21.7.11

Petição para a proibição de mulheres italianas em paragens de autocarro nacionais.

Não sendo propriamente um gigantone, a minha altura deve, no entanto, servir como farol de referência para estrangeiros que visitam Lisboa. Não é rara a vez em que me detenha em zona turística ou, pelo menos, central sem que não seja abordado para me pedirem indicações.

Ora eu tenho um problema (para além dos outros que vocês já detectaram por aqui) e que passa pela combinação entre ser um jovem solícito e prestável e conhecer bastante bem a cidade e a rede de transportes. Não sendo esse o problema, este surge da minha incapacidade de dizer “Não sei” ao turista que me pergunta onde é X ou Y, mesmo quando efectivamente não faço puto de ideia do que ele está a falar.

Como tal, quando desconheço o destino concreto ou o transporte exacto não deixo de aconselhar irem por ali ou passarem por acolá. Na maior parte dos casos, tenho a noção de que pelo menos os deixei na direcção correcta, nos outros seria preciso muito azar para os voltar a ver e me dar ao trabalho de me sentir envergonhado pelas indicações de trampa.

Contudo, não foi isso que se passou neste caso em que, estando eu já ligeiramente atrasado, resolvo apanhar um autocarro para o meu destino. Espero uns minutos, naquela paragem só parava um que me servia e eis que me aparece uma turista italiana, com pinta daquelas que são escolhidas para apresentar programas na RAI.

Dirige-se a mim, quase que sou acotovelado por um cidadão sénior que me tenta desviar do caminho a ver se ela altera a rota mas ela, simpatiquíssima, num italiano meio inglês, meio espanhol, diz que já tinho ido ali e vindo de acolá e agora queria “Campo Pequeno, per favore”. Com igual simpatia, falo-lhe da Praça de Touros e na possiblidade de a seguir ir ao Parque Eduardo VII e que de facto está com sorte, visto que o autocarro que lá passa está a chegar.

Grazie mille, és o maior, entra, acena, manda um ciao e uma beijoca e lá fico eu na paragem a acenar e a ver o autocarro ir embora. Autocarro esse que também era o único que me servia, coisa que só me acorreu quando a sensação de bom samaritano passou e se instalou a ligeira noção que um gajo às vezes pode ser um bocado patego.

15 comentários:

  1. foste um bocado otário, sim.
    Digo-o de uma forma simpática pq sou gaja. Os homens estão mudos de espanto...

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  2. Sou mais condescendente comigo mesmo porque não me roubou a carteira, foi só um momento de abstracção...

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  3. Tb há algo de abstrato nessas tuas palavras :)

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  4. Há mtas formas de "roubar" carteiras sem lhes tocar. Eu conheço várias :)

    ...mas assino a petição. Detesto concorrência.

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  5. Abstracto é quase elogioso no meu caso :)

    Jibóia - É a tal teoria da relatividade...

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  6. Ainda que te roubasse a carteira, parece-me que não ias dar conta :)

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  7. A carteira está junta com o passe num fio à volta do pescoço, para evitar males maiores...

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  8. Ui! temos aqui um homem previdente!

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  9. iiiii mak, foi por isso que ela fugiu de ti, lamento!

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  10. vá, adiciona-me ;)F

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  11. com todo o respeito, concordo com o primeiro comentário :p

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  12. Mak és o máximo :D

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  13. A vida é feita de concordâncias e discordâncias. Dá-se que estou bastante de acordo com o último comentário, pelo menos em termos de modéstia.

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  14. ehehhehe modesto!

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