15.3.11

Os aliens saíram à rua num dia assim

Aviso prévio: Este texto não é sobre manifestações, nem se manifesta sobre manifestantes. Para isso, existe o Facebook e o resto da Internet.

Tendo um par de pernas e uma disposição atlética, a par da vantagem de demorar apenas vinte minutos de casa à firma, faço esse percurso a pé várias vezes. No entanto, aquilo que vejo em dias normais, difere do que vi hoje.

Quem vê filmes e séries de ficção científica que metem extraterrestres a circularem na Terra disfarçados de humanos sabe do que estou a falar. Gente que caminha sem ter bem a noção do espaço que ocupa nos passeios, passo incerto que finge alguma determinação e óculos escuros a estranharem a claridade que se entranha à sua volta.

Tentam integrar-se, mas ao mesmo tempo sabem que o seu lugar não é ali. A sua expressão é estranha, como se não acreditasse que a cidade pudesse ser assim. Carregam pastas, portáteis, mochilas e bolsas, mas não é o seu destino que as preocupa, é o constrangimento causado por um espaço aberto que não dominam.

São os caminhantes eventuais, os filhos da greve do Metro, que enchem as ruas e as paragens com o seu ar deslocado, a sua impaciência para voltar à nave mãe que hoje os deixou apeados e o desejo de deixar para trás aquelas ruas estranhas e a obrigação de caminhar.

Da minha parte, concordo plenamente, porque as ruas não são para aliens de trazer por casa. São para Et’s de barba rija, tipo eu.

3 comentários:

  1. E o pior é quando esses tipos andam com os guarda-chuvas abertos e nem têm cuidado com aqueles que vêm no mesmo passeio sem o dito cujo...
    Só ao estalo!

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  2. O pior é quando eles vêm no mesmo passeio, ponto :)

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  3. Sabes qual é que é a diferença entre ti e o ET?

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