2.2.11

The Curse de inglês

Não há nada a fazer, há pessoas que nascem com habilidade para as línguas e outras que, pura e simplesmente não a têm (a habilidade e não a língua, clarifique-se). No entanto, ganham por vezes a oportunidade de se imortalizarem, ainda que de forma involuntária.

Porque das coisas boas não reza a história satírica, se pensarmos em momentos míticos em que alguém usou o seu inglês de forma epicamente errada, temos diversão garantida. E eu digo inglês, porque é para a minha geração o denominador mais comum, tal como o francês o era no tempo dos meus pais. Castelhano não conta, porque o portunhol é, em si mesmo, um linguajar tão aceitável como o mirandês.

Relembro por isso com saudade um colega, na já distante disciplina de inglês do 9º ano. O Ricardo, como era conhecido pelos seus pais, veio transferido de outra escola já com o primeiro período em andamento. A professora de inglês, também directora de turma, aproveitou a primeira aula dele para enturmá-lo melhor e puxar pelo seu inglês.

“Então Ricardo e ao nível de inglês, como é que estamos?”

“Epá, estamos um bocado mal...”

“Mal? Mas não tens habilitações?”

“Epá stôra deixe lá isso, eu a inglês só sei dizer bem uma coisa - Uatchór name.

A partir daí, Ricardo deixou de ser Ricardo, para passar a ser Uatchó, o gajo que animava toda e qualquer aula de inglês, com um léxico que incluía até justificações cinco estrelas para trabalhos de casa não cumpridos.

“Ticher ame sori. When i was waiting in the paragem, i was reading the fotocópias, and the uinde, the uinde...” (acompanhar esta frase com um gesticular de braços a imitar o vento).

Posso não ter frequentado os melhores colégios, mas são episódios como este que me fazem valorizar cada segundo que passei numa escola cujo lema era “Se ninguém aceita a tua matrícula, vem ter connosco”.

5 comentários:

  1. Ahahahahaha! Há muito tempo que não me ria tanto por aqui!
    Eu também andei numa escola com colegas assim com muito jeito para a escola no geral e não só para as línguas.
    Ex.: " - Oh professor, como é que i Miguel Angêlo (escultor e não o que diz que canta) sabia na quela altura que ia haver a Madonna (referência à cantora)?
    Resposta do professor: "Adeus mundo cruel!" (acompanhar a frase com o movimento de braço a lembrar alguém se vai matar)."

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  2. Oooohhh... eu a pensar que ias falar dos tão divertidos neologismos que consistem em traduzir à letra expressões inglesas para português e usá-las como se quisesem dizer o mesmo, quando na realidade em português já existiam com outro significado.
    A minha favorita: a minha pessoa sempre quis dizer Eu. Mas agora quer dizer my person (morre, grey's anatomy, morre!)

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  3. também tive disso. recordo com saudade um colega de turma a ler o sumário de enfiada:

    "léçon tuánti uáne corréchon of the omeuôrque a gueime"

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  4. Pelo menos, o Ricardo (como era conhecido em casa) era aluno. Eu tive professores de Inglês que falavam assim. Recordo com especial saudade um "de uman uantz de táxi draiver to draiver to de steichon". E isto era Inglês do 12º ano, numa turma de gente que ia seguir letras!

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  5. Portoinglishe, uma verdadeira ciencia!! Dificil de decifrar a inicio para quem nao esta dentro deste linguajar but veri mache delichiose ui...e por falar nisso agora ia ali ao berbequim ou ao madonnas comer uma ambarga, se nao fosse vengana, as sorinhas uide stro sao serve serve e fri rifile...
    tb tive uma colega assim em francius mas na americas é mais giro uide disse sutaique, oh yeahssari

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