22.7.11

A ciência de jogar raquetas na praia.

Lembrava-se ao pormenor do seu sonho do ténis, talvez também porque o tinha sonhado tantas vezes acordado. O barulho da multidão, o sol tímido que se espalhava pelas bancadas repletas de Wimbledon. O ponto decisivo que, sozinho, silenciava tudo de um momento para o outro e deixava milhares de rostos focado neles na antecipação do que se iria passar.

Bateu a bola no chão, uma, duas, três vezes e preparou-se para servir. A bola que subiu tinha lá dentro tudo aquilo que ele deixara para trás para chegar ali e, no milésimo de segundo em que olhou para ela lá no alto, concentraram-se anos de treino, horas de glória, momentos de tristeza e decisões que não se repetiam.

Com a rapidez de um disparo de bala, lá vai a bola, projectada com toda a força rumo ao futuro e ao ponto decisivo.

O cheiro da relva não era novidade, havia até quem já não desse por ele, mas não deixava sempre de o seduzir. Mas, o facto é que nunca pensava nisso durante os pontos, pensava unicamente no jogo, por isso naquele dia havia algo de diferente.

Meio segundo de distracção, foi só o que foi preciso. Quando se apercebeu, já a bola estava do seu lado, colocada em jeito de amortie. Lançou-se em corrida, vendo-a bater suavemente na relva junto à rede. Mergulhou, de braços esticados, e fez o último esforço para a conseguir devolver a tempo.

Sentiu o impacto do seu corpo no solo e a relva junto ao seu rosto e foi aí que a gaivota....

A gaivota?

Sentiu areia na boca e uma onde veio bater-lhe suavemente nos pés.

Suspirou.

Wimbledon voltou a ser o Costa da Caparica.

A bola voltou a ser cor de rosa choque e a raquete de madeira.

Sacudindo a areia, sorriu e disse “É na próxima que chegamos aos 400”.

Pensou no cheiro a relva e bateu a bola. Afinal de contas, ainda tinha tudo para ser um dos melhores do mundo a jogar raquetas na praia.

3 comentários:

  1. loooool. Definitivamente...sol a mais:)

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  2. Vi o título e fui logo ler... afinal é o meu desporto de estimaçao no Verão. Horas a fio.
    Não curto ténis nem a tiro. Nunca tive interesse, basicamente.
    Mas gostei muito do post. Como se estivesse lá. Parece tirado de um livro!
    Ou foi do sol, como diz a Isis :)

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  3. eu sou diferente! dou um tiro a quem me pede para jogar raquetes dassssssssss

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