pipa.

Regato das Berças de Fora.

Rio do Traga Bolas.

Até aí tudo bem, mas a verdade é que, em 92% dos casos não se vê sequer um fiozinho de água nos sítios indicados. Se é para dar tangas à malta, ou se são apenas memórias de outra época, ao menos que se seja criativo e se opte por coisas do género:

Sítio onde Afonso Henriques urinou na berma antes de aviar duas chapadas na mãe.

Vale simpático preferido por 83% das vacas que o frequentam.

Por baixo deste viaduto, o casal Simões viveu uma tórrida sessão de amor ardente. Em dias separados. E com pessoas diferentes.

Podia não ser verdade, mas pelo menos a imaginação trabalhava de outra maneira nas restantes horas de viagem que faltam.

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