1.3.11

Como encaixar uma porta em cara alheia

Que se lixe o IKEA, pois isto não trata daqueles manuais em que um boneco careca se entretém durante umas boas horas a fazer pouco de nós, enquanto fazemos figuras tristes a tentar montar um armário.

Isto tem que ver com uma regra básica de boa educação que se define, numa só palavra, como “segurar uma porta para a pessoa que vem a seguir ter tempo de a segurar para não levar com ela na tromba”. É um acto simples, não exige grande disponibilidade mental e, caso não estejamos desprovidos de pelo menos um bracinho, facilmente executável.

Tanto é assim, que já a aplico há alguns anos, depois de aprender que não era boa ideia abrir portas com os dentes. No entanto, há uma situação em que me apetece mandar a boa educação às malvas e que certamente alguns dos leitores com braços e boa educação já testemunharam na primeira pessoa – aquela situação em que passamos de facilitador a mordomo Jarbas.

Eu explico: abrimos uma porta, por exemplo num centro comercial, e vemos que vem alguém atrás de nós. Resistimos um segundo à pura maldade de lhe dar com ela nas ventas e ficamos a segurá-la mais um instante, esperando que a pessoa tenha tempo de segurar a porta já aberta e, com sorte (tirando se for no Colombo) tenha a educação necessária para nos agradecer o gesto. Contudo, o que essa pessoa faz é entrar sem segurar a porta, obrigando-nos a ficar especados a segurar-lhe a porta, já que largá-la nessa altura implica dar-lhe com ela ostensivamente.

Neste caso, se o Jarbas automático for eu e tentarem fazer o mesmo, brincam com a vossa sorte. É totalmente aleatória a minha disponibilidade para fazer de mordomo e, jovens ou idosos, boazonas ou grotescas, malta cool ou quadradões de primeira, todos se arriscam a decorar o vosso rosto em tons de porta, se não a segurarem dentro do tempo que eu considerar válido.

Hoje já fiz isso e não é por causa do “Oh, francamente” da senhora afectada, que deixei de me sentir bem acerca disso.

11 comentários:

  1. Maaau! (miar a palavra para lhe dar a entoação que com excesso de "a" tentei dar)

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  2. Ah ah ah! Por acaso até dou uma corridinha e digo obrigada, faço olhinhos e abano-me toda ao afastar-me. Muito mais querida...

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  3. Nem mais! O Patife aprova.

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  4. Nessas situações, só tenho pena é que quando pretendo encaixar a porta na cara alheia, já não vou a tempo, o prodígio da boa educação já passou... e eu fico ali com uma vontade enorme de o puxar pela lapela e afocinhá-lo na porta! É violento? Pois é, mas é assim que eu fico!

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  5. Acontece-me isso com alguma frequência, devo ter cara de porteira. Mas pior é não agradecerem mesmo e aí arriscam-se (que é como quem diz, é garantido que acontece) a ouvir um "Obrigada! Ora essa, de nada!" dito com ar sarcástico mesmo quando vão a passar à minha frente. Não resolve nada, mas pelo menos ficam com ar um bocadito envergonhado (pouco, mas enfim).

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  6. Não és Mak, o MAU por acaso...;)

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  7. Mak, o Porteiro do Hotel Palácio não teria o mesmo requinte, é certo.

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  8. Olha Mak, gente sem educação é o que não falta p'ra aí.
    Eu vivo num prédio onde praticamente toda a gente se conhece e se dá bem mas de vez em quando aparecem assim uns inquilinos mais reles, daqueles que não os bons dias nem seguram na porta para quem vem a seguir. Mas digo-te, não é porque eles são assim que eu vou descer ao nível deles fazendo-lhes o mesmo!! Nada disso, pois eu teimo em lhes dar os bons dias de forma bem audível e continuo a tentar ensinar-lhes com o meu exemplo o que é viver em comunidade com harmonia!

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  9. Eu, no Colombo cai no erro de segurar a porta e fiquei lá uns 5 minutos à espera que alguém a segurasse. As pessoas entravam e saiam e eu ali especada, só me apeteceu estender a mão a ver se recebia uns trocos.

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  10. Mak, o Mau01/03/11, 22:41

    Fizeste bem em não esticar. Muito possivelmente, se o fizesses, terias ficado sem o relógio...

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  11. Realmente uma pessoa até perde a vontade de ser simpática e educada....

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