14.12.10

O WikiLeaks lá da minha rua

Vejo o assombro com que o fenómeno WikiLeaks chegou aos tops noticiosos e é ingrediente essencial em qualquer conversa de café em que se queira passar a impressão que nela participam pessoas muito focadas na actualidade.

Apesar de já conhecer o site há algum tempo (frase ideal para projectar a minha imagem de camafeu muito up to date), compreender que a nuance digital torna tudo mais trendy e que política e cowboyada diplomática sempre foram um mimo em termos mediatismo, chateia-me que isto do wikileakismo já não seja coisa nova.

Relembro com alguma saudade o tempo que a Dona Suzete, porteira do meu prédio, fazia de WikiLeaks lá da rua, uma espécie de Julian Assange do seu tempo mas de bata às flores e excesso de peso. Como quem não quer a coisa, mas querendo sempre, lá ia partilhando dossiers confidenciais diversos: sobre a senhora do 4º andar que, apesar de divorciada, ainda recebia o ex-marido à noite em casa, sobre a maneira como aqueles do prédio amarelo tinham conseguido comprar carro novo, apesar de estarem atolados em dívidas ou de como as drogas e não o trabalho nocturno eram responsáveis pelo ar desmazelado do filho da senhora da mercearia.

Indiferente a protestos e acusações, infundadas na sua opinião, de que era puramente uma quadrilheira, Dona Suzete continuou a fazer serviço público, sem colocar filtros na comunicação acessível ao público disposto a dar-lhe ouvidos.

A comunidade internacional passou ao lado do papel desta mulher na liberdade do acesso à informação. É natural, a minha rua não ficava em caminho para a comunidade internacional. E assim Julian Assange colhe agora os benefícios daquilo que, à sua maneira retorcida, Dona Suzete já tinha começado a fazer muitos anos antes, sem ajuda da Internet.

7 comentários:

  1. A cusquice existe em todo o lado, lá isso é verdade... e todos temos uma Dona Suzete na vida. mas o Julian prestou serviço público e eu aplaudo o homem (apesar de o andarem a tramar).

    ResponderEliminar
  2. Foi o que a Dona Suzete disse, quando alguém lhe pintou na janela as palavras "Vaca Gorda".

    "Quem não deve não treme".

    Sempre soube mais da vida dos outros do que de sabedoria popular...

    ResponderEliminar
  3. A Dona Suzete deve estar agora a trabalhar disfarçada para o Julian Assange.Cuidado!!!!Ainda aparece aí um fax a dizer que o Mak é carismático:).

    Maria Amaral

    ResponderEliminar
  4. A D. Suzete tinha fontes por todos os bairros deste e de outras cidades, é o que vos digo.

    ResponderEliminar
  5. Olá, Mak!

    Seu blog é muito bom, adorei!

    Quero aproveitar para te convidar à conhecer meu blog também e participar da Promoção 1001 Seguidores. Como prêmio você pode levar para casa uma das agendas 2011 recheadas de fotos dos mais de 40 países que visitei! Se quiser, traz seus amigos e leitores também! :D

    Te aguardo! :)

    Bjos!

    ResponderEliminar
  6. Mak, a dona Suzete também foi apanhada?

    ResponderEliminar

Se vais dizer alguma coisa, escreve, não fiques para aí a olhar.