14.6.11

A filosofia do assaltante

Vejam lá que ainda no outro dia fui assaltado. Não naquele sentido musgueirense de alguém me apontar uma arma ou, pior, um convite para o Piquenicão com o Tony Carreira, mas mais no sentido em que fui surpreendido por um roubo que estou habituado a fazer aos outros

Simplificando, estava eu a expor uma conjectura qualquer junto de umas quantas pessoas, quando uma delas resolve aproveitar o que eu estou a dizer para criar algo efectivamente interessante. Ou seja, de repente, aquilo que era apenas palavreado de trazer por casa na minha boca, foi-me roubado para ganhar valor numa ideia interessante que se materializou à minha frente.

Por breves segundos, fiquei chocado. Não sendo um cão de fila, estou no entanto “treinado” para ser eu a fazer isso, quer profissionalmente, que por pura observação social, já que é nos pequenos pormenores, nos detalhes do quotidiano que se vão buscar os diamantes em bruto para polir e dar forma a nosso gosto e, quem sabe, descobrir quem se identifique com aquilo que transmitimos.

Imaginem as coisas que fazem todos os dias, mesmo o acto mais trivial que possível, e depois vejam como existem sempre particularidades e pormenores que são explorados na literatura, na publicidade, nas artes e no humor e que adquirem aí uma componente "aspiracional".

E é esse tipo de “assalto” que a nossa realidade sofre que me faz valorizar a arte dos que realmente sabem assaltar. Porque todos estudamos, todos trabalhamos, todos sonhamos, todos temos encontros e desencontros, todos fazemos piadas más e todos, a dada altura nos questionamos – afinal de contas o que andamos aqui a fazer?

Se não tiverem uma resposta, relaxem, mesmo que não saibam podem estar a servir de inspiração a outra pessoa. Um assaltante que, mesmo que não vos conheça, acabou de roubar um bocadinho de vocês e dar-lhe o valor que às vezes nós próprios não somos capazes de dar ou simplesmente perceber.

3 comentários:

  1. nada

    puxa de um cordel e enfurca-te

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  2. Obrigado pela sugestão mas, uma vez que não segui a carreira de furcado, prefiro o macramé...

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