15.5.11

Vocalista sem conserto

Gosto de arriscar e por isso ao estar a conviver com gente que me atura em horário pós-laboral, calhou que, no local do encontro, fosse tocar uma banda cuja prestação, constituição e orientação musical desconhecia completamente. Curioso, fui espreitar, tendo havido até quem me confidenciasse “ Parece que o vocalista já tem muita rodagem no meio”.

Não mentiram.

A secção instrumental não era má, constituída por jovens empenhados em mostrar que a música é um bom refúgio, desde que mantenhamos um ar torturado, mas a rodagem do vocalista já era de facto muita, tanta que possível incluía um ou dois atropelamentos de células cerebrais. Não negando o seu passado musical, são o presente e o futuro que me preocupam.

Pelo meio de alguns tremores, algumas paragens e a necessidade de uivar entre temas, eis (segundo as suas palavras) aquilo que foi o alinhamento do concerto.

1 – My saiealkinahh ohhnaaman

2 – The uhliamaer iasasjad

3 – Go paaahhonhh my apooalah

4 – Uhhh to ahhhnwain loohss

5 – For luhh in hooaanah

E por aí em diante.

No somatórios, claro e audível só mesmo o uivo com que terminava as canções. Não consegui detectar se era uma espécie de cena tribal ou o resultado de pontadas nas costas. Também não procurei explicação.

Reforcei contudo a minha opinião – o espíritos dos músicos a sério, daqueles hardcore à antiga, nunca envelhece. O problema é que o corpo não segue o mesmo caminho.

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