27.7.11

Cegos, olhos, reis e conclusões

Na sequência deste post, blá, blá, blá, etc e já sabem a história.

TLD disse...

"Em terra de cegos quem tem olho é rei"

E eu explico (e a questão territorial é sempre importante):

Terra de Cegos estava em festa, a vila estava toda enfeitada e naquela noite, o fogo de artifício organizado pelo rei tinha sido simplesmente fenomenal. Bem, pelos menos supunha-se que os enfeites eram bonitos e o barulho do fogo de artifício tinha sido de arromba, já que numa aldeia cujo nome derivava do facto de todos os habitantes menos um serem cegos, não havia forma de ver do que se tratavam efectivamente as festas da aldeia.

O presidente da junta, conhecido carinhosamente entre os habitantes como “Rei”, era o único que via de uma vista, mas disso não sabiam os restantes que o viam tão cego como eles. Quando tinha chegado à aldeia, pensara em aproveitar-se da situação e, ao início, assim fez, manipulado o sentido que tinha a mais que o fez chegar até ao seu cargo e poder decidir e beneficiar de várias coisas. Mas, com o tempo, afeiçoou-se às pessoas e, entre outras coisas, tentou dar-lhes algo mais que os fizesse sentir as alegrias de uma localidade comum.

Daí a festa, que nos primeiros anos, foi efectivamente tudo aquilo que os habitantes cegos pensavam que estava a ser. Só que, vendo a realidade e não havendo, o Rei não podia sonhar como os cegos e sabia que as latas e fitas que pendurava estavam longe dos cenários faustosos que lhes descrevia e que o fogo de artifício mais não era do que três colunas de som postas no topo da torre da igreja, que passavam sons de bombardeamentos a fingir de fogo de artifício. Mas, na sua infelicidade, sobrava a alegria de ver que em Terra de Cegos toda a gente parecia mais feliz com isso. Tirando ele.

Em Terra de Cegos ele tinha efectivamente olho e era o “Rei”. Mas, trocaria de bom grado o posto, por pelo simples prazer de fechar os olhos e poder sonhar como aqueles que viam o mundo com outros olhos.

1 comentário:

  1. Isto é uma história filha da mãe Mak. A brincar a brincar é coisa para deixar a pensar. Vénia ao meu amigo! Vénia...

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