24.7.11

A universidade da opinião vs A universalidade da opinião

Passando à frente de bonitos floreados verbais que acabam em “cada um tem a sua”, “cada um usa a sua como quer” ou “todos têm uma”, no que às trocas de opinião diz respeito a minha qualidade de esgrimista retórico leva-me a ter três regras básicas para entrar em qualquer tipo de contenda do género:

Nunca discuto com mega entendidos em música, gurus da política, mestres do assunto sentimental, fanáticos da bola e por aí em diante, sobre assuntos que tenham que ver com a área da sua teórica sapiência. Poupa-se tempo e paciência, pois raramente uma troca de opiniões com alguém que se julga num plano superior ao nosso resulta em mais do que lições de um lado e bocejos do outro. No entanto, cruzar áreas e, por exemplo, discutir assuntos sentimentais com fanáticos da bola pode levar a um universo metafórico muito interessante.

Utilizo o sarcasmo, a ironia, o toque acutilantemente viperino e ainda assim elegante, o gracejo de circunstância, o aparte amenizador com a devida ponderação, em função do grau a que quero que me levem a sério. O que, para quem tem pequenos palhaços a viver dentro de si, pode parecer difícil mas é essencial para que as pessoas se dignem a debater connosco o que quer que seja e levar-nos (ou não) a sério. A linha de fronteira é tenue, mas audazes e bem sucedidos são os que caminham sobre ela com destreza. (não sei o que isto quer dizer, mas aposto que se metesse aqui à frente o nome de um sábio chinês fazia logo sentido).

Finalmente, não prolongo trocas de opiniões com pessoas que usam o tom de voz como barítono da sua razão. Gente que eleva a voz e fala alto para passar certeza e sapiência nas suas palavras, têm para mim uma semelhança evidente com um cãozinho que levanta a pata e mija numa parede. Sei perfeitamente o que é o entusiasmo e o calor numa troca de opiniões, mas sei também o que é a histeria latente de quem se preocupa a dar mais força à sua voz do que aos seus argumentos e grita para tentar vencer a própria surdez. Já terminei debates com pessoas assim, simulando ter um comando na mão e estar a baixar o som, dizendo “Está avariado, o som não baixa”.

O argumento foi parvo, a reacção foi engraçada e o debate acabou ali.

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