11.7.11

Quando um urso se pica a roubar mel, a culpa é das abelhas

Depois dos últimos dias, já sei tudo sobre ratings e inclusive já dei ratings de lixo a alguns parentes meus. Mas pronto, no caso deles não foi especulação, é a pura das verdades.

O que eu gosto, no meio destas confusões é que, 75% pressão social, um gajo que dois dias antes se estava a cagar para agências internacionais de cotação e o seu parlapié técnico, hoje corre a encher um caixote de lixo para enviar para os States e junta-se a causas para mandar empresas à merda. O efeito arrastamento é uma coisa muito bonita e a culpa exterior não só é bonita como é podre de boa.

No meio do excerto do José Gomes Ferreira, que é de facto um gajo que sabe explicar as coisas como elas são, quase ninguém liga à parte em que ele diz: “Todos nós somos culpados”.

Os especuladores são umas bestas, os Governos uma corja de oportunistas e há jogos de interesses para lixar os mais pequenos a cada esquina. Mas isso não é de agora e nós estamos longe de ser anjinhos inocentes.

Seja porque acreditámos cegamente, seja por nos termos esquecido todas as facilidades têm uma factura ou o diabo a quatro, um dos nossos maiores problemas é que, enquanto país, somos a metáfora viva do provérbio “casa roubada, trancas à porta”.

Mas, infelizmente, muitas vezes a nossa versão é mais “casa roubada ontem, trancas à porta, mas só nas próximas duas semanas”. Revoltamo-nos com razão, manifestamo-nos com propriedade, mas é só naquela altura, depois começa o campeonato, já não dá jeito e afinal o que era essa história do rating?

O estado do país dá uma óptima conversa de café, saber de Moody’s e Fitch dá jeito para aqueles dez minutos antes do jantar ser servido, é porreiro pertencer a grupos de protesto no Facebook e “vamos brincar à troika?” ainda não é coisa de conversa de engate, mas já faltou mais.

Seja como for, a culpa não é nossa. Nós só damos de comer ao papão que vive debaixo da nossa cama.

1 comentário:

  1. Faço minhas as suas palavras.
    Ser alemão é uma trabalhêra...!

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