18.1.11

Queria mais do que um telemóvel

O outro morreu, não houve período de luto.

Tinha necessidades que não podiam esperar, o mundo desliga-se do que desligados estão.

Não bastava que lhe ligassem, queria mais que um telemóvel. Queria guardar sorrisos no bolso, levar momentos consigo. Queria dizer “eu kero” com escrita inteligente, fazendo desta função e não talento. O desespero de não ter rede era sinal de que a rede à sua volta se apertava cada vez mais.

Depois do primeiro minuto, as primeiras impressões são taxadas ao segundo dizia o seu tarifário. Por isso queria mais que um telemóvel. Queria um raio de sol com alguma autonomia, para brilhar sempre que fosse preciso, sem lhe queimar a mão. Queria bloquear chamadas de atenção e capacidade para dois SIM, embora utilizasse com mais frequência o Não. Queria wireless, happiness, o Lago Ness e tudo o que mais ou less desse estilo.

A verdade é que queria mais do que um telemóvel, queria tudo o que fosse preciso para não mostrar que não sabia o que queria.

A culpa não era sua. Era um problema de bateria.

1 comentário:

  1. Eu keria uma bateria vitalícia, com muita vitalidade :-D

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