6.7.11

Ditadores muita malaicos

“Malaico” é uma expressão que me apraz utilizar, nem que seja pelo simples facto de já estar a modos que fossilizada. Desconhecendo se a sua origem vem dos tempos em que a Malásia era o expoente máximo do regabofe mundial, um tipo que, aqui há uns anos, fosse “um granda malaico” era muito possivelmente divertido, inusitado, com uma pitada de loucura e irreverência.

Hoje em dia, os “malaicos” são desconhecidos do grande público. Já o caminho inverso segue o Facebook, expoente máximo do coolness actual, onde há sempre espaço para mais uma inovação, mais um like, mais um amigo que se descobre, mais uma foto que se tagga, mais um chat que entretém e....isto.


Eu sei que isto é só um link patrocinado de uma aplicação mas, mais do que o tema, é impressionante a estupidez. Portanto, depois das aplicações em que me quiseram atrair com cenas tão interessantes como “A que idade vais morrer de tédio?”, “Descobre que supermodelo é compatível contigo” ou “Quantas garrafas de vinho precisas para desmaiar?”, agora procuram o ditador que há em mim.

Mas espera, apesar do atraente retrato de Hitler, as características são nhonhinhas o suficiente para tentar que as pessoas não fiquem chateadas e, de repente, ser ditador é ser poupado, organizado ou lutador.

Alto lá meus bichanos, se eu quiser descobrir que tipo de ditador sou, não é com esses traços pseudo-positivos que me agarram porque, bem vistas as coisas, desse prisma até a minha mãe é ditadora (e o facto de ainda hoje escolher a roupa que eu uso não é desculpa). Por isso ou me arranjam uma aplicação em que eu descubra se sou mesmo “um gajo à maneira para exterminar grupos étnicos”, “o tipo certo para reprimir populações à bruta” ou que “a minha sede poder só tem paralelo no gosto por ouvir ossinhos a partir” ou então não brinco.

Entretanto, vão lá pensar mais um bocadinho e não me venham lixar o juízo com merdas que, para além de tempo, me fazem perder a paciência. E, para isso, já me basta estar a rever em loop a “Lambada” dos Kaoma.

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