15.2.11

Ó chefe, abra a página atrás


Podem não saber mas, para além de ser daqueles que anda de autocarro, também sou daqueles que lê no autocarro sem enjoar. Sem enjoar apenas no que à leitura diz respeito, já que me causa alguma moléstia quando tentam ler o meu livro, sem que eu indique qualquer disponibilidade para partilhá-lo.

Estando eu a ler um livro de perto de 1000 páginas (que descansem os mais beatos, não me preparo para lançar uma revisão da Bíblia), o volume de tal obra aguça a curiosidade dos ocasionais companheiros de viagem, sendo que estes se podem dividir nas seguintes categorias:

O Torre de Pisa – inclina um bocadinho a cabeça primeiro, depois mais outro e ainda mais outro e, quando damos por isso, quase que a tem a repousar nos nossos ombros.

O Matrix – Lembram-se do Keanu Reaves a inclinar-se para trás, para se desviar da bala, em câmara lenta? É a mesma coisa só que este personagem vai-se inclinando para trás, para poder observar melhor o conteúdo do livro, com a variante divertida que é chegarmos o livro para trás, cada vez mais na vertical, só para o ver quase a partir a coluna.

O cabeça de pássaro – Se observarem um pássaro, reparam nos seus movimentos repentinos de cabeça quando estão atentos aos ambiente e aos ruídos que os rodeiam. Neste caso, estes gestos de cabeça acontecem a alguém que tenta vários ângulos para tentar descortinar o nosso objecto de leitura, deixando-nos cheio de vontade de lhes oferecer alpista.

O fã de ténis – Tal como os seus olhos seguiriam uma bola de ténis durante um jogo, este sujeito olha para o livro – olha para a frente – olha para o livro – olha para a frente, tudo isto ciclicamente, algo que é acentuado pelo facto de olhamos para ele, levando-o a disfarçar fitando o horizonte.

O futurista – A este jovem não interessa o presente, mas sim o futuro do nosso livro. É por isso que tenta desesperadamente espreitar a página que ainda não virámos completamente, tentando estar sempre um passo à nossa frente, mesmo que não saia do nosso lado.

O franzidos – É uma espécie de crítico literário que só usa as sobrancelhas. Conforme vai tirando as suas ilações do que lemos vai franzindo as sobrancelhas, com maior ou menor intensidade, fazendo algumas das melhores críticas de obras compreensíveis através da leitura de sobrancelhas.

Existem outros tipos, a maior parte dos quais subdivisões dos que vos apresento aqui. Mas, caso queiram avançar com as vossas definições, vou fingir que é muito importante que as partilhem neste espaço.

5 comentários:

  1. Eu sou um pouco a cabeça de pássaro.

    Mas confesso, sou completamente viciada em leitura, leio o pacote do leite ao pequeno-almoço, os champôs e detergentes no wc, leio blogs alheios porque não tenho dinheiro para comprar livros.

    E leio tudo o que passe no raio dos meus olhos, e o que consegue enfurecer realmente as pessoas é que sou tão rápida a ler, que até se as letras estiverem ao contrário eu leio com mais facilidade que a maior parte das pessoas bem...

    E não faço de propósito, consigo estar tão distraída que leio tudo, mesmo o que não quero/devo.

    O meu patrão então fica furioso porque todas as senhas da net dele...

    Ou seja ias matar-me se me sentasse ao pé de ti...

    ResponderEliminar
  2. Eu consigo ler com o livro de pernas para o ar (salvo seja) e, estando ao lado do leitor, consigo ler pelo canto do olho sem virar a cabeça. Não sei bem em que categoria me enquadro... :)

    ResponderEliminar
  3. Eu ando de autocarro, leio tudinho o que se me passa pelas "vistas" mas sou das outras... as que enjoam a ler no autocarro e em tudo o que mexe... ora bolas :)

    ResponderEliminar
  4. HAHAHAHAHAHA

    Mas também adoro quando sou obrigada a ler o jornal do "vizinho" que acha que deve abrir o jornal como se estivesse sentado no sofá.

    Carla

    ResponderEliminar
  5. AhAhAh Eu só espreito para as revistas, para os livros não porque não vou perceber a história só por espreitar uma página! E espreito discretamente, só mexo os olhos. :)

    ResponderEliminar

Se vais dizer alguma coisa, escreve, não fiques para aí a olhar.