28.1.11

Passear um cão é coisa de filósofo

Com um toque de psicólogo e de adepto do surrealismo, acrescento. A verdade é que eu passeio um cão e, não sofresse eu de uma certa imaginação galopante, só dessa experiência retiraria matéria suficiente para alimentar um blog durante muito tempo. E, quando digo um blog, digo daqueles a sério, onde se falam de coisas sérias que, por o serem, eu não consigo identificar muito bem.

Assim sendo, coisa pouca que se passa quando se trata de passear um cão:

- Fazer de ventríloquo de quinta categoria, usando um saquinho de plástico na mão como fantoche, deixando o saco explicar a uma freira chata que ele servia para apanhar a trampa do cão e não para a aturar a ela.

- Explicar a um bêbado que aquilo não eram dois cães.

- Discutir filosofia das intenções com um cidadão quase fossilizado que insistia que eu só levava sacos na mão para as pessoas pensarem que ia apanhar a bosta do cão, mas que mal elas viravam costas eu não fazia.

- Ouvir compreensivamente cerca de 139 idosos diferentes contarem sempre a mesma história – gostam muito de animais, já tiveram um, esse um morreu e sofreram tanto como se fosse uma pessoa, valha-lhes Deus, mas fazem muita companhia, mas eu não era capaz de ter outro, ai o que eu tive era igual a este, só que era um gato.

- Debater raças. Eu sei que a cadela é rafeira, milhares de observadores experimentado vão buscar-lhe raízes em raças que remontam até à dinastia afonsina.

- Explicar a um bêbado que aquilo não é um São Bernardo, a não ser que os disponibilizem em edições de bolso.

- Elucidar o transeunte que se as leis da lógica e da física não permitem que um cão tão pequeno seja responsável por uma bosta que compete com o Titanic.

- Evitar que criancinhas que servem o Demo se envolvam em combates de wrestling ou test drives com a pobre criatura que passeio.

- Explicar a um bêbado que isto que trago hoje na mão é um saco do Bimbo Doce e não um cão.

E por aí em diante...

7 comentários:

  1. Gostei deste post porque me pôs um sorriso na boca.
    É raro, isso acontecer-me, nos blog's que visito...

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  2. Muito obrigado, agradeço a referência.
    Já eu, choro copiosamente cada vez que cá venho :)

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  3. Ter gatos é gajo para ajudar.

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  4. O artista faz a diferença, eu sei ;)

    Quando eu fizer tournées aviso :D

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  5. lololol ahhh como te compreendo. Tenho uma velhinha que cada vez que passa pelo meu cão diz que ele é lindo, que os cães são óptimos, fazem muita companhia mas que o dela já está velho e depois daquele não quer mais. Termina o diálogo SEMPRE com a pergunta: "É tão lindo, como é que se chama?".

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