11.8.11

Neutral não é uma marca de supositórios

Existem muita teorias sobre neutralidade, mas tenho para mim que a minha é a mais interessante. A minha teoria divide em dois tipos, os chamados neutrais, segundo um criterioso método científico:

Tipo A – Os nhonhós do cocó – Nunca têm opinião, nunca têm preferência, nunca manifestam desacordo, evitam concordâncias evidentes, estão sempre com pézinhos de lã e por vezes é necessário pôr-lhes um espelho à frente para perceber se ainda respiram. Gostam muito da Suíça.

Tipo B – Kamikazes opinativos – São um espectáculo, apenas porque eu também sou assim às vezes. Não têm uma posição própria para poderem bater em todas as opiniões sobre qualquer assunto. Apartidários para malharem nos partidos todos, supra clubísticos para enfardarem na malta do futebol e por aí em diante. São uma espécie de Rambo, que não quer saber quem tem razão, quer apenas uma opinião à frente para lhe dar um enxerto à moda antiga. Não têm muitos amigos, porque ter amigos implica partilhar gostos e opiniões e isso estraga-lhes um bocado os treinos específicos. Se forem muito bons podem ser contratados para eventos e serões em família. Se forem muito maus, podem acabar como comentadores televisivos.

A verdade é que, ao contrário do Tipo A, que prefere tomar uma caixa de supositórios a ficar preso a uma opinão, o Tipo B tem opinião, mas é um bocado como os anarquistas cuja única regra é não ter regras, sendo que isso é uma regra que contraria a sua única regra. Mas, quem sou eu para opinar sobre isso.

3 comentários:

  1. Adorei. Chorei a rir. Completamente de acordo. Eu tenho um pouco do tipo B :)

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  2. Confesso que tenho a mania de ter sempre uma opinião sobre tudo. É doença. Mas não costumo incorrer em verborreia indesejada, não pode ser tudo mau.

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  3. Nada tenho contra quem tem opinião, antes pelo contrário. Por vezes acho é positivo deitar tudo abaixo, numa conversação para, a partir daí, construir algo de positivo.

    É que andam por aí muitos gigantes com pés de barro, cujas opiniões são pura verborreia, como referes e das quais felizmente não és sofredora. E para esses e para quem papagueia apenas o que lê no jornal ou ouve na TV eu guardo sempre o martelo pneumático opinativo.

    Ou o silêncio, quando nem sequer vale a pena entrar em campo...

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