4.8.11

Escrever com erros é como os fritos

Alerta: isto é uma opinião. E parece que é pessoal.

Alerta 2: Banhos de sangue fazem mal no Verão.

Quis o destino, com umas quantas cacetadas da minha parte, que trabalhe numa área sem certezas absolutas, em que andar para a frente é obrigatório, mas em que o erro também faz parte do processo, nem sempre na típica vertente de “Eishh és tão burro” ou ainda “Eishh, já fizeste merda, estás lixado”.

Onde estou ninguém me dá bónus pelo simples facto de errar, mas aprendi a perspectivar este aspecto sem cair no extremismo do só há preto e branco e não há nada entre isso.

O facto é que, em muitos sítios, oiço e leio a condenação gravosa do erro na área da escrita, em especial do ortográfico, como sendo quase um factor de exclusão “Epá, coitado, é muito boa pessoa, mas parece que descobriram que dá erros a escrever...”. E a mim melindram-me determinismos absolutos.

Antes de mais, esclareça-se: se a tua profissão é escrever ou boa parte dela passa pela escrita, a tua margem para errar reduz-se brutalmente. Os olhos sobre o que escreves serão muitos mais e terás que ser particularmente brilhante para te desculparem o erro e esforçar-te mais para os evitar. No entanto, perante um poema arrebatador, uma história que nos agarra, um relato que nos envolve e por aí em diante, menosprezar o valor do total pela mesquinhez do erro ocasional é não saber onde está o que realmente interessa.

Errar não implica complacência com o erro. Não há nada que custe mais a alguém que tenha verdadeiro gosto por escrever do que descobrir que erra, mas pior é pensar que se é imune ao erro ou que se está acima de quem erra só porque “se escreve” (bem ou mal, isso é relativo).

Já conheci gente brilhante em termos de escrita, mas que dava alguns erros. Tinham, no entanto, a humildade (ou, pelo menos, a preocupação) de até pedir a outros para reverem o que tinha escrito, essencialmente porque sabiam que aquilo que escreviam não era apenas deles. Conheci também quem escrevesse sem mácula do ponto de vista ortográfico, mas não fosse capaz de passar nada mais do que palavras aos outros.

Se saímos do campo profissional, a história do erro ortográfico ganha para mim outra perspectiva. Um bom músico que dê erros nas letras que escreve não passa a ser piroso, um grande mestre de xadrez que escreva “chadrez” não deixa de poder ser um indivíduo brilhante e se o Cristiano Ronaldo escreve como um calhau, isso não o torna pior jogador. Se escrevessem melhor não lhes ficaria mal, mas fico-me pelo reparo.

Sei bem que escrever é algo que se ensina na escola e o português (independentemente do acordo ortográfico) é algo que devemos prezar. Mas também a matemática nos acompanha ao longo da vida e vejo muito poucas pedras a serem atiradas a quem não sabe sequer o básico da tabuada.

É óbvio que se juntamos conteúdos pouco interessantes (ex: posts chatos e longos como este) a uma pipa de erros ou se caímos no erro de tentar brilhar em palcos a que estamos pouco habituados, nos sujeitamos. Mas, se a coisa é lúdica e/ou pública, depende do ego de cada um saber como aceita críticas e o mesmo se aplica à consciência de quem assume o papel de crítico.

Já no comum da vida, admita-se o erro de escrita como se admitem os fritos. Não fazem bem, é cortar nisso o mais que possível mas aqui e ali, se a coisa souber bem, não é preciso abrir os portões do Inferno por causa disso.

8 comentários:

  1. Sempre pensei que serrar é humano.

    Ou berrar.

    ResponderEliminar
  2. Quem és tu, indibíduo que postou coisa séria no blogue do Mak com um apontamento de banhos de sangue para disfarçar? A mim não me enganas, patife.

    ResponderEliminar
  3. Creio que foi o pilantra do Bom que me hackeou a conta. Mas o que me lixa mais, é que o tipo tem razão no que diz...

    ResponderEliminar
  4. Logo vi. Mas cautela: daqui à Edite Estrela é um passinho de pardal.

    ResponderEliminar
  5. A Edite Estrela e a pardais só há uma coisa que eu associo directamente em conjunto: pressão de ar.

    ResponderEliminar
  6. E tenho mais uma coisa a dizer:

    embbulanssa, cambra municipal, brilhantaines e metribinte (sendo que este último é mais complicado de se lá chegar)!

    V

    ResponderEliminar
  7. Ehpa, gostei deste post. Era longo e poderia ser chato, tens razão, também tenho a sensação que posts longos ninguém lê, mas este li todinho do princípio ao fim e gostei.

    ResponderEliminar

Se vais dizer alguma coisa, escreve, não fiques para aí a olhar.