3.5.11

O que se pode aprender numa ida ao teatro

Que as crianças e os frangos podem ser bons amigos, mesmo que estes últimos estejam mortos e não assados.

Que se pode beber cerveja de forma acrobática e arrotar a preceito no decurso da proeza.

Que o ketchup é fixe para fazer frases em tshirts.

Que o Michael Jackson está mais vivo agora depois de morto, do que no fim da época em que estava vivo.

Que comer uma “hamburga” em palco tem o seu quê.

Que gritar provoca desconforto no espectador, mas algumas cadeiras valem por muitos gritos.

Que criticar o consumismo desenfreado e a industrialização selvagem de forma diferente não garante necessariamente que a mensagem chegue ao público da melhor maneira.

Que existe uma linha muito ténue entre a crítica subjacente que nos faz pensar e o exercício gratuito de exageros que pretendem chocar e permanecer estéticos dentro da abordagem artística, sem chegarem a ser carne ou peixe.

Que se calhar eu não consigo distinguir bem essa linha.

Que, feitas bem as contas, é bom ter um local por perto que sirva álcool depois da peça.

Que isto não é um desabafo alarve de quem não gosta de teatro. É apenas um alarve a desabafar.

2 comentários:

  1. Eu trabalho na área do teatro. E vez sim vez não saio de espectáculos com essa sensação...aquela sensação de que são maus espectáculos e aquele pessoal ganha dinheiro a dizer e fazer parvoíces que não trazem nada ao mundo. Mas, ai!, não podes dizer isso que os artistas são sensíveis.

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  2. Já me aconteceu tantas vezes... eu que sou actriz e tantas vezes fui ao teatro.

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