23.9.11

É o fim da picada

Não sou grande apologista de rivalidades saloias entre Brasil e Portugal. E saloio é um conceito que não conhece pátria, segundo o meu dicionário. Creio que temos coisas diferentes que nunca serão iguais e factos e aproximações que o tempo nunca dissipará-

É nesses pequenos intervalos, perdidos no Atlântico que eu vou buscar algumas histórias que ilustram o meu imaginário luso-brasileiro.

Eu no Brasil, cena 1

Jovem brasileiro, em amena cavaqueira comigo, a dada altura depois de eu mencionar o Porto abre os olhos como se lhe tivesse ocorrido alguma coisa. “Você já foi no Porto?”, “Sim, é relativamente perto para os vossos padrões.”, “Então você conhece a família Cunha certo?”, “Ehrr…”

Eu no Brasil, cena 2

Conheci um velejador brasileiro numa das minhas passagens por lá. Descreveu-me que tinha vivido algum tempo em San Diego, nos EUA, onde trabalhava numa academia de vela e tinha a oportunidade de fazer aquilo que realmente gostava. No entanto, morria de saudades do Brasil e um dia decidiu voltar.

Resolvi citar sabedoria lusitana fora de contexto: “Pois é, não há bela sem senão”. Olhou-me com um sorriso saudoso “É isso aí, não há vela sem senão…”. Calei-me e olhei para o mar.

Cenas do Brasil, 3

Sobre isto, não faço comentários.



5 comentários:

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