31.8.10

Falem-me de fitas

E, a pergunta randomizada da noite é - Qual o último filme que foram ver ao cinema, porque é que foram vê-lo e o que acharam?

Estou a fazer um estudo inconsequente, enquanto bebo Martinis num afamado bar numa zona mal afamada, e não quero começar aqui a falar de filmes sem saber com que tipo de gentalha privo em simpático anonimato.

Plágio de Férias Vol.2

Mais, uma vez, deverei eu estar agora a ler um belo livro com os presuntos dentro da piscina ou, em alternativa, estarei a beber um cocktail no casino, depois de ter ganho certa de 20000€ num jackpot, depois da velhinha que estava na máquina se ter engasgado acidentalmente com a placa. Poderei estar até numa aula de salsa-sushi, em que misturando universos diferentes, as pessoas tentam dançar ritmos latinos enquanto preparam sushi e tentam ficar com pelo menos 60% dos dedos intactos.

Mas, não quero que vos falte nada e por isso, lá têm direito ao vosso plágio de férias, que vai muito bem com esse estampado de flores rosa choque que escolheram usar hoje, certamente de olhos fechados da ressaca.


Apanhar uma Pedra Filososal

Eles não sabem, nem sonham,
que eu comprei uma às escondidas,
pensam que o sonho comanda a vida
eu prefiro a droga e aas bebidas.
E sempre que um homem sonha,
com uma ajudinha da maconha,
vê que o mundo pula e avança
e come gomas coloridas
roubadas das mãos de uma criança.


Gota de Água da Piscina do Eliseu

Eu, quando choro,
não choro eu.
É por causa do cloro,
da piscina do Eliseu
Aquilo faz chorar os homens
e quem deu um mergulho já sofreu.
As lágrimas são as minhas
mas o cloro não é meu.

António "Mak" Gedeão

Os factos da história dos fatos

Quis o destino que eu tivesse uma educação liberal. Quis também o destino que a minha formação académica e o meu encaminhamento profissional derivassem para longe de ambientes formais e protocolos fastidiosos.
Não quis tanto o destino, mas quis eu que se gastasse boa parte do palavreado logo no primeiro parágrafo para ficarem logo de papo cheio.

Estava eu ontem a fazer uma ronda de vestuário e descobri, escondidos a tremer de medo, os meus dois únicos fatos completos, que datam do Ano da Graça do Senhor de para aí uma década atrás. Tinham um ar limpinho e quase novo, de tão pouco uso, mas ao mesmo tempo tinham um ar datado daqueles filmes de gangsters algo duvidosos.

E de repente, lembrei-me (reproduzam isto numa voz ligeiramente surpreendida, mas sem saudosismo exagerado) "Ah pois foi meu madraço, houve um curto período da tua carreira, em que não era esta rebaldaria e até ias trabalhar de fatinho de quando em vez".

Pois é, houve um tempo em que idosos e senhoras respeitáveis olhavam para mim na rua e diziam "Deve ser bom moço de certeza e um profissional de excelência", enquanto eu sorria e pensava "Esta p#$% da gravata já me está a dar uns calores e ainda são só 9.30". Durante quase um ano, sempre que reuniões externas assim obrigavam, aqui o artista revezava os seus fatitos, escolhendo gravatas altamente idiotas como forma de protesto.

Mas, a coisa não podia durar. Os fatos queriam alguém estável e orientado para resultados mensuráveis. Eu gostava de inventar e correr riscos e sabia que a coisa era temporária, apesar de ter capacidade para o que fazia. Por isso, quando a oportunidade se proporcionou, tive uma conversa com os fatos e expliquei-lhes que iam passar os próximos 10 anos num armário, saindo apenas numa eventualidade, mais de palhaçada do que de trabalho. Não gostaram mas, sendo fatos, seguiram as regras de etiqueta.

Ontem, ao verem-me, tiveram ainda alguma esperança, quando me ri para eles. Segundos depois, estavam num saco, para beneficiar alguém necessitado que não tenha medo de parecer um Al Capone de perna longa. A nossa relação tinha acabado e só não percebia isso quem tivesse ingerido demasiada naftalina.

Sou um gajo sem fatos e esse facto não me atormenta.

30.8.10

Hora de encher chouriços

Por esta altura deverei estar a mergulhar nas águas de uma qualquer praia lusitana ou a rebolar na relva da Gulbenkian, tentando apanhar um pato para fazer companhia a uns pacotes de arroz que tenho cá por casa.

Na pior das hipóteses estarei no miradouro do topo do Parque Eduardo VII, fitando a paisagem e pensando algo tão profundo como "Até que distância conseguirei cuspir daqui?"


É pena o Pão Doce estar fechado à segunda. Senão comprava-vos uma empada e era outra história.
Mas vocês têm cara de esquisitinhos e iam começar a dizer que tinham preferido a mini-quiche ou o pão de queijo, por isso ainda bem que é assim, para aprenderem.

Plágio de Férias Vol.1

Durante as minhas férias é natural que a disponibilidade seja menor, pelo que resolvi dar um emprego sazonal a outros escritores da nossa praça. Mais ainda, optei por escritores mortos, para que diminua a tendência para me tentarem açambarcar o espaço pela qualidade da sua prosa ou poesia.

É (ou melhor, foi) gente talentosa, que mostrou uma disponibilidade imediata, através de um silêncio de consentimento a todas as questões que fui colocando. Não se importaram sequer que eu desse um toque pessoal aos excertos que vou colocando aqui, de modo a tornar a coisa mais coerente com a falta de coerência do pasquim...

Cá temos o prato do dia

Sim, sei bem
Que nunca serei alguém,
Mas também nunca vivi no Cacém.
Sei de sobra
Que nunca terei uma obra,
Terei duas, pois a bebida dobra.
Sei, enfim,
Que nunca saberei de mim,
Especialmente se procurar neste pasquim.
Sim, mas agora,
Enquanto dura esta hora,
E deixo os leitores à nora,
Este luar, estes ramos,
Esta paz em que estamos,
Eu de férias e vocês com esgares estranhos,
Deixem-me crer
O que nunca poderei ser,
E se não deixam, vão-se
arrepender.

Fernando "Mak" Pessoa

29.8.10

Este domingo à noite - Combate de maus filmes

Quando umas férias estão no seu início é preciso escolher o patamar em que queremos inseri-las. Portanto, ontem à noite aproveitei para sorver algum conhecimento, conjuntamente com algum gelo e a brisa fresca da noite.

Como o conhecimento às vezes deixa as pessoas em convalescença, pelo poder da sua absorção, o dia de Domingo é uma memória de dolce fare niente e outras elegantes expressões estrangeiras que queiram dizer "Não fazer a ponta de um corno".

Mas, chegada à noite e tendo pela frente uma semana de regabofe e descompressão, novas escolhas difíceis se avizinham. Apesar das três mil películas disponíveis por meios privados, gosto de dar hipóteses à oferta pública. Eis as escolhas típicas de Domingo à noite, onde por acaso não está presente o típico filme romântico-bocó.

AXN - S.W.A.T. - Gente com testosterona a mais, muita arma e muito disparo. Samuel com cara de mau, Colin com atitude de bad boy, Michelle Rodriguez a mostrar que consegue fazer cara de macho em cerca de 100% dos seus filmes, LL Cool J antes de conhecer a Daniela Ruah e um vilão bonitinho, que fica sempre bem para tentar convencer senhoras a ver o filme. Isto se nos alhearmos que é uma trampa.

Hollywood - The Tuxedo - Jackie Chan, antes de fazer de Mr. Myagi de 5a categoria a impressionar-nos com as suas proezas de artes marciais habituais. São divertidas, mas para isso há filmes dele antigos bem mais interessantes. Ainda por cima, temos aqui que levar com Jennifer Love Hewitt, cujos os únicos atributos de referência enquanto actriz tenderão a descair com a idade. É insípida, tem a profundidade de um lenço de assoar e a expressivade semelhantes às entidades com que contacta quando fala com mortos. Neste filme, o fato é capaz de ser o melhor intérprete...

E pronto, como os filmes já vão a meio, espero não vos ter distraído de nada...

28.8.10

A meio do caminho

Depois de uns tempos de selvajaria capilar posso dizer que a primeira parte da tarefa, segundo o que reza a música, está cumprida. No entanto, tenho e terei sérias dificuldades em querer cumprir a segunda parte...

Quem é que quer empregos a sério, especialmente estando de férias...

27.8.10

Olha, a pândega ganhou à corrida - Um dia na vida de um inútil

Toda a gente diz que as férias passam a correr. Sendo assim, para quê começar já hoje.

Corrida adiada para amanhã ou domingo, em favor de jantar e cinema. Espero que seja daqueles filmes europeus pós-modernos, que ficam bem para impressionar amigos e pôr o sono em dia.

Enfim, uma vida dura e cheia de conteúdo.

O ripanço do fim de tarde - Um dia na vida de um inútil

Sais cedo. Algumas das pessoas com quem privas saem contigo e chamam-te nomes. Já é habitual, mas como vais de férias é redobrado. No fundo sabes que elas anseiam por passar mais uns minutos contigo, partilhando da tua sabedoria e humildade.

Com um toque de pós-modernismo acedes a ver se o Ferroviário abre mesmo às cinco, para um copinho ou dois a ver caminhos de ferro e rio. Não abre logo, mas diz que é às cinco. Vais até à Graça, tentando não acabar em desgraça. Não acabas, mas bebes um Martini possidónio e divagas filosoficamente. A audiência está muda, possivelmente porque alguns adormeceram.

Ainda com o Sol a bater na cara e a satisfação de estares de férias, lanchas no Frutalmeidas. Sumo de uva, para recordar os tempos de alcoolismo juvenil.


Agora, só mais um bocadinho e vou correr. Não daqui para fora, mas possivelmente daqui ao Estádio Universitário, à Expo ou ao bilhar grande.

Já se vê...

A saída em velocidade - Um dia na vida de um inútil

É agora ou nunca, vou correr para a saída a ver se ninguém dá por mim. O que é difícil, já que todos os colaboradores da empresa usam um chocalho.

Da última vez quase que cheguei à porta, antes de ser apanhado. Não devia ter gritado "Pró c"!#!"$%" antes do tempo.

Ainda assim, como diria um qualquer lírico de cariz duvidoso "Não vou desistir de ser feliz".

A tortura do princípio de tarde - Um dia na vida de um inútil

Aprendi, às minhas próprias custas, que comer pouco ao almoço é a melhor solução. Ainda não vou ao ponto de roubar duas folhas de alface no supermercado ao fundo da rua e já está, mas estou melhor.
Não comendo muito, pagas menos e sofres menos com sono depois do almoço. E ainda te podes entreter a ver a luta dos teus colegas contra o afluxo de sangue ao estômago.

Armei-me em pós moderno e fui ao Go Natural. Nunca vi gajos que investem tanto no plástico a dizerem para ter armares em natural. Defini o prato escolhido como “É isto”, para não parecer muito abichanado a dizer o nome do prato em estrangeiro.

Desconfia sempre de gajos que olhem muito para as calorias e composição dos pratos no Go Natural. É gente para depois te convidar para irem ouvir juntos o último álbum do Nuno Guerreiro.

Algumas colegas que privam comigo foram fumar. Aguentar-me leva a muitos vícios. Eu não fumo, mas comi um gelado de abacaxi da Olá. É melhor que o de maracujá e fui simpático para com a senhora coxa que o foi buscar ao dar-lhe o dinheiro trocado, para ela não ter de andar até à caixa.

Senti-me bem, tanto que recusei dar um bocadinho a provar a gente que diz “Esses gelados? São só gelo...”

Daqui a pouco tempo estou de férias e posso tirar as meias e pôr chinelos.

O pré almoço – Um dia na vida de um inútil

Como hoje o almoço é em horário reduzido, para beneficiar do Horário de Verão, para além de tarefas pendentes pré-férias, que é necessário despachar antes de zarpar, o período “Pré-almoço” torna-se bastante importante.

Mais do que decidir onde vais almoçar ou com quem vais almoçar, o “Pré-almoço” é um conjunto de decisões estratégicas que visam decidir onde não queres ir almoçar e com quem não queres ir almoçar. Essencialmente, porque estas duas permissas implicam a satisfação do almoço.

Já decidi. Não me apetece almoçar com meio mundo e hoje não vou ao indiano, porque já fui ontem.

Comi agora uma tangerina ou um daqueles 10 derivados com nomes esquisitos que se encontram nos supermercados e vão da Clementina à Ancore ou Encore ou o raio que a parta mais o nome.

Também não me apetece almoçar com gente demasiado amistosa e ansiosa por agradar, porque têm o efeito inverso em mim.

Alguém esteve a fumar na casa de banho dos deficientes. Eu não fui lá, mas perguntei a um deficiente que estava a beber um pacote de leite à porta só para se desintoxicar.

A manhã no trabalho – Um dia na vida de um inútil

Não é fácil arranjar trabalho que implique passar parte do dia a pensar. Às vezes passo dias no trabalho só a pensar nisso.

Mas, em boa parte dos empregos, as pessoas comuns passam uma boa parte da manhã a reclamar que têm sono, a irem beber café para acabar com o sono, a comerem qualquer coisa para não ficarem só com o café e o sono no corpo, a conversar no corredor, a voltar ao seu computador para ver email, facebook, site e blogs, sendo estes últimos um claro desperdício de tempo.

Ainda bem que eu não bebo café ou poderia ter passado boa parte da manhã a fazer isto.

O meu superior hierárquico aprovou-me uma coisa. Palitar os dentes com uma navalha pode ter ajudado a causar uma boa impressão.

A chegada à firma – Um dia na vida de um inútil

Cheguei por volta das nove. Normalmente durmo uma hora ou duas na casa de banho antes de entrar, mas hoje é horário de Verão e vou tentar aproveitar.

“O que é isso do horário de Verão?”, perguntam vocês, enquanto usam uma folha A4 para tentar retirar um resto de chamuça que têm entre os dentes desde o pequeno almoço.

É um horário para detectar mandriões, ou seja, ver quem é que chega a horas na perspectiva de poder sair mais cedo, quando nunca o faz em dias normais. Simplificando – entrando ligeiramente mais cedo, almoçando em menos tempo e tendo o trabalhinho orientado, às 6as feiras no Verão, posso estar na rua a partir das 15h, sem que isso signifique despedimento.

Hoje elogiaram a minha barba de 3 dias. Não percebi porque disseram que tinha um toque esverdeado...

Continuo a dizer às pessoas e ao resto que não bebo café. Mas acho que só querem meter conversa comigo.

Percurso matinal – Um dia na vida de um inútil

Apesar de serem 9 e picos, este post foi escrito antes disso. Acreditem em mim, eu não adormeci. Ainda...

Vesti-me com a primeira coisa que encontrei à mão. Depois reparei que era um vestido com lantejoulas e optei por despir-me e tentar de novo. Uns calções, uma t-shirt e uns ténis coloridos causam sempre uma boa impressão em qualquer local de trabalho.

Inusitadamente, tomei o pequeno almoço com um estrangeiro. Ah, senhor Alexander Fleming, se o bolor do pão falasse, as histórias que não teria para contar. Do resto do pequeno almoço não me lembro, tirando que escovar os dentes e bochechar com leite pode ser divertido quando é feito ao espelho.

Hoje vou para o trabalho de autocarro. Apetece-me ler, por isso vou aproveitar que não trouxe livro para me encostar às outras pessoas para ver o que andam a ler.

Até já.

O banho - Um dia na vida de um inútil

Acabei de tomar banho. Desta vez optei por fazê-lo nu, já que aquele fato de Batman me irritava um bocado. Usei daquele Axe de chocolate, não porque acho que aquilo me torna mais macho, mas porque finalmente voltei a beber leite simples.

Nota: Não voltar a colocar a espuma da barba no local do champô. Ou seja, na sanita.

Nota2: Uma camisola de gola alta não dá um bom lençol de banho.

O despertar - Um dia na vida de um inútil

fsnkeqwpow asdaksdj sadas, samnqwp.

São 7.39. Acordei agora, como prova uma frase escrita às escuras. O hálito não ajuda e refiro-me ao meu.

O rádio agora tem o despertador activado na Comercial? Ok, sempre é melhor que a Romântica.

Acho que vou tomar banho. Duas vezes em dez dias não é mau, especialmente com este calor.

26.8.10

Cenas dos Próximos Capítulos: Um dia na vida de um inútil

Como os talent shows estão na moda, eu contraponho com um "No talent Show". Durante o dia de amanhã, num esforço titânico de levar os seus leitores a considerarem a lobotomia como uma actividade a ter em conta para o próximo fim de semana, irei ilustrar ao longo do dia como é a vivência de um blogger de referência*.


*Errata - Como nenhum blogger de referência se mostrou disponível para ser acompanhado por mim ao longo do dia a relatar tudo o que iria fazer, restei eu. Portanto, se não conseguir fugir de mim, amanhã o blog funcionará como uma câmara, mas com palavras.

Da minha marca de sabão favorita, ao conteúdo do meu pequeno almoço, passando pelas habituais trocas de palavras azedas com gente com quem me cruzo, tudo será relatado. A realidade atinge amanhã um ponto baixo.

O desinteressantismo por detrás do mito que nunca o chegou a ser falará mais alto.

Hora a hora, os relatos do horror de uma vida que se adivinha mundana.

Programa de Férias

Estou a pensar tirar as próximas duas semanas de férias. Não porque precise de descansar, não porque o uso da palavra “desopilar” ficasse aqui que nem ginjas, nem sequer por estar a pensar em estar algum tempo sem pensar.

Vou tirar férias a pensar em vocês. Sinto que posso fazer muito mais pelo blog, se tiver os vossos pensamentos e ideias em conta e, sendo assim, haverá melhor do que ter 15 dias inteiros para me focar completamente nessa missão?

Peçam à vontade, peçam sem medo que, se for preciso, passo 15 dias inteirinhos agarrado ao computador, só para tentar fazer o melhor o que sei. Ou o pior, se fizer mais sentido.

Não estão sempre a dizer para ir lá para fora cá dentro?
Portanto, é isso mesmo que eu vou fazer, tudo sem sair do blog.

Tão fácil como ir de A para B

Gosto quando as pessoas utilizam esta expressão. Também gosto quando utilizam a expressão “sui generis” ou “quid pro quo”, mas não me dava muito jeito gastar o latim todo convosco.

Usar A para B como um exemplo de simplicidade é um bocado dúbio até porque, não digam a ninguém, mas A e B podem ser incógnitas. E já se sabe que quando se confia em incógnitas a coisa pode sair errada.

Vejamos o exemplo:

A deve dinheiro a B
B faz-se de esquecido durante vários dias perante A
A é boa gente mas acha que é um abuso da parte B
B continua a fazer de conta, o que irrita A
A resolve confrontar B
B nega a dívida para espanto de A
A pergunta se há casos de loucura na família de B
B ri-se mas continua a negar que deve alguma coisa a A
A chama X e Y que estavam presentes quando emprestou a guita a B
B vê X e Y confirmarem a dívida, mas acha tudo muito estranho da parte de A
A, apesar de lhe apetecer mandá-lo para o C, vai ao multibanco com B
B queixa-se que o multibanco n está a dar talões e que amanhã dá o dinheiro a A
A recusa esperar e vai à procura de um multibanco com talões para B
B leva o caminho todo a dizer que é um exagero da parte de A
A ignora B
B finalmente levanta o dinheiro para pagar a A
A guarda o dinheiro e mentalmente é para o C que manda B
B pede-lhe então dinheiro para o táxi, pois perdeu o autocarro por causa de A
A diz que não tem dinheiro para emprestar, mas que pode oferecer um murro a B
B acha que há uma certa agressividade no ar da parte de A
A acha que é altura de escolher alguém para ficar a falar sozinho e escolhe B.

E é assim a vida de facilidades de A para B

25.8.10

Afinal, nem tudo é mau com Savage Garden

Ao contrário do que eu disse hoje mais cedo, nem tudo é mau se tiver a ver com Savage Garden. Esta é uma excepção e das boas.

A parábola do pastor, das ovelhas e dos Savage Garden

Malaquias era um pastor da nova geração. Ou seja, fazia tudo o que os pastores do antigamente faziam, com duas diferenças – usava um leitor de Mp3 para ouvir música enquanto pastava ovelhas e tinha a mania que, como era novo, sabia muito mais da vida de hoje do que os pastores de antigamente. “Ah, antigamente era uma coisa, agora é outra, que me vão eles ensinar sobre o pasto que eu não aprenda na Internet?” Essa sobranceria e gostar de êxitos dos Savage Garden eram os seus maiores defeitos.

Talvez por isso, naquele dia, tenha feito orelhas moucas ao que lhe diziam os antigos. “Não vás pastar para a beira da estrada nova moço. Saem-te as ovelhas para o meio da estrada e ainda lá vem carro de fora que te faz estrago nos animais e mossa maior na bolsa do teu pai”. Ora, muito gostava aquela gente de agoirar, além disso aquele pasto ficava mais perto de casa e hoje ele ainda queria ver os Morangos com Açúcar.

Foi para lá que foi e enquanto as ovelhas pastavam, várias foram as vezes em que ouviu “Truly, Madly, Deeply”. Até que, do nada, ouviu um chiar de pneus intenso e um baque. Voltou-se e correu para a estrada, adivinhando o pior. “Ai meu Deus, as ovelhas”.
Ao chegar lá viu três ovelhas estendidas sem vida e, 200 metros mais à frente, um carro parado.

Cheio de raiva misturada com culpa, Malaquias cerrou os punhos na direcção do carro e gritou “Que mal é que os bichos vos fizeram hein? Cheios da pressa, cheios da pressa e agora, como é que é? Não querem saber, não é. Bandidos!”.

O carro engatou a marcha atrás e as luzes acenderam-se. Começou a recuar, primeiro lentamente, depois mais rapidamente. Só quando percebeu que não iam travar é que Malaquias se atirou da estrada para a ligeira encosta ao lado. Ainda estava a rebolar, quando ouviu a mala do carro a ser aberta. Levantou-se, dorido, e correu novamente para a estrada. Os corpos das ovelhas já não estavam lá e o carro arrancava lentamente.

“Matam-me as ovelhas e agora levam-nas meus patifes! Venha cá, que eu faço-vos o mesmo, meus medrosos de merda”. O carro seguiu imperturbável.

No meio da estrada, Malaquias continuava a gritar, amaldiçoando a sorte e tudo à sua volta “Isto é que é uma parábola? Matam-se assim ovelhas do nada e ainda por cima roubam-nas? Tudo porque escolhi ser diferente? Que bela moral há de ter esta história”.

Todo sujo e esfolado, ainda com os headphones nos ouvidos, Malaquias parecia um louco e o refrão de “Truly, Madly, Deeply” era a única coisa que se ouvia pelo meio dos seus gritos. Talvez por isso, Malaquias não tenha ouvido o carro dos Bombeiros Voluntários de Riacho Gordo que, não tendo tempo de travar logo depois da curva, só viram um pastor a gesticular no meio da estrada e depois a voar por cima do carro. Cinco meses depois, ainda Malaquias comia a sopa por uma palhinha e via os programas da manhã na televisão portuguesa.

Moral da História – Todas as merdas que te acontecem podem sempre piorar, não só por teres a mania que és esperto, mas especialmente se ouvires Savage Garden.

Palavras que nos animam o dia

Por vezes, acordamos e não nos sentimos em grande forma. Gostávamos de dormir um bocadinho mais, de não ter que ir fazer isto ou aquilo e acabamos por andar um bocado à deriva.

Sem sabermos bem como ou porquê, precisamos de encontrar a pessoa certa, na altura certa para que, com apenas uma ou duas palavras, essa pessoa faça com que tudo entre nos eixos novamente.

Foi assim que nos conhecemos hoje. Eu ia a sair da carruagem do Metro e tu, talvez por seres mais velha e teres ar de azia, achaste que não tinhas que te desviar para deixar as pessoas sair.
A rapariga à minha frente fez um número de contorcionista para tu não teres que mexer uma palha. Eu não fui tão condescendente, não me desviei e deixei que as leis da física fizessem o resto. Tu sentiste o impacto, não muito grandioso, não muito violento, mas com a força necessária para te abanar um bocado e te fazer lembrar que, se calhar, deixaste o civismo em casa.

Segui em frente, mas tu achaste por bem dizer-me alguma coisa sobre o nosso encontro. Falaste baixinho, mas alto o suficiente para te fazeres ouvir.

“Sua besta”.

Sorri e continuei o meu caminho, sem me virar. É bom saber que as nossas qualidades são reconhecidas. Às vezes é tudo o que é preciso para o dia correr melhor.

24.8.10

Sem imagens

Dizem-me que escrevo demais, que não ponho bonecos e o catano.
E eu, pronto, concordo e digo-vos que estou disposto a mudar. Mudar a palavra catano para "camandro", porque o resto fica como está.

Mas, porque sou adepto do diálogo com pessoas civilizadas, creio que tenho de vos continuar a educar, a ver se um dia consigo que cheguem a a essa patamar. Vai daí, uma sugestão diferente - Listen to a movie. Quando vos apetecer reviver filmes e séries sem ver a imagem, só através do audio completo dos mesmos, este é um site a ter em conta. Seja em horário de trabalho, seja para curarem as insónias, fica a sugestão.


Ó Mak, mas ouvir flmes sem imagens, não torna a coisas um bocado, como que dizer, meio rádio-novela, meio idiota?
Claro que sim, mas essa é piada da coisa.

E agora vou ali ouvir os 10 Mandamentos e já volto.

A prenda

Olharam uns para os outros. A pergunta não tinha sido assim tão difícil, mas o problema era mesmo não saberem responder.

“De quem é esta prenda?”

Só quando ele a mencionou é que o embrulho pareceu materializar-se naquele canto da mesa. O papel era de boa qualidade e parecia reflectir tudo à sua volta, como se estivéssemos na presença de um cubo espellhado. Não tinha cartão, não tinha laço e, agora que o tinham visto, só parecia existir ele.

“Então, ninguém se acusa?” Olhou em volta e, entre família e amigos, uns encolhiam os ombros, outros sorriam, mas ninguém respondia.

O bolo chegou à mesa. As pessoas começaram a elogiá-lo, que tinha um ar delicioso, se era caseiro, completando com uma ou outra piada de ocasião. Mas, na mente de toda a gente, continuava a ser aquela prenda o centro das atenções.

“Alto aí. Ninguém come o bolo enquanto não resolvermos isto. Aliás, nem sequer ninguém lambe o bolo, portanto vamos com calma”. A sua curiosidade era superior à sua fome.

“Aquela prenda não estava ali ontem e se hoje está, é porque veio com alguém. Sabem bem que não gosto de brincadeiras, por isso é só dizerem de quem é, que damos continuidade à emissão”.

O silêncio era constrangedor. Era só uma prenda mas, ao mesmo tempo, não era só uma prenda.

Levantou-se do sofá e agarrou no embrulho. Era mais pesado que ele pensou. Dirigiu-se à janela.

“Última oportunidade, vá. Senão vamos ver se a prenda, para além de anónima, sabe voar”.

“Epá, deixa-te cenas” foi um dos seus amigos que falou “Se calhar foi de alguém que já saiu...”

“Não, não saiu ninguém ainda” Abriu a janela.

“Então abre e pronto, acabou-se” A sua prima era sempre muito impaciente.

“Sabes bem que eu não abro prendas sem saber de quem são. Pelo menos desde....”

Todos sabiam desde quando. E nunca se iam esquecer.
“Ok, se ninguém se acusa, vai ser assim”. Colocou o embrulho de fora, certificou-se que não ia ninguém a passar e, sem mais, deixou-o cair antes que alguém pudesse voltar a falar. Voltou as costas à espera de ouvir um baque.

Não se ouviu nada.

Alguém se debruçou na janela “Eish, não está lá nada”. Mais umas pessoas foram até à janela, com ar espantado.

“Bem, vamos então ao bolo”. A voz dele soou com algum nervosismo. Todos se juntaram à sua volta, prontos a cantar os parabéns.

“Paaa-raa..b....” A campaínha tocou.

“Um segundo, um segundo” Devia ser ela, atrasada como sempre. Correu até à porta, pois o toque tinha sido já cá em cima e abriu.

Ninguém.
Tirando um embrulho quadrado, com bom aspecto, que parecia espelhado.


PS - Baseado vagamente no aniversário de alguém conhecido. Pelo menos a parte dos mortos de fome.

23.8.10

Um velho, um banco e uma história

Estava o velho sentado no banco, no seu banco, aquele banco ao qual moldara as suas costas, tal como tinha moldado as árvores do seu jardim. O velho não se sentava ali para passar o tempo, mas sim a tentar ver se o via a passar. Tinha tanto para lhe dizer e o seu próprio tempo já não abundava para gastar.

Chegou o jovem, que era mais jovem por se estar a sentar ao lado de quem era efectivamente um velho e sentou-se no seu banco, pensava ele, mas que afinal era do velho.

“Ah jovem...” começou o velho “...se este banco falasse contava-te umas histórias bem melhores do que aquelas que eu tenho para contar”. Não era a primeira vez que começava uma história assim, mas o jovem tinha ar de vivaço e havia que impressionar.

“Nem precisava” respondeu o jovem a sorrir, como se já tivesse topado o velho “Porque hoje dou-lhe eu uma folga, porque tenho uma história para lhe contar”. O velho abriu os olhos espantado e teria franzido a testa, se os sulcos na sua cara não fossem já por demais carregados.

“Neste banco e neste jardim, as histórias costumam ser de quem já cá está há mais tempo...”

“Pois é avôzinho, mas isto só existe porque fui eu que criei tudo, incluindo este diálogo”
O velhote abriu a boca, mas nem um som saiu à primeira. Finalmente recuperou

“Mas querem lá ver o gaiato! Bateste com a cabeça ou....”
“...depois destes anos todos veio calhar-me Deus ou Jesus aqui ao banco”. Foi o rapaz que completou a frase, para um tal susto do velho, que teria caído se não tivesse já sentado.

“É como eu digo avôzinho, tudo isto só existe porque eu criei as coisas assim e este diálogo não vai ser sobre uma história interminável que um ancião como tu tem sempre para contar”.

“Não vai?” O velhote era um misto de espanto e arrelia “Então vai ser o quê?”

“Vai ser uma história sobre mim. Mas, se me conhecesses, isso nem era preciso perguntares. Saberias que eu gosto de dar uma volta maior, quando podia ir directo ao assunto”.

“Mas então estou aqui a fazer o quê?” O velho parecia agora uma criança impaciente. O rapaz colocou-lhe a mão no ombro, sorrindo novamente.

“Estás aqui para enganar as pessoas. Para que aquelas que não tiverem paciência de ler tudo não percebam que isto tudo é uma maneira muito retorcida de dizer que hoje é quase feriado nacional, porque é o meu aniversário. E que quando eu faço anos, eu crio bancos, jardins, velhos e histórias idiotas só para tornar isso lícito. Percebes agora?”

“Percebo” era o velho que sorria “Percebo agora que és parvo e que é por causa de jovens como tu que este país não vai a lado nenhum. Mas isso tu também já sabias não é?”

“Claro avô Cantigas e é por isso que eu gosto de ti. Não só porque és o meu personagem de aniversário, como bem podias ser eu daqui a 30 ou 40 anos”.

O velho fez-lhe um manguito e levantou-se. Ele que fosse celebrar para o raio que o parta, em vez de ir para ali ocupar o seu banco.

E assim fui.

Então um fim de semana é isto

Para algumas pessoas, o fim de semana é apenas uma altura em que as outras pessoas actualizam os blogs com menos regularidade (não digo conteúdos, porque não gosto de mentir de borla). Para outras, o fim de semana é uma boa altura para fazerem experiências de índole social.

Peguemos numa pessoa, totalmente à sorte, para utilizar como exemplo nesta matéria. Oh, não estava à espera, calhei eu, que acto tão inesperado.

Experiência social de fim de semana 1: Pensem naqueles concursos antigos em que se tentavam enfiar 248 pessoas num Mini, só pelo simples prazer de provar que era possível e que corpos pressionados uns contra os outros num ambiente quente nem sempre é algo com significado sexy. Agora transponham isso para juntar um número demasiado grande de pessoas numa casa demasiado pequena e consideravelmente quente durante um serão inteiro.

Já pensaram nisso? Então esqueçam, porque a experiência não é essa. A experiência consta do facto dessa gente, depois de toda expulsa a altas horas da madrugada, deixar para trás vasilhame suficiente para refazer o Mosteiro dos Jerónimos em vidro. Desçam então à rua, até ao vidrão mais próximo e, para gerarem momentos de puro deleite e boa vizinhança, passem os próximos 15 minutos a atirar garrafas lá para dentro. É uma boa vibração e um espírito positivo que vocês nem acreditam.

Experiência social de fim de semana 2: Escolham o filme com a maior contagem de mortos nos ecrãs dos últimos tempos e com um lote de canastrões que faria inveja em muita sociedade recreativa. Depois, escolham a sessão em que seja possível terem mais gente reunida, no cinema mais potente que consigam encontram na zona suburbana de Lisboa. Depois, sentem-se de lado e apreciem dois filmes ao mesmo tempo.


Aproveitem agora para me contar as vossas experiências de fim des semana, que eu ouvi dizer que isso cura insónias. O que poderá dar jeito, no dia em que eu sofra desse mal.

Se se portarem bem ou, vá lá, tentarem comer com talheres hoje, prometo que às 11.15 vos deixo aqui uma surpresa. Ou então prometo que às 11.15 não cumpro uma promessa, é como der mais jeito.

20.8.10

O Bibliotecário de Babel vai dar livros a granel

Só devido a uma semana de muito trabalho cheguei apenas agora ao conhecimento desta iniciativa do Zé Mário, vulgo Bibliotecário de Babel.
Este grande artista, que consome livros ao mesmo ritmo que eu debito parvoíce vai amanhã, dia 21 de Agosto entre as 10h e as 12.30, proceder a uma oferta generosa de livros de boa cepa a quem os quiser agarrar, em pleno miradouro da Penha de França.

Infelizmente, não sei se poderei marcar presença, mas já contratei dois carregadores e um contentor para lá darem um saltinho. Ainda por cima, dizem que há sumos de morango fresquinhos, mesmo ao lado desta banca improvisada.

Que nunca se diga que neste blog não se fala de cultura. E de como a parvoíce é mais vantajosa que uma boa biblioteca, porque não ocupa espaço.

Ide e enriquecei vossas mentes e bibliotecas. O Zé Mário agradece e olhem que, ao contrário de mim, o rapaz é educado.

Dicas para um turista nada acidental

Suponham que, daqui por um par de dias, serão a minha pessoa. Vou agora dar-vos alguns segundos para recuperarem do êxtase que deriva da mentalização dessa experiência.




Pronto, agora que já estão no papel e coxeiam ligeiramente da perna direita e estão a falar com ênfase nas sibilantes, passemos ao que interessa. Vou, uma vez mais, realizar o meu dia de turismo em Lisboa, cidade onde nasci, cresci e onde vivo. Por norma, pelo menos uma vez por ano gosto de ser turista na minha própria cidade, nem que seja para ter desculpa para usar pochette e sandálias com meias por baixo.

Mas, como sou um tipo que conhece razoavelmente bem a cidade, gosto de me surpreender aqui e acolá, descobrindo coisas novas ou até coisas velhas que não tenham o privilégio de me conhecer. E é aí que vocês, fazendo de mim, podem ajudar. Chutem para aí sugestões culturais, naturais, enfardais, bestiais, secretais, etc e tais, que possam ser interessantes para eu visitar no Mak's Turist Day.

Como é óbvio, qualquer sugestão é lícita, desde que escape ao óbvio.
"Mak e, para além da sensação de higiene duvidosa, o que é para ti óbvio?", perguntam vocês, a fazer de mim, naquilo que já se pode quase considerar uma pergunta retórica.

Coisas tipo Pastéis de Belém, monumentos de três em pipa, miradouros pós-modernos, cupcakes trendy e mais do mesmo. Sejam criativos, como o Mak seria, se fosse como eu, mesmo que fossem vocês. Ah e despachem-se, que só me servem de alguma coisa se for até Domingo.

E mais, num épico de boa vontade, prometo reportagem fotográfica desse dia, algo que só por si já inclui mostrar parte de mim que não costuma fazer parte do cardápio.

Obrigado, vocês são uns anjos. Ou serão uns frangos? Não sei, o que importa é que têm asas.

Clássicos de Verão 6 - Desconfiem de quem sofre de adultismo

Nesta altura eu ainda era jovem e nem sempre escolhia as melhores palavras. Onde se lê "desconfiem" use-se "cilindrem".

Janeiro 2009

Há pessoas que encaram “ser adulto” como se fosse um emprego. Coisa séria, bem regrada, com um manual de etiqueta que é suposto cumprir para não ficar de fora. Afinal de contas, somos todos adultos não é o que se costuma dizer entre adultos.
Ora a mim irritam-me as convenções. Talvez por isso faça o que faço, num ambiente não tão formatado como a maioria das coisas no mundo dos adultos (mas o vírus pega-se). Acho que só deixam de ter um lado mais infantil, pelo menos em parte, as pessoas que afogam a criança dentro delas (e isto não é um processo abortivo condenado por lei) com golfadas de comportamentos ditos adultos.

Ter maturidade e ser adulto não é a mesma coisa. A maturidade é um processo natural, o ser adulto é uma convenção social de coisas que “é suposto fazer”. Posso ser uma pessoa informada e ainda assim não ter que debater ao almoço pelo menos três tópicos nas notícias do dia. Posso gostar de fazer trocadilhos imbecis, sem isso significar que não sei fazer mais do que isso. Posso “ser crescido”, sem ter que ter uma postura grave e ponderada que, ainda assim, não é exclusiva de pessoas com carácter.

Que seja a personalidade de cada um a ditar comportamentos e não as convenções sociais. Só por si o termo convenção já denuncia um grupo de chatos unido para tomar decisões que não lhes competem.
Posto isto, vou ali praticar a eutanásia nuns quantos “adultos” que já morreram e ainda não deram por isso.

19.8.10

A panca do canto gregoriano


As modas são uma coisa engraçada e não me refiro especificamente aos desfiles Victoria’s Secret. Do nada, aparecem no nosso espectro coisas que não lembram ao demo e que nos tentam impingir como sendo cool, que nos vão fazer parecer cool ou que, no limite, convivemos com pessoas que sabem o que é estar na moda e ser cool.

Se no campo da roupagem, há todo um universo profissional por detrás disto, ao longo dos tempos vamos olhando para trás e percebendo que há coisas que não são nada cool, mas que já estiveram na moda.

Deixemos os tamagochis de lado, os bonsais e mais os 30mil gadgets que aqui e ali encontrámos nas mãos de gente que julgávamos mais lúcidos. Deixemos tudo e um par de botas que possa até fazer sentido neste capítulo...

ENTÃO E A PORRA DAS ADAPTAÇÕES EM CANTO GREGORIANO?

Conheço muito pouca gente que tenha ouvido canto gregoriano a sério. Por outro lado, conheço muito mais gente que já foi ao gregório o que também não é dignificante. A verdade é que, na saga dos Enigma e dessa corja, em que um gaja com voz de cama nos debitava palavras sedutoras, com um grupo de monges a cantar ao lado da cama, houve todo um granel de gregorianos a tentar fazer uns trocos.

Associar figuras de monges a estrelas da pop já me parece difícil, até porque raparem o cabelo depois de beberem aguardente de medronho ou sairem à rua todos nus debaixo do hábito já é um ritual diário que não faz vender tablóides. Mas, adaptar Celine Dion? Gravar o Lady in Red ou o How Deep is Your Love em claustro mix? (o link leva directamente ao Inferno, cuidado)

Alguém que não passe os dias a lamber paredes me explica o encanto de ouvir os gregorianos a cantar, sem ser numa igreja e em Latim? Eles, que são crentes, não temerão a fúria do Senhor? E, se se trata de gente a imitar monges, a punição não deveria ser redobrada e incluir corte de genitais com facas ferrugentas?

E as pessoas, que compraram disto de embarda, levaram monges ao topo das tabelas e se sentavam em casa, num fim de tarde de Verão enquanto pensavam “Ah, agora vai mesmo bem é uma limonada fresca e uma faixa de Gregorian Masters a cantar Phil Collins”. Ainda são vivas? Não ganharam juízo e saltaram da varanda ao som de “It’s now or never” pelos Gregorius Supremus?

Não devia ter pensado nisto. Agora enervei-me e vou ter que ouvir Panpipe Moods para me acalmar.

Você, o leitor, decide

Primeiro que tudo, o título do post não revela uma nova fase de formalismo no trato, até porque o leitor sabe que eu não o respeito o suficiente para conseguir tratá-lo com alguma deferência por mais do que um parágrafo.

Em segundo lugar, o título é uma fraude. Até porque se vocês decidissem alguma coisa há muito que este blog se tinha convertido numa espécie de “Diário da Maria”, mas em que os conselhos e perguntas e idiotas teriam sido substituídos genericamente por “coisas idiotas”. Bem vistas as coisas, não estamos assim tão longe disso.

Mas, suponhamos por instantes que tinham voto na matéria e, perante cenários que podem desenvolver, têm o poder de escolher.

Guião ou livro?

Ou, em alternativa, danças exóticas.

18.8.10

Hoje estou um bocado fonzzzzraaauffhhfinzzzz

Há gente que tira férias em Agosto. Há até gente que aproveita até o mês de Agosto para tomar o seu banho anual, grupo no qual espero poder incluir boa parte dos leitores deste espaço.

Eu não. Eu sou daqueles tipos do contra, que mal ouve dizer que a pseudo-pandemia da gripe que não chegou bem a começar acabou, pensa logo “Sacanas, não me vão forçar a não ficar engripado com as vossas conspirações. E vai daí, engripo-me.

E com tudo a que tenho direito. Muco a ansiar pela liberdade, pontinha de febre, noite mal dormida, partes do corpo a queixarem-se de maus tratos e o facto de me tornar um íman de sopa e agasalhos. Para verem o realismo da situação, chutei até uns comprimidos para o bucho (ou seriam azeitonas?) só para realçar um ar de enfermo que emana credibilidade e alguns germes.

E, para que este post fique realmente digno de uma pessoa engripada que merece todo o vosso carinho, incentivos e a ocasional malga de sopa, fiquem com esta declaração assoada a pensar só em vocês:

vrrrruuaaaaaaFOOOMMMMMfsschhhhhFschhhhhVrooommmmmmmmFOOAAAAAAMMMM

raaacckkkkraaaccccckkkFOOOOOOMMMM.


PS - PHESSSSSSH

Clássicos de Verão 5 - Pai Natal, Drama em dois actos

Haverá coisa que tenha mais a ver com o Verão do que o Pai Natal? Bem, se fores australiano, não. E, embora eu não tenha nenhuma costela australiana, ao contrário de alguns tubarões brancos, achei que fazia sentido.


Dezembro de 2008

Cenário - Numa sala, o convívio entre adultos aborrece Mak e uma criança. A criança por não perceber do que falam os adultos. Mak, por efectivamente perceber do que falam os adultos e ver que é gente que fala do que não sabe.
Depois de tentar convencer infrutiferamente a criança de que os adultos vão apreciar serem pontapeados nas canelas, surge uma conversa alusiva a um tema da época.

Criancinha incauta, crédula e, ainda assim, corajosa - Mak, o Pai Natal vive na Lapónia?

Mak - Não, que disparate. Há já uns tempos que vive na Bélgica.

Criancinha (armada em sabichona) - Na Bélgica? Então é belga?

Mak (armado em parvo) - Não, é pedófilo.

Criancinha - O que é um pedófilo?

Mak - Sabes quando os gajos do wrestling se agarram com força, todos suados?

Criancinha - Sim...

Mak - Um pedófilo faz isso, só que se agarra a putos como tu.

Criancinha -Oh, tu és um estúpido!

Mak (infantil, mas ainda assim maquiavélico) - Tu és mais, porque vais ficar com as culpas.

Criancinha - Que culpas???

Mak interrompe a conversa, faz um gesto brusco e derrama, como que inadvertidamente, o conteúdo do seu copo na parte de trás das calças de um adulto, que conversa despreocupadamente por perto. Diz "Então...", olha para a criancinha, mas não a acusa. Os pais, bastante menos perspicazes que o filho, percebem logo tudo, culpam o miúdo e mandam-no para o quarto.

Pedem desculpa a Mak, que diz que não faz mal até porque estava na hora de ir andando, porque tem de ir entregar um filme.
Tudo acaba bem, a criancinha aprende uma lição de vida sobre a injustiça e o tipo de gente com que vai ter de lidar daqui a uns anos. Mak aprende a nunca dar um serão por perdido antes do tempo.

17.8.10

Eu pratico one liners, pelo que me dizem

Dizem aqueles que privam comigo no Facebook, que sou praticante de one liners, tal como este senhor. Deve ser para compensar do facto de aqui no blog praticar too big liners...


Post de fundo

And justice for all



Sou um acérrimo defensor da vigarice e da corrupção, pois considero que se a maior parte das pessoas fosse correcta e honesta, isto não durava muito tempo, até porque o tédio ia ser insuportável. Mas, também defendo que, a fazer trafulhice, que seja com arte e categoria, até porque um aldrabão com nível é sempre muito mais respeitado.

Daí que não me chateie nada com o chamado bluff do chamado aldrabão de circunstância. Este espécime não é um aldrabão de gabarito, mas tenta as suas pequenas obras de arte, seja não pagando o estacionamento público ou tentando viajar em autocarros e/ou Metro sem pagar bilhete. Até aí tudo bem.

Mas, caso sejam apanhados, haja dignidade. Tentaste aldrabar, não compraste bilhete e agora veio o pica? Epá, dá-lhe um abraço e diz-lhe "Bem jogado, mas eu tinha que tentar. Sempre era mais um café que não pagava". Aquele choradinho do "Ah, esqueci-me", "Isto está avariado", "Oh, peço imensa desculpa, distraí-me, tenho aqui dinheiro para o bilhete e tudo" ou "Vá lá, deixe-me lá sair na próxima que eu sofro do Mal de Hansen e, pior que tudo, está-se-me a acabar a cola para as partes".

Não, não e não. Ou te redimes atirando-te de um transporte público em movimento ou poupas a restante população ao drama de mendigares quando te ameaçarem com ires para a esquadra se não mostrares identificação.

Já em relação ao estacionamento, o procedimento é o mesmo. Tens uma senha de Outubro de 2004 ou puseste 50 cêntimos às 9 da manhã e agora são seis da tarde e tens o carro bloqueado? Azar, tentaste e as forças de bloqueio fizeram pela vida. Abraça o fiscal da EMEL e o senhor do reboque e fica com a satisfação interior de eles terem que usar uma farda que não lembra ao demo.
Nada de ameaças ao pobre trabalhador, de dizer que foi muito azar porque só tinham ido trocar moedas ou que os parquímetros estavam avariados. Tentaram e falharam, sejam aldrabões com garbo, ainda que amadores.

Aldrabar é como ir ao Casino. Às vezes apostas tudo no vermelho e sais de lá com um olho negro.

16.8.10

A problemática dos Relações Públicas do Verão

Está aí o Verão. E, por entre fatos de banho, caipirinhas, metade de Portugal a arder e bronzes que oscilam entre o Golden Brown e um Black Coal, há uma raça que prolifera com o calor. São os Relações Públicas do Verão, Errepês da noite de férias, que vão desde anfitriões em cobiçadas casas de Vilamoura, Albufeira e afins, até ao ilustre mestre de cerimónias na Choupana do Barraco da Areia Molhada ou da Disco “Crazy Minds Feel Alright of the Nights” em Vila Nova das Berças.

Diz a doutrina que, para se ser Errepê das noites de Verão, existem alguns princípios básicos que devem ser cumpridos:

- Ter um nome próprio fácil, curto, a pender para o idiota e que seja facilmente retido na cabeça de qualquer troll que frequente o espaço (e do qual nem o próprio se esqueça). Exemplos não polifónicos: Tó, Né, Ná, Mi, Ri, Dé. Exemplos polifónicos: Becas, Necas, Tucha, Gigi, Juju.

- Ter um apelido composto, para as pessoas terem a ideia que a acumulação de nomes confere prestígio. Se o primeiro nome for deveras original, esta última fase pode ou não ser trocado por apenas um apelido curioso. Exemplo composto: Ju Aguiar de Mota H. De Avillez. Exemplo short: Necas Wellenmarchenfunken.

- Ter um gosto excessivo por sorrir na presença de qualquer pessoa, animal, objecto ou arma nuclear, desde que haja uma máquina fotográfica na área. Fazer um implante de sorriso, se tal for preciso.

- Ter que ser obscuramente conhecido por ter feito outra coisa qualquer, que ninguém já se lembra bem o quê. Algo que dê origem a frases como “Ah, o Micas Lopes Teixeira de Vaz, que é Errepê no “Qlub What Da Funk”? Acho que antes fazia não sei quê na área da comunicação, com o outro gajo da televisão”. Ou então, “Ah, a Ná Britolini? Era casada com aquele tipo que jogou no Benfica e depois foi para o coiso no estrangeiro, quando aquele sócio era seleccionador”.

- Ter a capacidade de hibernar ou migrar, quando começa a fazer frio. Poucos são os Errepês de Verão que sobrevivem mediaticamente ao Inverno. Os mais populares, conseguem abrigo em portos da noite que duram o ano todo. Os que lutam, literalmente, por um lugar ao sol têm que hibernar no Inverno.

- Saber dizer de cor os nomes de todas as redacções de revistas cor-de-rosa, fucchia, salmão e afins, das principais até às que acedam a publicar um rodapé com a notícia “Noites de House e Bisca Lambida no Katrefada Bar”. Ou, pelo menos, dizer que se conhece todo o jornalista e fotógrafo do ramo.

Certamente que existem outros, mas enquanto criatura da noite, não me posso arriscar a expô-los, sob o risco de em Setembro não me deixarem entrar na “Au Revoir Summer Party” do Zen Povinho Lollipop Lounge. Arrisquem vocês, se quiserem.

Clássicos de Verão 4 - RIP Cavalheirismo

Esperem um bocadinho que eu já vos conto tudo o que se pode aprender num fim de semana no Algarve. Entretanto, só para ser irritante, fiquem com um clássico de Verão. Ah, e estou disponível para apedrejamentos.

Agosto de 2008

É certo e sabido que o cavalheirismo foi inventado por um homem. Nós, os machos, temos por hábito criar coisas que não percebemos muito bem e que mais cedo ou mais tarde acabam por se voltar contra nós. Daí que seja justo que seja um homem a desligar a máquina que mantém o dito cujo ligado à vida.

Há muito que o cavalheirismo, no sentido romancista da coisa, deixou fazer sentido numa sociedade que se diz igualitária e em que há pouco tempo a perder. Como é óbvio, há que separar o cavalheirismo do facto de ser educado e da paixão. A educação é válida para todos e a paixão torna os actos mais estúpidos justificáveis, tanto para o homem (incluindo imprimir este texto para mostrar à namorada) como para a mulher.

Homens e, especialmente, mulheres que ainda sejam adeptos intransigentes do cavalheirismo é gente que ficou congelada em glaciares sociais há já algum tempo. A emancipação feminina tornou-a mais sofisticada (embora o bigode não esteja erradicado), com um nível de educação superior (em Portugal há mais mulheres licenciadas do que homens e entre a população empregada com curso superior elas também dominam) e nivelou um pouco mais a balança social. No entanto, curiosamente ou não, as mulheres continuam a considerar um exclusivo masculino o chamado acto cavalheiresco.

Nos dias que correm, enquanto muitas outras coisas seriam consideradas machismos, continua a ser essencialmente dos gajos a responsabilidade de oferecer flores (no hospital não conta e em funerais muito menos), abrir portas de carros, puxar a cadeirinha para sentar ou assegurar o pagamento da conta do restaurante.
Bradarão, indignadas, algumas senhoras - É educado, só te fica bem e aumenta as probabilidades do cavalheiro não adormecer abraçado apenas à almofada (isto para os casos com intenções marotas como pano de fundo).
Concordo plenamente, mas isso devia ser válido para meninos e meninas. Experimentem ser cavalheiras e fazer algumas das coisas que referi anteriormente, nem que seja uma vez (ok, troquem as flores por uma garrafita de vinho) e vão ver como a rapaziada fica reconhecida e, na volta, até cora (antes do efeito do vinho).

Se a coisa não correr bem pelo menos tentaram, e ficam a ter uma pequena amostra das figuras que os homens andam a fazer há séculos só para ficarem bem na fotografia. Da minha parte não vai haver problema, sei muito bem que não há almoços grátis, mas não digo que não a jantares gratuitos.

13.8.10

Um fim de semana de morrer

Ora bem, eu vou agora a caminho do Algarve, passar um fim de semana à maneira e vocês estão aqui. Como tal, achei apropriado deixar aqui uns belíssimos dez minutos de um grande senhor a descontextualizar aquilo que é a morte.

Espero que gostem, nem que seja para matar o tempo.



Apropriadamente, o senhor está morto.

A suspensão da descrença


Para além dos pimentos, há uma coisa que me atormenta: a desconfiança geral com que encaramos o nosso semelhante. E por nosso entende-se o vosso que, para bem da paciência de muita gente, é bom que não se encontrem semelhantes a mim.

Traço geral, somos desconfiados no quotidiano, muitas vezes por defesa pessoal e, se eu fosse abordado por mim, também compreendia essa reacção perfeitamente. Mas, há no meio literário/cinematográfico/artístico um conceito muito interessante que pomos em prática regularmente na nossa relação com estes meios, mas muito menos no que toca à nossa vida real.

Refiro-me ä suspensão da descrença. Quem quiser saber mais sobre o assunto, que clique no link, quem quiser uma definição básica – é a nossa capacidade de nos deixarmos levar por um argumento/história que vá para além daquilo que são as nossas convenções racionais. Por exemplo, num filme, “Ah, isto é tudo falso, vampiros não existem” é secundarizado pelo nosso envolvimento com a história, à qual damos mais valor. Sacrificamos a racionalidade mais óbvia em favor da satisfação que nos é dada pela vivência da história.

Se conseguíssemos usar mais vezes a suspensão da descrença na nossa vivência diária, certamente tiraríamos mais gozo de certas situações da vida.

E não digo isto por estar interessado na vossa satisfação pessoal ou por um súbito acesso de bondade epidémica. É que eu tenho muita coisa para vos tentar impingir e custa-me que estejam sempre desconfiados em relação à minha pessoa. Afinal de contas, eu só quero os vosso bens.

Clássicos de Verão 3 - O síndrome do prisioneiro

Antes de mais, gostaria de dizer que não tenho qualquer formação em psicologia, tirando algumas cadeiras que visitei durante a faculdade e um trabalho de Verão para cobrir as férias do Professor Bambo. Aliás, posso até acrescentar que tenho a impressão de que uma boa percentagem das pessoas que tiram cursos de psicologia fazem-no um pouco no âmbito do espírito “Arranje você mesmo”, derivado de alguns problemas por resolver e eu os meus quero deixá-los à solta.

Posta esta introdução, vamos ao que interessa – Há em mim um interesse pela natureza humana nas suas facetas mais absurdas, em conjunto com uma imaginação mais fértil que os terrenos da Mesopotâmia antiga, o que me permite conjecturar teorias sobre quase tudo.

Daí foi fácil chegar ao Síndrome do Prisioneiro que, mais do que uma teoria, é um aviso. Ora vejamos, um preso que esteja muito tempo numa cela com um companheiro sujeita-se a isto – Ao início, o companheiro, um troll de primeiro, pode parecer-lhe um perfeito anormal que lhe causa repulsa. Ao fim de uns tempos, o prisioneiro começa a dar um desconto ao companheiro “Ele afinal não é tão mau, teve foi uma infância difícil. E aquela tatuagem com um esqueleto a violar a Madre Teresa tem a sua piada”.
Conforme o tempo vai passando, o antagonismo vai-se esbatendo, já que a falta de escolha e de tempocondiciona a vida social. Não será difícil que, salvo danos maiores, os defeitos do companheiro, inicialmente um facínora, sejam agora perfeitamente justificáveis e ele tenha agora outro “papel” no nosso coração. Qual? Depende da pena e do desespero...

Transporte-se este cenário para a vida de muita gente à nossa volta. Salvo aqueles que conseguem manter a sua vida social em patamares de alta competição, estamos a maior parte do dia confinados aos mesmo espaços. Com base nisso, temos já terreno para chegar ao Síndrome do prisioneiro. Em escritórios, adegas cooperativas, instituições estatais e não só surgem todos os dias exemplos de uma epidemia deste Síndrome. Nos casos mais graves, gente que se odiava vive agora relações tórridas, nas maleitas mais suaves, é só fruto da falta de tempo.

O que é que eu tenho a ver com isso? Em teoria, enquanto parvo opinativo, tudo. Na prática, mal me comece a sentir afectado e comece a ver qualidades onde antes só via defeitos, a solução é simples – emigro.

12.8.10

Encontros, noites e aprendizagem

Sou uma pessoa que, na sua ânsia de dramatização e ironização, tira muitas referências de filmes (como se já não bastassem as cenas tristes que compõem a minha existência). Talvez por isso, era ainda petiz, fixei esta cena particularmente bem para retirar daí alguns ensinamentos futuros. Não só ajudou, como eu próprio já usei a estratégia "Eu sirvo o Diabo", só para assustar alguém.


Querida, ajuda-me a escolher roupa para um assalto


Zé Manel – Querida, vou sair agora para o banco.
Querida – Ó Zé, mas vais assim?
Zé Manel – Assim como?
Querida – Com essa gabardine suja e esse cabelo todo desgrenhado... Tudo bem que é um assalto, mas um bocadinho de aprumo não faz mal a ninguém.
Zé Manel – Mas querida, agora não tenho tempo, está tudo planeado...
Querida – Ó Zé...francamente. Vá, é um instantinho, passa lá no quarto, dá lá um jeitinho, vá.

(Zé vai ao quarto)

Zé Manel – E assim querida, vou bem?
Querida – Ai Zé, mais valia não teres ido. Essa pistola não condiz nada com esse fato de macaco...E o que é isso com a máscara de palhaço??? Vais ao banco ou vais ao circo? Isto para não falar que pode haver crianças no banco e nem todas gostam de palhaços.
Zé Manel – Opáaaa. Já estou atrasado. Não pode...
Querida – Não Zé, não pode. Nem parece teu pensares assim. Vai lá, pensa um bocadinho e pronto, não custa nada. Vais lá para roubar, não é para passares vergonhas.

(Zé volta ao quarto)

Zé Manel – Querida, tem que ser desta.
Querida – Deixa ver...Bem, das galochas não gosto muito, mas acho que esse roupão até dá um toque caseiro à coisa. Do género, venho fazer um assalto mas até podia ser da vossa família. Chateia-me é que não tenhas feito a barba, ficas com um ar mastronço.
Zé Manel – Ai mãezinha....
Querida – Sim, se a tua mãezinha fosse viva, queria mesmo que fosses a um banco fazer um assalto com a barba por fazer. Vê-se logo. Vá, vai lá buscar uma das minhas meias de seda para meteres na cabeça e, pronto, roubas só o mini-mercado, que ao menos é do bairro e as pessoas já estão habituadas.
Zé Manel – O mini mercado?? E o banco?
Querida – Vais roubar bancos, quando te souberes vestir à altura. Agora vais ao mini mercado, não te ponhas a disparar para o tecto, que as balas são para poupar e, já agora, trazes meia dúzia de ovos e 1 amaciador para cabelos espigado.
Zé Manel – Ok, querida....

Clássicos de Verão 2 - O Amigo do INE

Mais uma volta, mais uma viagem, mais uma reedição de um clássico.

Outubro de 2007
Censo Comum


Prosseguindo nesta fase muito humana da minha verve, debruço-me hoje sobre o facto da maior parte das pessoas que sofre do mal de ter (ou pensar que tem) amigos, ter nesse mesmo lote alguém que trabalha no INE.
Enquanto se questionam se eu já nasci assim ou fui vítima de grave acidente, deixem-me esclarecer: o amigo do INE, que já estão a negar à partida conhecer, não é necessariamente um funcionário dessa nobre instituição dedicada às artes estatísticas, apenas se comporta como tal.

“Caramba meu biltre, muito gostas tu de metáforas de cariz duvidoso”, replicam vocês, insistindo em não ficar calados ao ler os meus textos. Antes metáforas do que restaurantes desse género, avanço eu sem grande mestria, tentando voltar ao tema.
O amigo do INE é aquele que disseca a nossa/vossa vida, sem que tal seja sinónimo de preocupação pela mesma, mas sim de uma curiosidade mórbida por factos e dados específicos, essencialmente sobre bens materiais. É aquele personagem que troca o “Olá tudo bem”, “Que é feito de ti?”, “Vamos beber um copo?” ou “Como é que estão os teus pais?”, por coisas simples e amistosas logo de entrada, como por exemplo: “Então estás a trabalhar onde? Ganhas quanto, limpo?, “Já compraste casa? Quanto pagas, por quanto tempo?”, “Vives sozinho ou com a tua namorada? Possuem carro próprio? Cada um?” (esta, há provas que a pergunta foi literalmente feita assim a uma dada pessoa, não é invenção pura) e muito, muito mais.

Embora defensor acérrimo do materialismo, visto não ter muito a esperar da vida em termos de espiritualidade, este tipo de abordagem melindra-me um bocado o sistema, especialmente porque tendo-se na conta de “nossos amigos”, muitas vezes esta gente dispensa os rodeios de nem sequer se disfarçar a avidez de informação.
“Tens quantos ténis de marca?”, “Essas férias ficaram-te por quanto?”, “Os implantes de silicone da tua irmã foram feitos onde e por que verba?” são temas naturais e essenciais para o amigo do INE, sempre abordados com um sorriso nos lábios. Para mim não colam. As pessoas que fui dado a conhecer, e que faziam deste registo uma constante, posso dizer que hoje não constam do meu cardápio de contactos regulares.

Já agora, em média, quanto é que vocês ganham?

11.8.10

Porque nem toda a gente me segue

...no Facebook, andam a perder imbecilidades deste gabarito:

Paradoxos da vida - Embora nas bombas de gasolina sejamos nós a usar as pistolas, são eles que passam a vida a roubar-nos.


(a frase não é igual, para que alguns picuínhas tenham assim bases para protestar)

Ter ou mostrar que se tem, eis a questão


Nos dias que correm, há um chip qualquer em muita gente, que as leva a pensar que não basta ter algo para isso se tornar satisfatório a um nível mais que suficiente. É preciso mostrar que se tem e, por mostrar, entende-se aqui a coisa como algo ostensivo e pouco natural.

E isto é válido da coisa mais ínfima, ao aspecto mais colossal, do livro que se leu à vivenda colossal que se comprou. As coisas só ganham importância se existir uma plateia e se, pelo meio, se puder fazer inveja a dois ou três.

Como não vou começar para aqui a gabar-me da minha vida fantástica, de todo o meu património cultural, material e neanderthal só para vos deprimir ainda mais, deixo-vos um exemplo que ilustra um pouco esta história. É uma piada antiga, mas dentro da validade.

Um indivíduo está a fazer um cruzeiro e o barco vai ao fundo. Acorda numa ilha deserta com a Heidi Klum ao lado, também ela vítima do mesmo acidente. Depois de umas semanas a conhecerem-se melhor e a sobreviver em conjunto, acabam enrolados.
Tudo corria bem, mas passadas umas semanas, o gajo começa a ficar triste. Heidi tenta de tudo, incluindo proezas sexuais inauditas, lutar com animais selvagens para lhe cozinhar uma refeição decente, etc. Nada resulta
Finalmente ela pergunta-lhe “Sei que estás muito triste. Diz-me o que é preciso para te fazer feliz e eu faço”.
E ele “A sério? Tudo?”. Ela concorda.
Ele “Então, se faz favor, pedia-te que cortasses o cabelo muito curtinho e guardasses uma farripa de cabelo. Depois, vestias aquele fato que veio dar à costa outro dia, com a gravata, punhas a farripa como bigode e vinhas ter comigo. Não estranhes se eu te chamar Vasco.”

Heidi pensou que ele estava maluco, mas acedeu a tudo. Já de cabelo curto, farripa a fazer de bigode e fato e gravata, foi ter com ele. O ar ansioso do artista dizia tudo.

Heidi “Então, cá estou.”
Ele (excitadíssimo) “Epá Vasco, há tempos que não te via, ainda bem que apareceste. Epá, tenho de te contar já uma coisa...Não adivinhas quem é que eu ando a comer – A HEIDI KLUM, meu!”.


PS – A foto foi só para dar contexto, claro está...

Clássicos de Verão - A p*ta da criatividade

O Verão é altura de calor, gente descascada, calor, praia, calor, férias e, nalguns casos, mais calor. É também chamado de silly season ou, no caso de um amigo meu com problemas de ouvido "billy season".
Aqui no pasquim, o Verão é também tempo de memórias e, por isso, vou ressuscitar alguns textos mais antigos só para dar um look retro cool e mostrar às pessoas que se acham que isto é mau agora, antes era pior. Não vai ser reciclagem pura, porque vou misturando o velho com o novo, mas vai ser tipo festa dos 80's em que os maus penteados dão lugar a maus floreados linguísticos.

Maio de 2007
A p... da criatividade - Uma reflexão sobre insultos

É minha convicção que, em termos de vocabulário, estamos numa época de facilitismo. Simplesmente, a malta não se esforça e há muito que é necessária uma lufada de ar fresco.
Refiro-me especificamente à linguagem mais ofensiva, aos insultos e expressões carroceiras. Se é certo que em termos de derivados vão surgindo novidades, há um núcleo duro de sete palavrões que se mantém presente no léxico nacional há resmas de tempo e que, dada a sua trivialização e aceitação geral, no meu entender já mereciam uma votação para eleger o melhor de sempre e depois a subsequente criação de novos sete palavrões-maravilha de Portugal.
Eis uma pequena descrição dos sete candidatos, sendo a ordem numérica aleatória (o seu disfarce não se deve a pudores, mas sim a evitar que ainda mais gente doentia que passa pelo Google cá venha parar):

1- P*ta – inicialmente utilizado para designar a profissional do amor, derivou para o ataque pessoal à mãe do interlocutor ou para qualquer elemento do sexo feminino passível de ser atacado com o mesmo. A recente massificação do sector gay derivou esta palavra também a utilização em relação ao sexo masculino. Tem também características impessoais quando associada a factores específicos (ex: sorte, azar). Combina bem com o 4 e o 5 para reforço de intenções.

2- Panel**ro – Durante anos rivalizou com o mais popularucho “maricas” para designar os homens que defendem que a espuma de barbear foi feita para partilhar num ninho de amor. Ganhou preponderância ofensiva possivelmente nos anos 80, com o advento da SIDA, dos maus penteados e da música pop. Embora tenha perdido alguma força, é ainda uma boa forma de questionar a masculinidade do interlocutor. O seu índice de promiscuidade é elevado, ligando bem com quase todos os outros, tirando talvez o 1 e o 6.

3- Cabr** – Referência lendária para o universo masculino. Numa primeira fase focado na classificação do indivíduo vítima de faena marital, expandiu-se em larga margem, acompanhando de certo modo a emancipação feminina, mas sendo também bem recebido como arma de arremesso para homens. Hoje em dia, está em pleno vigor, servindo para qualquer mulher classificar um homem que esteja longe da santidade e para qualquer tipo classificar outro que lhe deva dinheiro ou, em casos mais grave, explicações pelo facto de este estar em boxers na cama com a namorada do outro. Liga bem com 4 e 5.

4- Car*lh* – Um dos dois pilares de ligação no mundo do insulto. E é curiosa a utilização da palavra pilar, já que inicialmente o termo definia de modo brejeiro o órgão sexual masculino. A sua expansão deriva não só das suas capacidades associativas com quase todos os outros palavrões, como da sua generalização que faz com que tanto possa ser usado como interjeição de charme para concluir frases, como adjectivo superlativo de qualidade (ex: foi um concerto do c. ou aquele restaurante não valia um c.) ou para definir um vizinho que insiste em ouvir Tony Carreira alto e bom som. Pela sua correspondência em mercados externos pode continuar a dar cartas durante muitos anos.

5- M*rda – O pão nosso de cada dia. Elemento de ligação por excelência, a sua trivialização levou a que já tenham sido feitas petições para desqualificá-la como insulto. Numa primeira abordagem, este termo ilustrava de modo pitoresco as propriedades da matéria fecal. No entanto, por arte de transmorfismo passou a conferir a pedido essa mesma propriedade a tudo e mais alguma coisa, incluindo a este post. Hoje em dia, a sua utilização é tão vasta que tanto serve de desabafo, como para travar quem não os pare de fazer (ex: deixa-te de m.), partilhando com o 4 a projecção internacional, porventura mais poderosa no seu caso dado que é mais aceite socialmente.

6- C*na – Correspondente feminino do 4, tem também base na anatomia de taberna. No entanto, a sua ramificação fez com que aspirasse a novos vôos, sendo utilizado como recomendação de destino de férias junto de algum parente feminino do visado e também para definir indivíduos parcos em coragem. Tem menos força que alguns dos outros candidatos visto ser quase exclusivo do sector masculino, mas tem aí bastantes adeptos. O seu fraco poder relacional pode pesar na sua projecção final.

7- F*der – Ao princípio era o verbo. O facto de ser o único verbo nesta lista confere-lhe uma propriedade dinâmica e multiplicidade de formas que o deixa em boa posição. Aliás, o próprio termo posição é-lhe muito próximo, visto ter a sua génese no ajavardamento do acto sexual. Mas, podem ir fazê-lo todos aqueles que pensem que este candidato se limita a essa actividade redutora. Derivando para adjectivos de dificuldade, interjeições ou simples recomendações de actividade, este insulto massificou-se ao longo dos anos. Curiosamente, é hoje mais mal visto pela sua utilização em relação ao seu propósito básico, do que em muitas das suas outras aplicações.

Estamos a abertos a votos, propostas, troca de insultos e eventuais parcerias para dinamização da votação.

10.8.10

A mudança (conclusão)

Uma semana depois, estava Carlão a ler “A Bola” na sua paz interior, quando Carlota o interrompeu, de forma autoritária “Carlos Eusébio” (o segundo nome, como sempre, era sinal de coisa séria e raspanete) “Vamos à clínica”.

“Mas então Carlota, que se passa?”,
“Isto assim não dá. Sou eu que faço tudo e tu nem sequer te interessas por nada....”
“Mas Carlota, pensei que era assim que ia ser...foi por isso que mudámos”.
“Pois é, mas eu não me estou a ver ter esta vidinha. Bem sei que fizeste tudo para me dar a ideia que não querias mudar, só para eu querer e agora só queres é boa vida, não é Carlão?”
“Mas, tu é que querias mudar, sair aí para fora, mostrar-te ao mundo. Não era esse o caminho da felicidade?”
“Não me venhas com falinhas mansas Carlos Eusébio. Vamos à clínica reverter o processo e é já”.

Contrariado, Carláo lá foi, resmungado para dentro, que por fora era Carlota quem ia reclamando da sua falta de empenho em fazer que as coisas resultassem. Uma vez na clínica, Carlota falou com o médico que tinha acompanhado o processo.

“Sr. Dr, esta mudança não resultou. Como ainda estamos nas duas semanas do período experimental, queria reverter o processo.”
“Mas, Carlota, as coisas não funcionam assim.”
“Eu sei que não funcionam. O Dr sabe lá o que é ter um homem dentro de si, sem fazer nenhum, que nem se preocupa minimamente com o que eu faço ou deixo de fazer. Quando era ao contrário, não era assim....”
“Pois, mas foi por isso que chegámos à decisão de mudar. A Carlota sempre foi a força motriz, o Carlos seria sempre aquilo a que, em jeito de brincadeira, se pode chamar um banana sem chama, sempre a fingir.
“Ó Dr, olhe que eu daqui oiço” Carlão podia já não ter muito a dizer, mas não estava ali para ser enxovalhado.

“Desculpe lá Carlos. Olhe, Carlota, vamos fazer assim” o médico tinha um bonito sorriso e até era interessante para a idade, segundo Carlota. Para Carlão, era o carro dele que era interessante. “A Carlota tem que se afirmar, mas tem que perceber que o Carlos também é parte de si, com as suas diferenças. Pode não parecer, mas ele preocupa-se, nem que seja porque é você que o alimenta. Viva a sua vida, mas de quando em vez, deixe-o vir brincar um pouco cá fora. Só assim, ficarão ambos mais satisfeitos”.

“Bem me podias deixar ir à bola, de vez...” Carlão pensou que podia aproveitar.
“Carlos Eusébio, isto não é altura para isso. Olhe, muito obrigado Dr, vamos tentar então fazer as coisas funcionar dessa maneira”. Carlota levantou-se e deu uma palmada forte nas costas do médico, que até estremeceu.

Apesar da vida nunca ser bem aquilo que parece Carlota lá arranjou forma de ser feliz, dando aqui e ali um espacinho ao Carlão, para que este pudesse arejar um pouco. Era essa a razão porque, entre outras coisas, todos os quinze dias nos relvados da Torre de Belém poucos se metiam com aquela gaja de 1,80m que costumava jogar a central nas peladinhas da rapaziada. É que podia ser o Carlão que ainda ia dar uns toques, mas era da Carlota a moer-lhes a cabeça que eles tinha medo, apesar dos saborosos rissóis de camarão e da quiche lorraine que ela fazia para comerem todos depois do jogo.

A mudança

Carlão, à primeira vista, era macho certificado. Cuspia no chão quando a ocasião assim o requisitava, metia-se com as miúdas todas a piropos de garrafeira e sabia até enunciar os onze iniciais de todas as equipas da Superliga.
O problema do Carlão passava-se no interior, era uma questão de arrendamento. É que dentro de Carlão vivia Carlota, moça moderna e bem espigadota, que controlava muito do que Carlão queria e muito o obrigava a fazer, daquilo que a ela lhe interessava.

Em profunda infelicidade vivia Carlão, que por um lado queria ir com os amigos à bola, por outro não sabia que verniz combinava bem com a cor do seu clube ou qual o cinto que melhor ia com a camisola. Toda a vida tinha sido assim, Carlão ia por um lado, pelo outro estava Carlota e no meio disto tudo estava uma vida em que a bota não dava com a perdigota.

Carlota pressionava: “Já tiveste o teu tempo para tentar ser feliz e não resultou. Bem podias fazer as coisas acontecerem...”
Carlão que, como todo o macho, tinha genes de teimoso, empatava “Não sei e depois, como é que era com a rapaziada....”
Carlota “Se não fosses eu, dizia que não te conhecia. Sempre a pensar nos outros e tão pouco tempo para pensar em ti, ou melhor, em mim”.

Finalmente, Carlão concordou em deixar Carlota ficar ao volante. Meses e meses de tratamentos, operação marcada, mudança feita. “Finalmente, um pouco de paz” suspirou Carlão, agora arrendatário do interior. Mas Carlota, sendo mulher, tinha algo em si de eterna insatisfeita.

(continua)

Cenas da vida de Jesus da Reboleira

Jesus carregava a cruz de ser Jesus. Não era o da Nazaré, não era o do Benfica, era apenas o Jesus da Reboleira. Desde pequeno que tinha o seu próprio Calvário, ouvindo piadas em loop na escola: "Jesus, multiplica-me o lanche", "Jesus, transforma-me o copo de água em Coca-cola", "Jesus, apresenta-me um gay mago".

A sorte também não o ajudava. A sua mãe andava no ataque, pelo que cresceu também a ouvir piadas do género "Ah, Jesus é filho de Deus...Orlando, Ramiro, Manolo, dois turistas de Newcastle e do Faísca". Tudo suportou, afogando muitas vezes as suas mágoas comendo o seu bolo favorito, coisa que tinha que fazer às escondidas, uma vez que eram madalenas. E ver Jesus a comer uma madalena já dava pano para mangas...

Seu pai ofereceu-lhe uma vez um cão chamado Lázaro. Por uma vez Jesus quis ser como o outro, gritando uma vez e outra "Levanta-te e anda Lázaro". No entanto, não é fácil para uma criança perceber que isso não funciona quando o pai lhe oferece um animal empalhado.

Já na escola secundária o Dr.Pôncio, director da escola, nada fez para evitar a sua expulsão, quando um colega chamado Herodes o acusou de bater no seu primo Eugénio.

No seu primeiro emprego como jardineiro da Câmara, o presidente Judas despediu-o depois de se ter recusado a cortar umas figueiras com que este embirrava. Uma vez, estando com o copos, tentou caminhar sobre a água e a coisa não correu bem. Pudera, estava no Oceanário

E assim corria a vida a Jesus da Reboleira que, por mais que fugisse, não conseguia escapar ao destino de se ver ligado pelo nome a uma história que não era a sua. Depois do parco milagre de ter transformado alguns euros em diversas cervejas, estava sentado no passeio quando foi abordado por um indvíduo de túnica:

"Porquê essa cara Jesus?"
"É mais, porquê este nome...mas o que é que isso te interessa".
De repente, surgiu uma luminosidade estranha em volta do indivíduo e a sua voz ecoou pela rua deserta.

"Porque carregas o meu nome e a tua vida tem assim um paralelo à minha." Terminou com um sorriso bondoso, capaz de comover o coração mais empedernido.
Jesus, o da Reboleira, levantou o olhar e levantou-se, com um sorriso incrédulo. "És mesmo tu Jesus?". "Sou mesmo eu, Jesus".

"Posso fazer-te uma pergunta?" arriscou o oriundo da Reboleira.
"Claro, desde que não seja sobre os Mistérios da Criação e a vontade do meu Pai."
"Nada disso, é uma coisa mais simples. Queria perguntar-te se aquilo de dares a outra face, acontecesse o que acontecesse, era verdade?"

"Foi, é e será" A resposta de Jesus, que não o da Reboleira, teve o toque divino que só ele conseguia dar.

"Ah" disse Jesus da Reboleira "Então não levas a mal isto", disse ao mesmo tempo que lhe afinfava um soco no nariz. Combalido, Jesus olhou para a sua túnica e viu um fio de sangue. "Epá, esta estava lavadinha".
"E vem cá confraternizar outra vez, que apanhas mais" gritou Jesus da Reboleira, afastando-se pela calçada.

Era o que mais lhe faltava, uma vida inteira a levar com a mesma cassete, para depois ainda ter que gramar espectáculos ao vivo.

9.8.10

Realidade vs Ficção

Já estive numa situação semelhante.









Infelizmente era uma tournée de halterofilistas búlgaras.

Falar a sério tem piada

Um dia perguntaram-me: "Ouve lá, mas tu nunca falas a sério?"
A resposta foi simples: "Sim, muitas vezes. As pessoas é que preferem ouvir as coisas como se fossem uma piada".

Complexo de Peter Pândega


Diz-se que há por aí muita malta a sofrer disto. Marmanjões e marmanjonas, que insistem no regabofe, nunca dizem que não a uma festa, a uma saída, a uma corrida em saco de batatas ou a atirar balões de água. Grandes malucos e malucas, com alguma idade para ter juízo, mas que se agarram à sua juventude com unhas, dentes e outras extremidades corporais que consigam usar para o efeito.
Ser jovem de espírito é algo recomendável, mas isto dito por um gajo que tem a possibilidade de ir trabalhar de calções no Verão, cheira a justificação barata. Mas, haverá porventura uma barreira entre o que é ter um espírito jovem e ter dificuldade em assumir um papel mais adulto, quando o BI já o recomenda de quando em vez?

Se estão à espera de uma resposta iluminada, tentem blogs com profundidade superior à de uma piscina de crianças, que isto aqui é rasinho, rasinho.

Como é óbvio, tenho uma teoria manhosa, que tem a ver com o facto da nossa geração, traço geral (excluindo duros como eu, que foram amamentados com leite de cacto e tinham um berço de arame farpado), ter sido muito mais mimada e apaparicada por paizinhos e família. O número de filhos reduziu-se nos lares e o número de crianças levadas ao colo até, pelo menos, aos 30 anos aumentou exponencialmente. Nestas condições, a maturidade tem, por vezes, alguma dificuldade em encontrar almas gémeas que ainda não usem placa.

Quer isto dizer que devíamos ficar todos em casa a ver o Preço Certo e a deixar que alguma flatulência inesperada seja o ponto alto do serão, enquanto ouvimos peças de Bach, concertos de Rachmaninoff e recitamos Florbela Espanca?

Não.
Quer dizer que espírito jovem e imaturidade não são a mesma coisa, por muito que se brinque ao Carnaval e se mascarem estas coisas.

Pronto, creio que não tenho mais temas minimamente sérios para abordar até final do ano.

8.8.10

Moda Bota Fora

Ou a RTP1 está sintonizada no Entroncamento ou esta cópia do programa das roupinhas é das melhores séries de comédia nacional que tenho visto.

7.8.10

Para hoje, divertimento cultural e educativo




Há alturas em que um tipo tem que se recolher, respirar fundo e investir no seu lado mais espiritual e introspectivo.
A todos esses tipos, eu depois logo conto como foi.

De volta às lides

Depois de uma corrida intensa e de testemunhar um post que quase rivaliza com os meus é altura de dizer. "Fui lá, mostrei quem era e voltei intacto".



Agora é só ver quantas das pratas aqui da casa foram surripiadas...

Discurso da vitória

"Olá, Blogosfera!

Se alguém aí ainda dúvida de que a Blogosfera é um lugar onde tudo é possível, que ainda se pergunta se o sonho de nossos fundadores continua vivo nos nossos tempos, que ainda questiona a força de nossa blogocracia, esta noite é sua resposta.

É a resposta dada pelas filas que se estenderam ao redor de blogs e facebooks num número como esta blogosfera jamais viu, pelas pessoas que esperaram três ou quatro horas (que a net anda lenta, deve ser do calor), muitas delas pela primeira vez nas suas vidas, porque achavam que desta vez tinha que ser diferente e que suas vozes poderiam fazer esta diferença.

É a resposta pronunciada por amantes de sapatos e intelectuais políticos, sedutores adeptos da cantiga do bandido e bloggers que escrevem em versão twitter, grávidas bloggers e baby-bloggers, blogs com layouts negros, com links externos, sem links, com seguidores e sem seguidores, defensores de pools e censuradores de comentários, incapacitados ou não-incapacitados.

Bloggers que transmitiram ao mundo a mensagem de que nunca fomos simplesmente um conjunto de páginas escritas ou um conjunto de blogs com fundo branco ou preto, e os outros.

Somos, e sempre seremos, a Blogosfera.

É a resposta que conduziu aqueles que durante tanto tempo foram aconselhados por tantos a serem info-excluídos, temerosos e duvidosos sobre o que podemos conseguir para colocar as mãos no arco da História da Blogosfera  e torcê-lo mais uma vez em direcção à esperança de uma Internet melhor.

Demorou um tempo para chegar, mas esta noite, pelo que fizemos nesta data, nestas eleições, neste momento decisivo, a mudança chegou à Blogosfera.

Esta noite, recebi um telefonema extraordinariamente cortês do blogo-senador Mak, o Mau.

O blogo-senador Mak, o Mau lutou longa e duramente nesta campanha. E lutou ainda mais longa e duramente pela blogosfera que ama. Aguentou sacrifícios pela Blogosfera que sequer podemos imaginar, desde aturar ressabiadas sem sentido de humor, comentadores que dão erros ortográficos e anónimos com pilinha pequena. Todos nós beneficiamos do serviço prestado por este líder valente e abnegado.

Parabenizo-o por tudo o que conseguiu e desejo colaborar com ele para renovar a promessa deste blog durante os próximos meses.

Quero agradecer ao meu parceiro nesta viagem, um homem que fez campanha com o coração e que foi o porta-voz de homens com os quais cresceu nas ruas da palma, nº 5 e com os quais viajava em sonhos e delírios de volta para sua casa em Pipocawood, o vice-presidente eleito dos EUA, Pipoco Mais Salgado.

E não estaria aqui esta noite sem o apoio incansável do meu melho amigo durante os últimos 16 dias, a rocha de nossa família bloguística, o piloto da minha vida, o próximo primeiro-damo da nação, Capitão Microondas Norte.

Luna e Maggie adoro vocês duas mais do que podem imaginar. E vocês ganharam uma bicicleta e uma cadeira podem trazer conosco para o Blog Branco.

Apesar de não estar aqui conosco- está pelos Algarves e faz muito bem, sei que o meu guru Arrumadinho está-nos a ver, junto com a wireless, e que fez de mim o que sou. Sinto falta deles esta noite. Sei que minha dívida com eles é incalculável.

À minha irmã desnaturada Gata Escaldada, à minha irmã Eduarda dos colares, meus outros irmãos e irmãs, muitíssimo obrigado por todo o apoio que me deram. Sou grata a todos vocês.

E ao meu director de campanha, Prezado da Silva, o herói não reconhecido desta campanha, que construiu a melhor campanha política, creio eu, da história da Blogosfera.

A meu estrategista chefe, Escárnio, que foi um parceiro meu a cada passo do caminho.

À melhor equipa de campanha formada na história da política. Vocês tornaram isto realidade e estou eternamente grata pelo que sacrificaram para conseguir.

Mas, sobretudo, não esquecerei a quem realmente pertence esta vitória. Ela pertence a vocês, eleitorado. Ela pertence a vocês!

Nunca pareci o candidato com mais hipóteses de vencer. Não começamos com muito dinheiro nem com muitos apoios. Nossa campanha não foi idealizada nos corredores de  Pipocawood. Começou nos quintais de Quadripolarcity e nas bancos de trás de taxis e em chãos de alcatifa propícios à prática se Polar-Sutra.

Foi construída pelos bloggers que recorreram aos parcas recursos que tinham para doar 1 like no facebook, 1 comentário no blog ou 1 link nos seus próprios blogs à causa.

Ganhou força dos jovens que negaram o mito da apatia de sua geração, que deixaram para trás os seus servidores Sapo e Wordpress.
Ganhou força das pessoas não tão jovens que enfrentaram o a nabice informática e a ardente vontade de fazer reboot, e dos milhões de bloggers que se ofereceram como voluntários e organizaram e demonstraram que, mais de dois dias depois, um BlogoGoverno do povo, pelo povo e para o povo não desapareceu da Internet.

Esta é a vitória de vocês.

Além disso, sei que não fizeram isto só para vencerem as eleições. Sei que não fizeram por mim.

Fizeram porque entenderam a magnitude da tarefa que há pela frente. Enquanto comemoramos esta noite, sabemos que os desafios que nos trará o dia de amanhã são os maiores de nossas vidas - fashion blogs ao estilo hoje-saí-assim, baby-blogs que põem toda uma Blogosfera em perigo, a pior crise Bloguística na última década.

Enquanto estamos aqui esta noite, sabemos que há bloggers valentes que acordam nos desertos criativos da Blogosfera para dar a vida por nós.

Há bloggers machos e bloggers fêmeas que passarão noites em claro depois de carregarrem no botão de fechar o respectivo blog e se perguntarão como pagarão a Zon ou as facturas da Meo ou como carregarão a banda larga recarregável para preservarem o futuro bloguístico dos seus filhos.

Há novos layouts para serem aproveitados, novas mini-aplicações do Blogger para serem criados, novos perfis para serem construídos e ameaças de selos pirosos e fluorescentes para serem enfrentados, atentados ao bom gosto para serem abolidos.

O caminho pela frente será longo. A subida será íngreme. Pode ser que não consigamos num ano nem em um mandato. No entanto, Blogosfera, nunca estive tão esperançosa como estou esta noite de que chegaremos lá.

Prometo a vocês que nós, como leitores, não conseguiremos.

Haverá percalços e passos em falso. Muitos não estarão de acordo com cada decisão ou política minha quando assumir a blogopresidência. E sabemos que o Quadripolaridades não pode resolver todos os problemas, aliás, pode resolver muito poucos.

Mas, sempre serei sincera com vocês sobre os desafios que nos afrontam. Ouvir-vos-ei, principalmente quando concordarmos. E, sobretudo, pedirei a vocês que participem do trabalho de reconstruir esta Blogosfera, da única forma como foi feita na Internet durante 10 anos, blog por blog, post por post, comentário aprovado sobre comentário aprovado.

E àqueles bloggers cujo apoio eu ainda devo conquistar, pode ser que eu não tenha conquistado seu voto hoje, mas ouço as vossas unhas a marrar na minha poll das lamentações. Preciso da vossa ajuda e também serei vossa Blogopresidente.

Àqueles que pretendem destruir a Blogosgera: vamos apoiá-los. Àqueles que buscam a paz e os concursos apadrinhados pelas marcas: vamos vencê-los.


E quando nos encontrarmos com o ceticismo e as dúvidas, e com aqueles que nos dizem que podemos, responderemos com esta crença eterna que resume o espírito de um povo: Fodemos.

Obrigado. Que Deus os abençoe. E que Deus abençoe a Blogosfera e a Cova da Moura. E o Bairro do Cerco, no Porto. ".

Sondagens à boca do aquário

O Paul, o polvo é como o algodão... não engana!

6.8.10

Apoiantes da candidatura de Pólo Norte: os crustáceos

Lula de Silva e Paul, o povo votam Pólo Norte!

Mak Fedorento, esmiuça dos sufrágios

No melhor blog do Mundo tenta-se caluniar esta vossa candidata. São calúnias! Infâmias! Uma cabala, já se sabe.
Deixem-me que vos diga:

"Pólo Norte pode ser bitch, mas é a candidata mais fixe!"

A luta continua

Slogans políticos à séria

"Antes que a blogosfera aborte
Votem mazé Pólo Norte"

"Não deixem a blogosfera à sorte
Votem na boa da Pólo Norte"

"Não dê aqui o corte
Vote na Pólo Norte!"

"Para uma blogosfera forte
Vote só na Pólo Norte"

"Para uma farra de morte
Vote na Pólo Norte"

"Uma presidente de grande porte?
Só se votar na Pólo Norte."

"Se quiserem à borla um escorte
Votem lá na Pólo Norte"

O Hino da Campanha

Blogosfera para a frente
Com Pólo Norte a presidente
Não se pode perder o Norte
Para uma blogosfera mais forte
Com Mak, o Mau
Seremos governados por um gajo sem pau
Quem diz pau,diz sem tintins
Se votarem na Pólo ela doa-vos os dois rins!
Mak, o Mau com a corda ao pescoço
Não querendo difamá-lo, mas não o tem grosso
Com este calor que se sente
Um fresco glaciar é um presente!
Pólo Norte, a blogger luso-sueca
Tem mil apoiantes, até a Rosa Cueca
Somos pelo direiro à poligamia
Falar de sapatos é que é uma agonia
Todos os BILF's apoiam Pólo Norte
Se nela votarem vão cheios de sorte
Margaridinha virgem será ministra
Romper-lhe o hímen é que será uma conquista
Pólo Norte é a melhor candidata
Se ganhar oferece a todos pastéis de nata
A sua candidatura ninguém refuta
Nem se importa que a chamem de puta
Isto não é conversa de encher chouriças
Nem sequer as mamas são postiças!
Vota Pólo para levar isto a eito
Quem melhor que uma "amiga do peito"?

O primeiro cartaz da campanha

Programa político da Pólo Norte: no plano do emprego

Pontos Traços da agenda:

3- Emprego:

- Estágios profissionais obrigatórios e transversais na área da cozinha com especial ênfase na matéria dos "tachos" como preparação para a entrada no mundo do trabalho de recém-licenciados;

- Abolição dos recibos verdes e criação dos recibos "fuschia" para as meninas e "azul turquesa" para os rapazes;

- Introdução de uma Lei que prevê 20 horas de trabalho semanais obrigatórias distribuídas de forma flexível e de acordo com a disponibilidade e vontade do empregado e não da entidade empregadora;

- Orientação laboral para toda a gente: queres ser bióloga na área dos pelicanos ou dos elefantos indianos, faz-se um protocolo e manda-se vir uma manada para tu pesquisares! Queres ser

- Ano laboral alinhado com o ano escolar com a introdução de 90 dias de férias mínimos obrigatórios;

- Salário Mínimo Obrigatório de 1500 € líquidos;

- Impostos para a Segurança Social, IRS para além da TSU inteiramente da responsabilidade das entidades empregadoras;

- Subsídios de risco contra ataques cardíacos para profissionais que têm que ler CV's inimagináveis;

- Fins de semana de sábado e domingo e folgas à quarta-feira.

Mandatário da campanha: Pólo Norte, herself