18.7.11

A low cost das viagens no tempo

Toda a gente sabe que viagens no tempo é coisa de ficção científica, pelo menos na versão, “Ah, vamos só enfiar aqui um fatinho de lycra especial, entrar numa máquina, voltar a 1977 e perceber se afinal o Elvis morreu mesmo ou não”. Mas, no entanto, no nosso dia-a-dia a maior parte de nós tem ao seu dispor a versão low cost da viagem no tempo: a memória pessoal.

Seja ela espontânea ou auxiliada (uma foto, uma pessoa que se encontra, um filho que até ao momento desconhecíamos), a viagem no tempo via memória por norma está disponível nas versões básicas: conforto (uma pessoa sabe ao que vai), aventura (não te lembras bem, vais te lembrando aos poucos, sem noção exacta do que a memória te reservou) ou surpresa (não fazes a mínima ideia onde foste parar até começares a escavar).

Os mais snobes, a este nível, poderão queixar-se da impossibilidade, via memória, de viajar no tempo para além da vivência pessoal. Mas, num mercado concorrencial, é preciso ver que essa opção está disponível através do sector de sonhos e fantasias e misturar estes universos só contribui para sairmos do universo da balela escrita para o da insanidade comprovada.

Já a impossibilidade de mudar o passado é, para mim, uma vantagem da low cost das viagens no tempo. É certo que não nos orgulhamos de alguns penteados e aquela vez em que apedrejámos o nosso melhor amigo continuar a manter um misto de diversão e vergonha. No entanto, são experiências assim que redobram o gozo deste tipo de viagens, para além das óbvias memórias de fins de tarde à beira mar e a aquela história do primeiro beijo (ou mini-mercado) roubado.

E caso algo corra mal, como sempre no caso das low costs, a culpa não é da memória mas sim da bagagem dos utentes, que nem sempre chega lá nas condições devidas.

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