18.3.11

Tendências 2011: O falso altruísmo está on

Muitas pessoas perdem boa parte da sua vida a tentar perceber o que vai na cabeça dos outros. Não negando alguma curiosidade na matéria, falta-me no entanto a paciência para dispender muito tempo com isso e, sendo assim, resolvi atalhar caminho e arrombar as instalações de um gabinete dedicado a estudos/testes psicotécnicos. E embora não saiba muito bem o que isso diz de mim, tal permitiu-me saber o que diziam sobre muita gente.

Porque ainda tenho de ir acabar um post onde tento sintetizar em cem linhas as razões que me tornam um ser humano fantástico, apenas um pouco mais alto que o tio Mahatma, não vou aqui abordar um aspecto que apareceu por diversas vezes – o elevado número de pessoas que têm uma imagem de si bem melhor do que aquilo que são na realidade.

Resta por isso focar-me noutra característica bastante comum entre malta jovem (e por jovens entende-se aqui gente que ainda possui mais dentição própria que artificial) – o falso atruísmo. É moderno, é fresco, tem um je ne sais quois de rede social com travo superficial mas, ao mesmo tempo, é clássico e leva-nos para todo um universo de tradição.

Agrada-me saber que existe muito mais gente a dizer que se preocupa, que vai ajudar, para contarem com eles quando for preciso e a perguntar vezes sem conta se temos o seu número de telefone, do que aqueles que depois efectivamente fazem alguma coisa.

Porquê essa satisfação? Porque não faltando por aí falsos altruístas, é mais fácil descobrir e aprender em quem se deve verdadeiramente confiar, através da prática e da desilusão ligeira. Porque se as pessoas boazinhas e preocupadas fossem efectivamente os 97% que dizem ser, os outros 3% como eu seriam realmente considerados maus e desprezíveis. E, acima de tudo, porque o falso altruísmo é fast food emocional, tornando acessível o conforto emocional fraquinho e fácil de reforçar em pequenas doses, face aos balúrdios de despesas emocionais em que uma pessoa se mete quando se começa a preocupar a sério.

E como me preocupo convosco quero que saibam que, por muito ausente que pareça estar, se precisarem de desabafar sobre qualquer coisa, podem contar comigo. Pelo menos para continuar ausente.

3 comentários:

  1. Mak, andas introspectivo e filosófico... isso é da Primavera??

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  2. É da barba.

    E eu já explico :)

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  3. Ainda bem que há pelo menos uma pessoa a pensar o mesmo que eu. Não conseguiria exprimir melhor. Principalmene a parte, de cada vez mais, encontrar pessoas que se julgam melhores do que na realidade o são...A intuição e um pouco de atenção aos pequenos pormenores, é que me têm valido.

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