16.8.11

A cultura do “grande fim de semana”

Vivemos numa era da imagem e do imediato o que, só por si, comprova que não sou muito inteligente, pois insisto em lençóis de texto na net. No entanto, neste imediatismo de impacto qualquer cidadão que se preze tem de preparar, no domingo à noite, um report fantástico sobre o fim de semana de três dias que deverá ter gozado, se não quer ficar para trás no rating de coolness.

Ora eu, que nos últimos tempos não fui dotado de disponibilidade para regabofe de nomeada, sobra-me na arte do engodo eufemístico para criar uma espécie de realidade paralela. Mas, ao melhor estilo dos “making of” que estão tão na moda, eu vou dar-vos umas dicas sobre como fazer passar a imagem que, apesar não fazerem nada de especial, são pós-modernos quanto baste.

A realidade: Sexta à noite fui o último cliente a sair do Leroy Merlin.

O relato: Bem, na sexta que grande programa. Dei por mim num spot muito artesanal, aquilo estava de tal maneira que fui dos últimos a sair.

A realidade: Ainda não eram oito da manhã no sábado e já estava a correr 19kms Algés-Terreiro do Paço-Algés.

O relato: Sinto que as pessoas às vezes não têm contacto com a cidade que as envolve, nem sequer consigo mesmas. Por isso, às vezes gosto de deixar tudo para trás e ver o nascer do sol junto ao rio, enquanto procuro alcançar os meus pensamentos.

A realidade: Depois de dois dias a pintar uma casa inteira e ainda ter muito que fazer, dou por mim no feriado a almoçar no chão da sala e a conversar com um homem das obras.

O relato: Quantas vezes temos a oportunidade de irmos ter com pessoas com um trabalho real, no ambiente delas e sentir uma vivência tão diferente da nossa e com a qual podemos aprender? Não são tantas que não possamos dedicar um feriado a isso com um sorriso nos lábios e uma perna de frango nas mãos.

Isto são só exemplos, porque a vida é como é. Contudo, que seja a nossa imaginação (ou delírio) a ditar como ela parece ser.

7 comentários:

  1. Pois... por vezes as palavras podem ser falaciosas!! Ou então, mesmo que queiramos dourar mais ou menos a pílula, ainda corremos o risco de sermos mal interpretados.

    Apesar de eu continuar a achar que é a falar/escrever que a gente se entende, acho também que há imagens que valem por mil palavras.
    Neste sentido, eu tenho andado a última semana a fazer exactamente o contrário de ti... não investi em "lençóis de texto" mas antes procurei exprimir ideias e conceitos apenas por imagens (olha que também é muito difícil e tem-me ocupado algum tempo a fazer pesquisa).
    Do que estou a falar?
    Dá um salto lá ao meu estaminé para entenderes a que me refiro.

    Beijos :)

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  2. O relato: Pá, este blogger é atlético, não se importa de sujar as mãos para deixar um trabalho bem feito e ainda arranja tempo para umas comprinhas, porque sentido de estética é coisa que não lhe falta.

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  3. Wiwia, comer frango com as mãos (mesmo uma perna) não é nada estético e está completamente "out of the trend" no que a "outfits" diz respeito. Aliás, este blog e o seu autor inserem-se totalmente nessa categoria "out".

    E ainda bem, digo eu ;)

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  4. Agradeço a todos as referências, mas há uma frase que me cumpre destacar: "Este blogger é atlético".

    O blogger em causa poderia retorquir com uma piada futebolística rebuscadíssima do género "Sim, um pouco mas também é belenenses, pelo que para a semana ficará de coração dividido".

    Mas, por uma vez, o blogger em causa assobiará para o lado.

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  5. Tens razão, Jibóia. Comer frango mesmo com uma perna é... super atlético. :)

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  6. E atleticamente falando, claro, lavaste as mãozinhas antes de pegar na perna do frango com as ditas? LOL

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  7. Não fujamos do fulcral da história, porque água é vida mas aqui não é protagonista...

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