20.5.11

O drama de um Portugal aflito

Até à última, estive indeciso sobre qual das problemáticas abordar – por um lado, a situação social e económica em Portugal, as eleições, as expectativas e desilusões que envolvem a população portuguesa, por outro lado, um drama que me aflige nos urinóis.

Resolvi ir por aquele que acho menos asqueroso.

Um urinol não é um segredo da NASA. Não é uma Bimby, a precisar de um manual de instruções e uma demonstração de manuseamento. É uma loiça sanitária que tira partido da anatomia masculina, promovendo a execução rápida e concisa (ou longa e aliviada, consoante o estilo e a bexiga) da chamada mijinha.

Acrescento, ir ao urinol não é uma prova de estlio.

Mas, trabalhando eu num edifício pós-moderno, com várias casas de banho em cada piso, destinadas a serem partilhadas pelas empresas lá sediadas, não consigo compreender uma coisa – Como é que, invariavelmente, um gajo entra no WC masculino e a cinco passos do urinol já consegue ver um autêntico sistema de rega espalhado pelo chão, num cenário épico-medonho.

Juro que já fiz testes, não é a descarga de água que salpica, não é o lavatório que projecta, não é sequer a canalização rota ou uma empregada da limpeza tresloucada. Trata-se de uma intensa falta de pontaria, combinada com miopia agravada e uma percepção muito enganosa de volumes e dimensões. Ir ao urinol não deveria ser um número de circo, um arrojado malabrismo do género “Olha, mãezinha, estou a fazer xixi a 1 metro do urinol e não cai nem uma gotinha para fora”. O problema, minha gente, é que não são gotas, são réplicas do Lago Baikal e da cascata do Iguaçu.

E, na minha escala de violência de WC, isto está quase ao nível dos artistas que se fecham a fumar na casa de banho dos deficientes só para não irem à rua. Mesmo tendo em conta que, pela atitude, estão no sítio certo.

1 comentário:

  1. Que post tão bonito, estou cheia de vontade de ir almoçar a seguir :-)

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