4.3.11

As pessoas querem sonhos, eu dou-lhes sonhos

Sonhei que estava na hora de ter um sonho, não um sonho vulgar daqueles que, mal abrimos os olhos, já nem nos lembramos deles mas sim um sonho daqueles que, no dia a seguir, quase merecem tanta atenção como o golo da vitória que está a dominar a conversa na zona do café.

E se bem sonhei, nesse sonho tinha que haver alguém a morrer logo para começar, pois as pessoas gostam de um bom choque para lhes cativar a atenção. Não havia tempo a perder, matei rapidamente um primo, mas tive o cuidado de escolher um dos que gosto menos, não fosse a coisa ser premonitória.

Morto o primo, faltava a razão. Mas, num sonho, as razões não são evidentes, tirando que andava metido com um dragão e um anão, que me tinham sobrado do sonho de terça-feira. Simplifquemos, era um dragão-anão e não se fala mais nisso.

Pela reacção, quer do meu primo, quer do dragão-anão, o sonho pareceu-me estar a ser bem sonhado. Olhei para o relógio sem abrir os olhos, coisa que dá outro gozo quando se está a sonhar e vi que ainda tinha horas de sono pela frente e um unicórnio montado por uma voluptuosa modelo de leste à minha direita. Sorriu para mim, o unicórnio, a modelo nem por isso.

Avancei e comi algodão doce, porque nos sonhos ou se come ou nos arriscamos a ser comidos. Aí a coisa não difere muito da realidade. Um senhor de alguma idade pegava-me no braço e deu-me vários conselhos, que começavam sempre com um carinhoso “filho”. Não conhecendo o senhor, não tive coragem de dizer que se tinha enganado no sonho, mas tomei a liberdade de não seguir os seus conselhos.

A modelo de leste, envergando uma lingerie provocante, debruçou-se vagarosamente com intenções de dizer algo ao ouvido. Não percebo porque resolveu fazê-lo ao idoso, quando eu estava mesmo ali ao lado, envergando um bonito fato de licra amarelo elástico. É o que dá ouvir dicas de moda de um unicórnio.

O meu primo, chato como sempre, insistia em que eu o ressuscitasse no sonho, porque já tinha bilhetes para a ópera e era para as competições europeias.

Preferi acordar a dar razão ao meu primo. Se ele sonhasse que eu fiz isso de propósito, a coisa iria tornar-se um pesadelo. Não percebo porque é que as malta na zona do café ficam a olhar para mim de forma estranha. Especialmente o dragão-anão.

3 comentários:

  1. Escreves para o Inimigo Público? O marido de uma das minhas melhores amigas tb. Gosto muito, parabéns ;)

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  2. Creio que a resposta certa para isso é, mais ou menos :) mas obrigado à mesma ;)

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  3. Este pedacinho fez-me contente.
    Está perfeito de bom, tenho dito. :D

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