4.7.11

Jogar matraquilhos com filósofos

Muita gente não gosta de filosofia, mas poucos são os que não gostam de filosofar.

O problema talvez tenha que ver com o facto da filosofia cheirar a escola e a trabalho, com gajos de robe e teorias mofosas, livros com muito texto, pouco romance e bonecos. Isto para não falar nos poucos cuidados com a higiene pessoal, associados a pessoas que passam demasiado tempo a pensar.

Por outro lado, filosofar é fácil e dá a sensação que temos um entendimento profundo da vida. Filosofar é cool (vide Carpe Diem), filosofar é pragmaticamente oportuno (vide Nunca deixes de ser quem és) e filosofar, é acima de tudo, de borla (vide copy paste: I would rather be alone, than pretend i feel alright - pling, de repente uma letra de música transforma-se num statement de vida). E já se sabe como as pessoas são em relação a uma boa borla.

Sendo possível, avance-se com uma solução de compromisso: vamos levar a filosofia ao povo, mas o povo promete que se porta bem e, se tiver que filosofar na porta do WC público, tenta no mínimo ser original.

É que, quando bem aplicada, a filosofia é algo que dá sempre jeito ter à mão, um pouco como aquela bolsinha minúscula que as senhoras levam ocasionalmente para a casa de banho. Uma espécie de pochette virtual de conhecimento ocasional para utilizar em doses moderadas.

Porquê apenas em doses moderadas e não à bruta, como se se tratasse da travessa do croquete, numa qualquer iniciativa com buffet livre?

Porque filosofar à bruta faz de ti uma espécie de jambé, ou seja, fazes barulho, dás nas vistas, há uma ou duas pessoas que não te largam, mas na realidade és oco, metade das pessoas que realmente interessam não te ligam e a outra metade nem sequer te pode ouvir. Na pior das hipóteses, acabas na bagageira de um carro e ninguém ouve falar de ti até ao próximo Verão.

Eu sei, é confuso isto da filosofia e do filosofar não serem uma e a mesma coisa mas, na vida as coisas são assim, é como a Jamaica também poder ser no Cais do Sodré. Deixo-te com uma dica: tenta ver as situações como se fossem uma partida de matraquilhos com filósofos - por cada filósofo que é da tua equipa e te pode ajudar a ficar bem visto, existem dois do outro lado que te vão lixar a vida. Há que escolher bem as oportunidades e as companhias.

E mesmo que estejas a olhar para o abismo e o abismo olhe para ti, não valem roletas com o guarda-redes.

1 comentário:

  1. Eu gosto do Jamaica no Cais do Sodré... Também gosto de Filosofia! Logo, eu gosto deste post :)

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