1.8.11

Porque escreve o gajo que escreve

Muitas vezes perguntam ao gajo que escreve de onde lhe vem a vontade de escrever. E o gajo, que escreve com maior graciosidade do que aquela com que responde a perguntas sobre si, encolhe os ombros, não sabe.

Não sabe porque, ao gajo que escreve, as coisas não se lhe põem em termos de vontade. Escreve e ponto. E vírgula. E reticências...e todo um mundo que vive dentro dele sai cá para fora dessa forma, nem sempre como o gajo que escreve pensou que ia escrever, nem sempre como idealiza, mas sai. Porque há mais mundos na fila à sua espera e o gajo que escreve sabe disso.


Por exemplo, o gajo que escreve é frequentemente assaltado pela sua escrita. Vai a andar na rua e, de repente a escrita, com uma meia enfiada na cabeça e uma ponta e mola nas mãos, rouba-lhe os pensamentos e, quando dá por si, já estão no papel ou no word, se o gajo que escreve quiser ser mais moderno.


O gajo que escreve não escreve unicamente por razões profissionais, emocionais, comportamentais e outras que tais. Para ser franco, o gajo que escreve não escreve por razões, escreve por impulso e não é preciso que lhe ofereçam flores para o saber.

Mas, como acontece regularmente ao gajo que escreve, sempre que o faz esquece-se do tempo e do tempo que demora aos outros ler o que o gajo que escreve escreve. Por isso, promete sempre escrever menos da próxima vez que escrever mais, sabendo perfeitamente que um gajo que escreve não pode prometer muito sobre o escreve, mas pode escrever muito sobre o que promete.


E, como qualquer gajo que escreve, acaba sempre por escrever sem a certeza se o está a fazer só para si ou também para os outros. No entanto, esse é um assunto que não depende tanto do gajo que escreve, mas mais dos gajos que lêem e, nesse capítulo, são eles que decidem como acaba a história...

12 comentários:

  1. Escrever é isso mesmo...um impulso, normalmente na escrita expomos o que somos, abrimos a alma, e aliviamos o que sentimos e raramente escrevemos só para nós...
    Tão verdade!!!!!!:)

    ResponderEliminar
  2. Não vale a pena tentar forçar a imaginação, abrir o blogger e ficar a olhar... é pura perda de tempo. Não vai sair nada de jeito. Os bons textos surgem no dia a dia, entre uma garfada no almoço e uma secadela de cabelo.

    ResponderEliminar
  3. Ou até mesmo dando uma garfada no secador e almoçando cabelo....

    ResponderEliminar
  4. A gaja que escreve também escreve de acordo com o que escreve o gajo que escreveu este post do porque escreve o gajo que escreve. Esta só tem mais problemas é com as vírgulas...

    ResponderEliminar
  5. (...) um gajo que escreve não pode prometer muito sobre o escreve, mas pode escrever muito sobre o que promete.

    Faltou-te um "que" entre o "o" e o "escreve" :P
    Pensas que os leitores que leêm as coisas que gajo que escreve escreve, nao estao atentos? ;)

    ResponderEliminar
  6. o pessoal que se mete a escrever fica com manias. É uma doença do pior.

    ResponderEliminar
  7. Andas a dar nos riscos... andas, andas...

    ResponderEliminar
  8. O gajo que escreve entra em risco maniento a partir do momento em que fala de si na 3ª pessoa.
    Mas, o gajo que escreve não é perfeito, daí alterar textos que já estavam mais que bons, só para deixar aquela gralha que satisfaz o leitor mais atento.

    Sabe muito, esse tipo de gajos que escreve...

    ResponderEliminar
  9. Um gajo deve escrever como, quando e onde lhe apetecer! E este gajo (tu) parece escrever bem cumó caraças!

    ResponderEliminar
  10. Não há truque melhor para um desses gajos que escreve que é esse. Tem comentário garantido. Há gajos que escrevem que teimam em ser meio dissimulados, fazendo parecer que falam de um anónimo que deveríamos reconhecer.

    ResponderEliminar
  11. Prezado Prezado, esse teu comentário não tem nada que deva ser desprezado...

    ResponderEliminar
  12. O porquê nao sei. Nem me interessa. Mas ainda bem que há gente como tu a escrever. Previlégio Mak, é um previlégio.

    ResponderEliminar

Se vais dizer alguma coisa, escreve, não fiques para aí a olhar.