10.8.11

É “Uma aventura” é, meus calões

Quando eu era miúdo lia os livros da colecção “Uma Aventura”. Já conhecia “Os cinco”, “Os sete” e outros derivados, mas é fácil gostarmos de algo que é feito em Portugal, com miúdos portugueses que vão a uma porrada de sítios e têm as aventuras que todos nós gostávamos de ter com essa idade.

Depois fui crescendo e, a dada altura, fui-me desinteressando um pouco da colecção. Ainda via “As aventuras” na prateleira das lojas, folheava uma ou outra, mas os nossos caminhos foram divergindo graças aos estudos, ao regabofe, ao típico “fazer porcaria” e a outro tipo de conteúdo literário, onde se incluíam até outros tipos de aventuras, protagonizadas por senhoras de pouca roupa em posições que exigiam muita ginástica.

Sempre soube que a colecção continuava e confesso que a dada altura comecei a ficar ligeiramente ressentido. Então eu, que tive de crescer, estudar e agora às vezes até tenho de fingir que trabalho não me posso dar ao luxo de viajar para destinos tipo Índia, Amazónia, Pólo Sul e o diabo a quatro e estes cinco pategos continuam por aí a laurear a pevide como se nada fosse?

Esta semana fui satisfazer a minha curiosidade mórbida e saber em que ponto estava a vidinha desta juventude. São quase 30 anos de aventuras, mais de 50 destinos e emprego, meios de subsistência e formação que se veja, nada. Os pais continuam a bancar, os madraços continuam a “estudar” e a coisa é tão boa que não se vê grande disposição para fazerem alguma coisa da vidinha.

É isto que queremos ensinar às crianças de hoje? Ah e tal, podes andar 30 anos a coçar a micose, que as coisas boas vão todas parar-te às mãozinhas? Se fingires que andas na escola podes andar mais tempo sem fazer nada de produtivo?

Não sei, só sei que o próximo título da colecção é “Uma aventura no sítio errado”. Cheira-me que é no mercado de trabalho...

8 comentários:

  1. Ainda me lembro das autoras fecharem a coleçao no número 25, facto que teve de ser rapidamente alterado, visto que se chegou ao volume 50. Terá a ver com o que dizes, a reclamaçao de uma boa vida por parte dos protagonistas?

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  2. Não sei a quantos "episódios" chegou a escrever Enid Blyton nos livros dos "The famous five" mas acredito que, nem ela nem as nossas escritoras Ana Maria Magalhães e a ex-ministra da educação Isabel Alçada, se acautelaram ou preocuparam em fazer crescer os protagonistas das deliciosas histórias de aventuras. Mas isso percebe-se porquê: não poderiam "Matar as suas galinhas dos ovos de ouro".
    Outro propósito teve J.K.Rowling quando idealizou a história que conta as aventuras do mais famoso aprendiz de feiticeiro a sete volumes. (and that's it!)

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  3. Ahah querias laurear a pevide, escolhias o curso e a profissão certos :-D

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  4. E escolhi ;) mas sou ligeiramente mais eficaz a disfarçar o parasitismo :D

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  5. hahaha, está boa esta, está sim senhor. Eu também já na altura me intrigava como é que eles pareciam que estavam eternamente no 7.º ano. Principalemente o Pedro,fazia confusão, ainda se fosse o Chico que era mais músculos e pouco cérebro, ou as gémeas, um pouco tontinhas...agora o Pedro?! O que vale é que havia outros mais giros, o triângulo jota, em que os miúdos não eram totós e até uma vez conheceram o michael jackson (naquela altura o maichael jackson era mutito fixe, nao me lixem)

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  6. e os cães...? o "grande" ainda vá que não vá, mas espero que a treta do caniche das gémeas tenha falecido com uma dolorosa displasia da anca.

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  7. Mas repara, eles estão sempre na mesma, mas são espertos e vão acompanhando a evolução tecnológica, nos primeiros livros havia telefones fixos, nos mais recentes já há telemóveis e internet.

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  8. Mas é claro que sim. Evoluem os esquemas e as benesses, os madraços é que fazer alguma coisa de útil nem vê-lo...

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