25.8.11

O posto fronteiriço da parvoíce

Rara é a fronteira em que um lado da fronteira não conhece o que está do outro. Não é esse o caso da parvoíce e quando aqui falo em parvoíce, não é daquela parvoíce mais parva típica dos parvos que não sabem ser outra coisa. O que esta fronteira divide é a terra dos que abraçam o que a parvoíce da boa pode trazer à sua vida, da terra dos que acham a parvoíce pura e simplesmente uma perca de tempo. Uma coisa parva, digamos.

E nas terras da parvoíce os que lá estão riem-se sem saberem bem porquê, simplesmente pelo gozo de o poderem fazer enquanto para lá da fronteira, há quem oiça o riso sem perceber onde está a piada. E se o comportamento dos não parvos pode dar vontade de rir aos que estão do outro lado, por não perceberem porque é que as coisas têm de ser sempre assim para os outros, os que vêem os parvos não percebem como é que eles podem ser assim e isso dá-lhes tudo menos vontade de rir.

Nunca há a certeza se a razão assiste a qualquer um dos lados da fronteira. Existe apenas a certeza que a razão não conhece fronteiras, por mais parvas que elas possam parecer.

De malas na mão, pouso-as para olhar para o meu passaporte. A fronteira já ficou lá atrás e eu, que investi na viagem sem saber bem onde vou, vejo nisso uma vontade de rir.


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