15.7.11

Chamem-me turista à paisana ou chamem-me parvo

Há quem se queixe de que nunca vai a lado nenhum, eu queixo-me de o lado nenhum nunca vem ter comigo. Tirando o facto óbvio que este tipo de frases faz de mim um bocado parvo, há uma lógica nesta afirmação.

Apesar de já ter viajado por alguns lugares exóticos não começados pela palavra Brandoa, de quando em vez, gosto de ser turista na minha própria cidade, Lisboa. Não quer isto dizer que isso implique andar por aí com uma meia marota debaixo da sandália matreira ou ser gamado no eléctrico 28, mas sim beneficiar do que um turista beneficia, tirando de cima aquela capa de normalidade que tende a fazer parte da rotina do quotidiano.

Pelo menos 2 dias por ano Mak, o local dá lugar a Mak, o turista. Não se trata apenas da ida ao museu ou ir ao jardim, trata-se do tratamento completo que inclui ficar alojado fora de casa sem ser no esquema regabofe-moteliano ou “vá para fora cá dentro da casa do amigo/familiar que o acolheu bêbado”.

Nesses dias, sem também cair no exagero do Sheraton, Mak consulta sites estrangeiros que falam sobre Lisboa, fala de si na terceira pessoa e descobre muitas vezes coisas que gente que vive a vida inteira na cidade nem desconfia. Ainda há menos de uma semana, quando comemorei parte da efeméride “Mak turista na sua própria terra” ouvi de um recepcionista espantado – “Caramba, é a primeira vez que por cá me aparece um português de férias, ainda por cima de Lisboa”. Fiquei na dúvida sobre a qualidade do “ainda por cima”. Mas, entrar num autocarro sem grande preocupação onde vais sair (evitando no entanto destinos como “Galinheiras” ou “Musgueira”), descobrindo que há museus que servem refeições em esplanadas voltadas para o rio e por aí em diante.

Em tempos de crise pode não ser fácil, mas recomendo vivamente, nem que seja pela fuga da rotina e pelas novas perspectivas a ver as mesmas coisas de sempre. Se as pessoas são capazes de fazer isso na Internet, com personagens bloguísticas de nível duvidoso, não custa nada fazê-lo na rua.

E, quando acabarem, tiram a fatiota de turista e, mal acordam no dia seguinte, podem começar a dizer mal daquilo que no dia anterior nem deram por isso.


Ah e se não me quiserem chamar parvo, chamem-me Arlindo. Não é bonito, mas acaba bem.

7 comentários:

  1. Ora aí está um exercício muito interessante. vestir a pele de turista na sua própria cidade...
    Mas afinal, de um modo menos espalhafatoso, acaba por ser o que toda a gente faz nos famosos passeios domingueiros.
    A diferença é que fizeste-o à séria, com estada no hotel e tudo.

    É curioso que ainda há umas semanas atrás, na perspectiva de trazer uma pessoa amiga à minha cidade, eu pensava: se vou fazer de cicerone, o que é que eu lhe vou mostrar? E fiquei aflita porque não sei olhar para a minha cidade com olhos de turista!

    Obrigada Arlindo! (hehehehe)
    :)

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  2. Ai Arlindo, leva-me a conhecer as tascas nas ruelas onde te passeias. Levas? Sim?
    AhAHHAhaaa. Olhe, beijos

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  3. @ Orquídea - Se bem que o passeio domingueiro também seja proveitoso, não é bem a mesma coisa. Imagina tirar 2 dias, passar uma noite fora, de preferência fora da zona que te é mais comum, isto só para dar um exemplo deste tipo de experiência.

    @ Pipoca - Dá-me cá uma ideia que ainda me dás um bailinho em termos de know how de tasca ;) Mas também não me passeio só em ruelas, às vezes também escolho becos e travessas. Bjs.


    PS - Eu sabia que Arlindo ia pegar...

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  4. Pois é uma bela ideia.
    Então para mim, que pouco conheço de Lisboa, posso ser uma turista portuguesa na capital do seu país! Muito bom!

    E quanto ao nome... já que vai tudo pelo Arlindo, eu arriscaria um Asdrúbal ou Acúrcio só pra ficar nos "A" e não entrar pelo Parvo (que foi para o Céu no Auto da Barca do Inferno, portanto... não parece muito mau.)

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  5. Ó Arlindo que nome mais lindo! Aqui euzinha, também tenho essa mania. Gosto de fingir que sou turista na minha terrinha que é Lisboa :) Ando no 28 (eléctrico) para ir ao Castelo, vou aos museus, vou a Sintra (amo!) e tudo e tudo e tudo. Pancas ;)

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  6. Ó Arlindo que nome mais lindo! Aqui euzinha, também tenho essa mania. Gosto de fingir que sou turista na minha terrinha que é Lisboa :) Ando no 28 (eléctrico) para ir ao Castelo, vou aos museus, vou a Sintra (amo!) e tudo e tudo e tudo. Pancas ;)

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